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Carta de despedida

Ele esperou que a esposa adormecesse e, suavemente, se levantou. Por precaução não acendeu a luz do abajur. “Vai que a mulher acorda?!” Tateou a gaveta do criado à procura de uma caneta. O bloco de papel ficava sempre próximo ao telefone. “Pronto!”

Sentou-se devagar frente à penteadeira e, ali, às escuras, escreveu a longa carta de despedida. Não achava justo sair assim, sem deixar uma explicação. Não tivera coragem de falar cara a cara com a esposa.

Há tempos conhecera Dasdores – mulher de pecados, e por ela se apaixonara. Agora fugiriam para longe. Ele estava perdido de amores pela Dasdores.

Saiu sorrateiro pela porta dos fundos, qual ladrão de vidas alheias. Levava consigo apenas o velho guarda-chuva e a roupa do corpo. Deixava para trás um passado insosso vivido com Maricotinha e seis filhos. A mesmice do dia-a-dia já transformara tudo em paisagem.

João Donato agora sonhava com Dasdores – mulher-dama, senhora de muitos amores. Ia montar casa para elas lá pras bandas do norte. Pensava. Sorria-lhe a sorte.

O sol já ia alto quando Maricotinha acordou. Sobre o móvel viu uma folha de papel em branco e a caneta sem tinta...

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Atualizado em: Sáb 5 Dez 2009

Comentários  

#6 seth 10-06-2010 04:41
As ações falam por sí.parabéns.
#5 tania_martins 15-05-2010 18:04
Parabéns!
#4 Sandra1959 25-12-2009 17:49
:-) Obrigada, Guenia! Venha mais vezes! Feliz Natal!
#3 Sandra1959 25-12-2009 17:48
:-) Obrigada pela visita , Katia! Feliz Natal!
#2 guenia 11-12-2009 15:58
Sandra,

gostei da carta.
abraço!
+1 #1 katiadom 06-12-2009 19:19
:love: Nossa que dor. Imagino os passos a seguir, o que deixou para fluir. Parabéns. :love:

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