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Primeiro capitulo. O Alvorecer

CAP. 1
                        12-09-2016  UM ANO ATRÁS
            O Que deveria ser mais um dia normal foi marcado como o início de uma nova era, pilares de luz subiram da terra devastando tudo o que tocavam, pessoas desesperadas corriam por suas vidas, não havia espaço para empatia nem para atos de humanidade, em um segundo de lucides reconheci a faceta animal do ser humano, acordei do devaneio quando minha mãe me puxou para uma das ultimas lojas que ainda estava em pé, a multidão de pessoas era sufocante, os gritos eram ensurdecedores, continuamos sendo levadas pela multidão até darmos de encontro com a parede, a luz invadia a loja levando os ultimos sinais de existência humana, como um ultimo ato protetor minha mãe se jogou por cima do meu corpo e me abraçou, não havia mais esperança, suas palavras em meu ouvido são minhas ultimas lembranças dela, "Minha filha''. A Terra tremeu e o céu escureceu, o cheiro de morte impregnava, os gritos antes ensurdecedores começavam a diminuir, a partir desse momento sabia que minha vida nunca mais seria a mesma.
            Minha consciência ia e vinha, a primeira coisa que percebi foi o cheiro, não cheirava a sangue, nem a poeira ou a morte, tinha cheiro de... Nada, minha cabeça parecia explodir sempre que eu lembrava do que aconteceu segundos atrás, o que terá sido aquilo? Me esforcei para abrir os olhos mas não senti a luz do sol, estava em um lugar completamente branco e plano, não parecia ter paredes, era só infinito, quando olhei em volte percebi... haviam milhares de pessoas jogadas no chão, parecendo ter os mesmos problemas que eu para levantar. Passou algum tempo até eu ser capaz de sentar sem colocar o que tinha no estomago pra fora, depois disso levantar foi fácil, comecei a andar entre aquelas pessoas, era incrivel e assustador, não importa o quanto eu olhasse para o horizonte não havia fim, o mesmo para a multidão de pessoas no chão, mesmo com tantas pessoas o silencio era desesperador, olhei para o homem na minha frente que não parava de chorar, o mesmo para a mulher atrás dele, e muitos outros, olhares vazios que encaravam o chão, pessoas em completo desespero, logo percebi que mesmo os corpos ainda estando vivos, aquelas pessoas estavam mortas.
            Dei um pulo assustado quando senti algo tocar minha perna, quando virei me deparei com uma menina, não devia ter mais que 5 anos, usava uma farda escolar e uma mochila com formato de leão nas costas, os cabelos lisos estavam presos em um rabo de cavalo desgrenhado, sua face com traços orientais ostentavam olhos negros que se mantinham fixos em mim. - Oi - Ela disse, enquanto balançava sua mãozinha em sinal de olá, me assustei com a normalidade daquela situação comparado ao que estava a nossa volta, me abaixei até ficar em uma altura similar a dela, respirei fundo tentando não parecer tão perdida quanto estava e respondi - Olá, meu nome é Aur, qual o seu nome?
- Eu sou a yuna, você viu meu irmão?
            Olhei em volta, como deveria responder a uma criança de 5 anos que provavelmente seu irmão foi desintegrado por uma luz que surgiu da terra?
- Como seu irmão se parece? - Perguntei, tentando uma conversa
- Ele é grande - disse, se pondo nas pontas dos pés e levantando as mãos, me olhando fixamente novamente, como se aquela descrição fosse mais que o suficiente.
- Certo - Estendi as mãos para ela - Vamos procurar seu irmão - como se eu tivesse puxado uma arma a criança recuou abruptamente, estranhei aquela reação, ou será que deveria considerá-la normal depois de tudo o que aconteceu? Uns dos meus Hobbys estranhos era observar o comportamento humano, isso só piorou depois de entrar na faculdade de psicologia e aprender a fazer isso de forma técnica, decidi deixar aquilo passar, mas por via das duvidas vou deixar essa cena bem marcada em minha mente.
- Está tudo bem- disse a ela
            Ainda hesitando ela se aproximou lentamente e aceitou meu braço, eu a ergui e continuamos a caminhar em meio a aquelas pessoas semi mortas. Tentei achar rostos conhecidos, familiares ou amigos, mas de alguma forma quando pensava em algum deles sentia apenas um vazio, como se não existissem mais ali, ou como se soubesse que estavam todos mortos, fechei os olhos tentando afastar esse pensamento.
- Ali !! - Apontou a menininha para um homem vestido com roupas do exercito americano
 - Aquele é seu irmão? - Perguntei, cética
            Após negar com a cabeça Yuna respondeu - Meu irmão usa roupas iguais a aquelas. - Olhando em volta percebi algo estranho, alguém estava usando um Yukata, logo a frente um grupo de pessoas vestidas com roupas tradicionais indianas, outra pessoa gritava em coreano, eu não sabia onde estava, mas com certeza não estavamos em um unico país. Antes de poder responder algo aconteceu, devo dizer a vocês que mesmo nos dias de hoje ainda não encontramos um termo certo para definí-los, mesmo sendo esse o tema de muitas discussões ainda não houve consenso, mas vou tentar relatar da melhor maneira possível e deixar a conclusão para vocês.
