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Futebol para o paladar

Brasileiro tem fome de bola. Futebol também atende ao paladar. Eis aí a mais popular iguaria do esporte brasileiro. Sem ela, num certo zelo culinário, o prato seguirá vazio, senão, ao menos, nossa barriga.

Nos panelões, os estádios, ainda gritam querendo mais... "Mais um... Mais um".

Só precisamos dar tempo a fervura, aquecer os elementos, preparar melhor os ingredientes. A impressão é que esqueceram de que futebol bem jogado faz bem à saúde. Mal feito faz mal ao coração.

Uma realidade incontestável é a de que o futebol brasileiro é vítima do seu calendário e isso se comprova com as inúmeras baixas sofridas pelas equipes tradicionais do nosso esporte favorito durante toda a competição. Tantas partidas e torneios quase a exigir a "bilocação¹" das equipes.

Como bem alerta o jornalista Bruno Zanette , são muitos os fatores externos que levam o futebol brasileiro a tantas mazelas. Uma delas – vai lembrar o amigo Zanette – é a falta de conciliação entre os torneios do Brasil e da Europa. Algo não tão fácil de se executar, devido aos interesses econômicos das emissoras, e, principalmente, daquela que contrata a maioria dos jogos para sua exibição. Não há um fator isolado, um único responsável, por isso planejar é preciso.

Certos estamos de que precisamos aprender que os clubes não vivem de saudosismo e que faz parte da nossa cultura ver o futebol com essa veia poética. O nascedouro desse amor pelo esporte data do tempo das peladas e daquele espetáculo malabárico das jogadas dos anos de ouro; inesquecível "Era do FUTEBOL ARTE". Eram tempos do Rei Pelé, de Garrincha , de Jairzinho e de Tostão. Elucida bem o amigo, que considero um especialista do esporte, que até a presença dos torcedores nos estádios, sua assiduidade nas temporadas, seja mesmo nas férias e ou outras ocasiões , tudo contribui para a confecção de um calendário mais ou menos "auspicioso²" ao futebol.

A lamentar temos o fato de que são essas imensas forças que destituem da grandeza maior a sagrada pelota de couro, e que a faz sofrer tantos maus tratos pelo jogador estressado e sob tantas pressões. Tem-se, além disso, outro alvo da discórdia, sempre sob a nossa mira o técnico , profissional que não possui a mínima estabilidade para exercer seu papel. É o chamado "futebol brasilis", o futebol sem tempo.

E saudade não será mais a do torcedor insistente em permanecer com os olhos voltados para a arena verde dos gramados, mas, inexoravelmente, o sentimento que domina rá aquele jovem revelado um dia em campinhos de terra no lazer das horas, muitas vezes empoeirado pela várzea, coberto de lama, mas com um sorriso honesto de quem realizou bem mais do que esperavam dele. Saudades do ontem quando não ganhava nada para ziguezaguear, magistralmente, com a sua arte e ver seus objetivos e ideais sempre ao seu alcance.

Saudade, enfim, de servir o que de melhor tinha para oferecer, um futebol que dava gosto de jogar, de assistir... Bom demais, até para o mais exigente paladar.

1 - Bilocação: faculdade (dom), capacidade de se estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Fonte: Anotações teológicas.

2 - Auspicioso: de bons auspícios, promissor.

Fonte Mini Aurélio - O minidicionário da língua portuguesa. Séc XXI. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. ED. Nova Fronteira.4ª Ed. 2001
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Atualizado em: Dom 30 Ago 2009

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