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CERTIDÃO DE RENASCIMENTO

Há dias feitos de profunda apatia, em que não se consegue sentir nada, nem mesmo a incômoda presença do vazio. Dias que a gente nem sabe se viveu...
Então escrevo...
Pra não sucumbir. Pra não morrer aos pouquinhos...

Pra sentir que lá no fundo, mesmo no mais distante subúrbio do coração, existe um resto de alguma coisa que teima em sobreviver. Assim, feito fogo de monturo, feito dia seguinte de fogueira...

Feito uma fumaçazinha teimosa, que volta e meia retorna, cresce, e de vez em quando revive instantes de incêndio, de labareda, transformando a alma numa grande e festiva noite de São João...

Escrevo para quebrar a inércia, para transpor o silêncio, para seguir acreditando que ainda existo, que sobrevivi ao massacre dos números, à selvageria do mercado, à desenfreada corrida de cada dia...

Escrevo pra me penitenciar de tantas coisas que não me permiti, pra me redimir de certos pecados que não ousei cometer...

Escrevo para aliviar o peso de remorsos camuflados, para aplacar os reclames da alma silenciada, para tirar o mofo dos sonhos escondidos na gaveta do talvez depois, no armário do quem sabe um dia...

Escrevo o que lava a alma, o que me dá na cabeça, o que me salta aos olhos, o que não cabe no peito, o que transborda do coração...

Escrevo como quem transpira, para eliminar as toxinas do espírito e manter a forma para continuar a jornada...

Transcrevo a mim mesmo nas coisas que crio e me recrio nas coisas que faço, como se cada música, letra, crônica, poema ou frase fossem cacos da minha própria existência, fossem retalhos da minha autobiografia, como pedras de um quebra-cabeça que só o tempo é capaz de montar...

A palavra é minha impressão digital, meu certificado de autenticidade, minha certidão de renascimento...

Escrever me mantém vivo...
Me faz reconquistar a chance de, de vez em quando, casualmente, me reencontrar comigo...
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Atualizado em: Sáb 22 Nov 2008

Comentários  

#17 Vitor_Klisman 09-04-2011 21:52
Gosto da forma como expõe seus sentimentos. Você coloca as coisas de uma forma que faz a gente se identificar, mesmo sem o dom de escrever.
#16 Vitor_Klisman 09-04-2011 21:52
Gosto da forma como expõe seus sentimentos. Você coloca as coisas de uma forma que faz a gente se identificar, mesmo sem o dom de escrever.
#15 jrs49 02-03-2011 21:58
Me vi em seu escrito, pois as vezes me sinto assim.
E então faço minha certidão de renascimento e ali coloco todas minhas angustias, dores ......
Muito bonito sua crônica.
Parabéns.
#14 jrs49 02-03-2011 21:58
Me vi em seu escrito, pois as vezes me sinto assim.
E então faço minha certidão de renascimento e ali coloco todas minhas angustias, dores ......
Muito bonito sua crônica.
Parabéns.
#13 tania_martins 14-04-2010 20:26
Parabéns,Celio! Abraços.
#12 tania_martins 14-04-2010 20:26
Parabéns,Celio! Abraços.
#11 Nadi 06-04-2010 21:07
E como nos faz bem, chorar no papel a raiva, a felicidade, desecantos, sucessos...
Renascer em cada frase com ou sem rima, ser ou não ser poeta, pedinte de mais vida, talvez.
Abraços estrelas.
#10 Nadi 06-04-2010 21:07
E como nos faz bem, chorar no papel a raiva, a felicidade, desecantos, sucessos...
Renascer em cada frase com ou sem rima, ser ou não ser poeta, pedinte de mais vida, talvez.
Abraços estrelas.
#9 CLARICE_ 14-03-2010 20:14
"Escrevo o que lava a alma, o que não cabe no peito, cacos da minha própria existência", nossa Célio fiquei encantada com essa "certidão de renascimento"! Abreu está certo disse tudo! Parabéns! Estrelei, favoritei e amei! Grande abraço! :love:
#8 CLARICE_ 14-03-2010 20:14
"Escrevo o que lava a alma, o que não cabe no peito, cacos da minha própria existência", nossa Célio fiquei encantada com essa "certidão de renascimento"! Abreu está certo disse tudo! Parabéns! Estrelei, favoritei e amei! Grande abraço! :love:

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