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O HOMEM QUE VIVEU 204 ANOS

 Aconteceu comigo, um fato inusitado. Encontrei-me com um amigo meu, que havia voltado recentemente de uma de suas andanças internacionais. Sentamo-nos numa mesa da cafeteria Coffe’s Delicious, na Rua Main Street da pequena cidade texana, Fredericksburg. Adentramos numa conversa acalorada sobre as maravilhas que meu amigo presenciou em suas viagens. Ele falou-me da beleza selvagem da África, da vista exótica e paradisíaca que o Caribe proporciona aos aventureiros. Meu companheiro extasiou-se ainda mais quando discorreu sobre a Etiópia; ele falou com tanto carinho do país que me deu vontade de visita-lo algum dia.
 A garçonete aproximou-se de nós com um pequeno bloco em sua mão esquerda, e na direita uma caneta.
 - Bom dia, cavalheiros. O que vai ser? – Perguntou, com gentileza.
 - Para mim, um cappuccino. – Falei.
 - O café expresso mais forte que tiver, - pediu o homem sentado a minha frente.
 A garçonete retirou-se para atender outra mesa, e depois para o balcão, para realizar os pedidos solicitados.
 - Você não deveria tomar cafés demasiados fortes, corre o risco de sofrer de insônia. - Alertei o viajante.
 - Meu amigo, a vida é curta demais para perder tempo dormindo.
 Voltamo-nos à conversa de alguns minutos atrás, seu entusiasmo era como o de uma criança quando mostra seu brinquedo predileto a alguém. Depois de muito papo, o semblante do meu companheiro mudou. Ele franziu o cenho e encarou-me com olhos vidrados. Eu nada disse, fiquei perplexo com a mudança repentina de humor.
 - Se eu te dissesse que quando viajei para o Egito, um ano atrás, conheci um homem que tinha 204 anos de idade, você acreditaria? – Perguntou-me, de súbito.
 - Difícil de crer, - rebati com sinceridade.
 - Pois o que lhe digo é a mais pura verdade. A priori, eu também não acreditei; todavia, o homem insistiu que ele já servira a três governantes egípcios que antecederam o atual, sempre na mesma função, conselheiro real.
 - Veja bem, este homem nada mais era do que um charlatão, querendo angariar alguns trocados. – Eu disse, circunspecto.
 - Eu também pensei assim, não sou nenhum tolo. Contudo, fiz algumas pesquisas em livros antigos e em alguns artigos de jornais e nas mídias digitais, e as descobertas deixaram-me embasbacado.
 O homem que acreditava no que dizia, pegou em sua bolsa um maço enorme de recortes e despejou-os sobre a mesa. Ele mostrou-me as provas de seu relato, e conforme eu fui vendo os recortes, tornei-me um crente do fato extraordinário. A principio fiquei atônito, em seguida, confuso, e por fim, acreditei em cada palavra. Não havia como ser uma farsa, os jornais mostravam os antigos reis em suas posses, e o tal homem também estava lá. Alguns daqueles artigos datavam do século dezoito.
 - O que aconteceu com o longevo? – Perguntei, com evidente curiosidade.
 - Assim que voltei para os Estados Unidos, liguei para alguns amigos que fiz no Egito e eles me informaram que o sujeito faleceu há alguns meses. O homem foi considerado o que mais tempo viveu naquela região, seu óbito se deu faltando apenas uma hora para ele completar 205 anos. O que mais me espanta, é que os egípcios consideram isso normal.
 - Oh, isso está longe de ser normal! – Exclamei.
 O café chegou e, devido nossa situação extasiada, nem nos demos conta de que a bebida estava esfriando. Mas quem se importa com um copo de café, quando se descobre algo tão bizarro quanto à própria natureza humana.
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Atualizado em: Qui 9 Jan 2020

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