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Noel Rosa é para ser ouvido e estudado

Noel Rosa foi estudado profundamente e não faltam obras sobre o Poeta da Vila. Autor de centenas de composições, pertenceu ao grupo Bando de Tangarás, sujeito boêmio e notívago, verdadeiro crítico de sua sociedade através de suas obras, é impossível separar obra e a vida cotidiana do artista tão popularmente conhecida. Homenageado em dois sambas de enredo, um pelo Vai-Vai em 1978 (campeão) e outro pela Unidos de Vila Isabel em 2010 em lembrança ao centenário de seu nascimento, Noel de Medeiros Rosa é um ponto fora da curva precisando de bem mais atenção da bancada examinadora da Música e da população em geral.

O trato afinado de suas composições, sua aguçada observação social, atualmente é objeto de reavaliação do seu repertório. Certa composição chamada "Mulher Indigesta" é considerada algo fora dos padrões da nossa sociedade atual. Os movimentos feministas atacam diretamente esta obra, dado o motivo que mostra diretamente a agressividade contra a mulher. Tendo caráter extremamente irônico, tal música levanta o problema de convivência com mulheres nervosas e mal educadas e as possíveis reações.

Todo o trabalho do Poeta da Vila está sendo reestudado, alcançando redes sociais e muito divulgado, numa forma de ressuscitar um período fértil da música brasileira. É importante ressaltar que Noel não construiu sua imagem e fama sozinho. Suas intérpretes tiveram boa participação nisso como Aracy de Almeida e Marília Batista. Cantores como Francisco Alves e compositores como Braguinha elevaram seu trabalho e o seu círculo de amizades. O julgamento de sua vida amorosa com Ceci, a dama do cabaré, jamais poderá servir de argumento para afastar-se da qualidade de suas obras. Perde muito quem não ouve suas letras.

O próprio Almirante, companheiro de Noel Rosa no famoso grupo Bando de Tangarás, deixou obra escrita sobre a vida do Poeta da Vila. Outras sucederam de forma menos parcial, mostrando um Noel mais real e humano e não o mítico. Filme surgiu em sua homenagem e escultura em Vila Isabel. Este reavivamento de Noel deve servir como uma fonte de pesquisa aos novos músicos, compositores(as), revelando uma qualidade poética e musical que jamais poderá ficar travada na História. Tais estudos poderão dar novas inspirações com letras mais bem trabalhadas atualmente, trazendo de volta um período áureo da música nacional.

Entender Noel é entender seu tempo. Ele deixa para sempre em suas composições, as digitais de sua época, a crítica ao sistema que não funciona e pouco ajuda quem dele precisa. Noel Rosa é caso para ser estudado por Freud. Morreu jovem, produziu demais, curtiu a vida sem muito vintém no bolso. O meu composior favorito, motivo deste texto, legou-nos uma obra atemporal. Compete quem ouve, saber aproveitar o conteúdo, refletir, comparar épocas e se for o caso, fazer mudar aquilo que não agrada socialmente. Imortalizado está, imortalizado sempre será. Salve, Noel Rosa!
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Atualizado em: Sex 26 Nov 2021

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