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MORTE VIVIDA

   Quando se tem 16 anos tudo parece mais intenso e sensível, uma paixão parece ser eterna, uma dor que nunca finda e uma desilusão sem fim, e assim trabalha a cabeça desprovida de conhecimento que só a vida com intensidade e muito bem vivida pode saber, é a tal da experiência. Tenho um drama pra contar, tenho dores pra sentir, tenho uma morte pra viver. Ontem fiz 16 anos e tudo que eu queria era poder fazer mais aniversários e comemorar com meus amigos e família, mas..., mas não tenho vida, agora tenho uma morte pra viver e como será, vamos descobrir, sempre fui bom filho e ótimo amigo ajudei a quem necessitava sempre e por isso não entendi porque em um dia tão especial para min fui tirado e deixado jogado as portas da fronteira entre a vida e a própria morte dita.
O dia da minha morte, acordei bem cedo naquele dia estava muito ansioso para as próximas horas, era meu aniversario de 16 anos não poderia ser um dia qualquer não é mesmo, tomei um café bem reforçado e fui passear no bosque perto da minha casa, arvores altas vento batendo no rosto em um dia quente de verão, aquela hora já estava bem movimentado o bosque que era frequentado por famílias passeando com seus pets, crianças bicicletas e tudo que um dia de domingo poderia oferecer de laser, porém em questão de minutos tudo se transformou, uma nuvem densa e negra cobriu todo o sol deixando o ambiente completamente escuro como se apagassem as luzes de casa, e de repente todos que ali estavam desapareceram, pensei comigo, talvez do medo da chuva pois com um céu daqueles seria um temporal terrível, mais mesmo com toda escuridão senti um liquido quente jateando minha roupa, levei minha mão em direção ao peito apalpei e apenas sentia o liquido escorrendo por todo o meu corpo percebi que aquele liquido era meu sangue, mais não entendi porque não sentia se quer uma dor ou pontada no peito então como poderia aquilo acontecer e eu nem perceber. E como uma luz que se apaga e volta acender quando brincamos no interruptor tentado ser mais rápido que a própria eletricidade assim tendo fleches de vida e morte entendi que eu estava ferido, ouvia pessoas gritando quando também não ouvia nada, sentia dor e não sentia mais, em uma briga com meu corpo meu coração chorava, minha consciência respirava e meu ser queria levantar daquele chão batido de terra, parecendo que seria uma luta invencível me entreguei a escuridão que permaneceu em silêncio por alguns minutos e eu ali sem sentir mais o meu corpo presente bebendo a solidão em grandes goles percebi que minha vida acabará e eu só tinha 16 anos, morreram sonhos e metas, morreram paixões e desejos, eu morri e estava em terras desconhecidas sem mapa sem gps e sem chão.
Depois da morte, o desespero de saber que não estava mais em plano carnal parecia que tudo ia acontecer de novo, por instante perdi completamente a noção do real e fantasia do que era e o que poderia ser, pra onde ir quando não se sabe nem mesmo porque estava ali, o que fazer, quem procurar, minha vida virava de pontas cabeça perdi para a morte e não me preparei para essa viagem. A nuvem que pairava em frente ao sol se dissipou e fui saindo aos poucos do meu corpo flutuando lentamente distanciando-se alguns metros percebi que as pessoas estavam em volta do meu cadáver, alguns pediam ajuda ao resgate que naquela hora não seria mais útil, vi ao longe uma mulher correndo e gritando desesperadamente, quando foi se aproximando reconheci que era minha mãe, suas mãos agarraram meu corpo estendido no chão, seu planto desesperado e nada poderia acontecer, daquele chão eu não se levantaria mais, eu queria me aproximar mais não tinha forças para chegar perto, não conseguia mostrar que mesmo sem vida no meu corpo eu ainda estava ali vendo minha mãe chorando minha morte, naquele momento morri pra vida e nasci para a morte, e ali sentindo dores em que não podia expressar veio um vento forte e quente começou a me jogar de uma lado para outro me levando ao longe pedindo ajuda a minha mãe que nada ouvia e fui sendo levado ainda para mais longe, o vendo foi se acalmando o céu ficando vermelho sangue, gritos por toda volta choros e desespero percebi que estava no meio de uma batalha mais não entendi pelo o que estavam guerreando, cavalos armaduras e espadas faziam parte daquele cenário horripilante, bem perto de min passou dois cavaleiros arrastando um outro que estava com uma espada enfincada no seu peito, foi quando percebi que eram anjos e demônios numa guerra sangrenta.
CONTINUA...
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Atualizado em: Seg 13 Set 2021

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