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Instituição Matrimonial: da cerimônia ao fracasso

Na noite de uma grande metrópole, em um bar qualquer, um casal se encontra. Ela já havia se envolvido com outro vinte e poucos minutos antes, ele já havia conhecido mais da metade do público feminino da casa. Por ordem do destino se relacionam, tendo início ali, entre uma golada de chope e uma tragada de “Carlton”, um duradouro namoro. Tão duradouro que torna-se noivado, e em conseqüência, casamento.

Ato I – Cerimônia

Tudo igual, antes da noiva entrar uma senhora tentando se acomodar melhor para assistir o espetáculo. Cochichos e comentário são freqüentes, “Olha o vestido daquela mulher!”, “Poderia acabar logo para irmos para a festa...”, “Olha lá a família do noivo”, “Que whisky será que vai ter na festa?”. Até que entra o (in)feliz casal. Marcha nupcial. O pai da noiva com uma cara séria. A noiva rindo para todos os convidados, muitos dos quais ela nunca vira antes. Mais um dúzia de comentários surgem em forma de cochichos. O sermão do padre é sobre fidelidade... alguém tem que acreditar!
Na festa o ritual de cochichos e comentários permanece. Os pais do noivo bancando toda a festa para muitas pessoas que nem sabem quem são, e mantêm um sorriso bobo no rosto. O noivo e a noiva chegam um pouco atrasados. “Estavam tirando fotos.”, disse um parente. Todos cumprimentam os noivos, ela doida para ir embora, pensando em lua-de-mel, noite de núpcias( apesar de sexo não ser uma novidade entre o casal, mas agora é sem nenhuma preocupação), ele morrendo de ciúmes de tanto homem olhando e cumprimentando ela. Fim de festa, início de lua-de-mel.

Ato II – Lua-de-Mel

Logo após a festa, tem-se início uma utopia entre o casal, uma realidade virtual se estabelece, e eles praticam sexo agora sem maldade, afina, agora são, perante a sociedade, marido e mulher. Tudo é alegria, “benzinho” pra cá, “môzinho” pra lá, gastos com hotel e motel nem são levados em conta. Vivem intensamente aquele momento único em suas vidas,  o qual não precisam se preocupar com nada.

Ato III – Falsa Realidade

Terminada a lua-de-mel, é hora de cair na realidade, voltar para o apartamento comprado pelo noivo( agora marido) para pagar por mais treze anos e meio ainda. Móveis e eletrodomésticos novos, comprados a prestação. O verdadeiro ninho de amor dos pombinhos. Tudo é novo, e talvez essa novidade cotidiana torne essa fase interessante, não permitindo um possível desgaste. Passa-se o tempo e as novidades e descobertas se esgotam. Surge então uma monotonia cotidiana e rotineira que torna o casamento cansativo e desgastado. O marido trabalha e sustenta a casa e os luxos como pode. A mulher gasta tudo que ganha em roupas, bijuterias e coisas supérfluas.

Ato IV – Quebra da Rotina

Surge uma necessidade imensa de se quebrar a rotina. A mulher avisa ao marido que está grávida. Ele assusta. Começa a conter gastos excessivos e se prepara. A gravidez é o início da quebra da rotina, as reclamações da esposa, a paciência do marido. A bolsa rompeu. Correria. A mulher tranqüila, mas com dores. O marido apavorado, ligando o carro e telefonando para os parentes. Choro de neném. Charutos. Choro de alegria. “Parabéns, você é pai. É uma linda menina.”, disse o médico ao marido. Mesmo não sendo o “júnior” que ele tanto esperava, a alegria é imensa.
A linda garotinha começa a crescer e dar trabalho e preocupação aos pais. Já não existe mais uma rotina, a evolução biológica da filha quebra o cotidiano do casal. O marido discorda da mulher ao apoiar a filha. E várias outras vezes se desentendem em função de tomar partido da garota. A rotina e monotonia da falta de novidades torna a tomar conta do casal.

Ato V – Realidade Nua e Crua

O apetite sexual do casal já não é mais o mesmo de antigamente, apesar da mulher ter conservado o corpo após a gravidez como o de uma garota de vinte anos. Brigas tornam-se freqüentes entre os dois. Desgaste de ambas as  partes, um começa a querer controlar a atitude e a maneira de pensar do outro.
O marido chega atrasado do serviço porque foi tomar um “drink” com os amigos. Ela vai ao “shopping” com a filha sem avisar a ele. Mais brigas. Gastos com psicólogos e conversa para tentar salvar o casamento. Brigas na frente da filha. O marido faz a mala e diz que vai embora. A mulher implora que não, que ele pense na filha. “Ela já é uma mulher...”, disse o marido, e completa: “...não vou deixar de ser o pai dela!”. Fecha a mala e abre a porta do apartamento que terminara de pagar a seis anos. A mulher implora: “E o que o padre falou, sobre fidelidade...”. Ele bate a porta e vai embora para nunca mais voltar. A esposa termina a frase gritando aos prantos: “... e até que a morte nos separe.”
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Atualizado em: Ter 28 Jul 2009

Comentários  

#2 Marcos_Barbosa_Junior 30-07-2009 07:58
Muito bom o texto, bem estruturado com linguagem clara e simples.
Uma boa visãocritica sobre o tema sugerido. :D
#1 DHidiss 30-07-2009 07:58
Muito bom o texto, bem estruturado com linguagem clara e simples.
Uma boa visãocritica sobre o tema sugerido. :D

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