            Se você não prestasse muita atenção não seria capaz ver, mas com o passar do tempo as figuras foram ganhando forma e coloração, os olhares de todos estavam perplexos e fixos naquelas figuras inusitadas, a 3 metros acima do chão estava um homem gordo com roupas joviais, calça caqui, blusa listrada e um colete aberto, aquela combinação me fez dar um pequeno riso, para minha própria surpresa, ao lado dele se encontrava um cachorro de uma raça nunca vista antes, a coloração do seu pelo era de um tom azulado, e seus olhos eram brancos, seria lindo se não fosse assustador, a aura que emanava daquelas criaturas arrepiava meu corpo.
- Vocês são Deus? - Perguntou um senhor de idade, vestindo roupas brancas religiosas, naquela altura do jogo, não ficaria surpresa se fosse o próprio papa.
- O Que é um Deus? - Perguntou o cachorro, após tudo o que aconteceu naquele dia, por que um cachorro não poderia falar??
- É o nosso senhor e criador, onisciente e onipotente que veio para nos salvar - A Essa altura eu tinha certeza de que aquele senhor era o atual Papa, seu rosto não me era estranho
- Não somos nada tão complicado assim, somos só entediados...
- Como? - disse, mais por surpresa que curiosidade.
Um homem surgiu correndo e parou a alguns metros das... criaturas, seu rosto estava vermelho de ódio e podia ver seus músculos retraídos mesmo por cima da roupa.
- Foram vocês não foram? Vocês que destruíram nosso mundo! Vocês que mataram todas as pessoas! que droga de lugar é esse? Me levem de volta agora! Tragam minha esposa de volta!
            Olhares apreensivos cercavam os seres agora, uma semente de desconfiança foi plantada, analisando bem era verdade que eles eram seres estranhos e aparentemente capazes de destruir o mundo, mas havia muita pouca informação.
- Não fomos nós. - disse o cara gordo com uma voz monótona
- Bando de mentirosos, tragam de volta as pessoas que vocês m....
O Homem não pôde completar a frase, começou a ficar vermelho e engasgar, sangue começou a sair dos orifícios do rosto
- Não faça isso - Falou o cachorro - Ele só está confuso
O Homem agora caído de joelhos engasgava com o próprio sangue, em reflexo puxei a cabeça de Yuna para meu peito impedindo-a de ver a cena, mas os barulhos feitos pelo homem desesperado em busca de ar eram brutais, seus olhos estavam a ponto de pular com a pressão sanguínea quando o homem gordo falou:
- Mas ele nos chamou de mentirosos.
            A criatura gorda deu uma tapa no ar e a cabeça do homem inchou e explodiu como uma pinhata ao ser acertada, partes de massa encefálica voaram metros longe, e seu corpo caiu sem vida no chão, o sangue das artérias continuava esguichando quando as pessoas as redor gritavam e se afastavam do corpo.
O Homem gordo agora com o rosto fechado em uma expressão de mal humor apontava para o cadáver.
- Eu disse, é isso que sempre acontece, nós os salvamos e é assim que nos agradecem, pondo a culpa em nós, esses seres não são nada interessantes, deveríamos apenas deixa-los morrer.
- E Voltar para lugar nenhum? - respondeu o cachorro, agora também de mal humor.
- Não há ninguém aqui capaz de nos entreter? - falou o gordão - Oh - exclamou se aproximando de mim - Essa pode ser interessante. Diga-me mulher, você é capaz de nos entreter?
Recuei alguns passos assustada - O Que quer dizer com entreter? - falei, minha voz saiu baixa e travada, mas a criatura não pareceu se importar
- Qualquer coisa que nos ajude a passar o tempo, ou que seja interessante, aquilo que vocês fazem com o corpo... 
- Dança? - Arrisquei
- Sim! Isso, acho uma bela forma de entretenimento
            Era verdade que dediquei grande parte da minha vida a dança, minha postura, meu corpo todo se adaptou a ela, ninguém poderia negar que eu era uma bailarina, mas isso era certo? Entreter esses seres que poderiam ter massacrado a terra? Senti o corpo de Yuna tremer nos meus braços e me afastei mais alguns passos, para ser capaz de resolver aquele enigma eu teria que arriscar e não queria envolver uma criança, coloquei-a no chão e mandei se afastar alguns metros, enquanto observava ela se afastar podia sentir os olhos das pessoas em volta fixados em mim, em uma situação normal eu adoraria aquela atenção, mas naquele momento servia apenas para atrapalhar meu raciocínio, virando novamente para a criatura, vi que o cachorro também havia se aproximado, após reunir toda minha coragem fui capaz de argumentar
- Vamos fazer um trato.
            Pude ver com deleite a reação de surpresa das pessoas a minha volta, mas não houve reação quanto aos seres, então continuei
- Vocês nos contam o que aconteceu com nosso mundo, e o que acontecerá conosco agora, e eu darei meu melhor para fazer uma apresentação que agrade a vocês.
- Você dançará para nós? - Perguntou o cachorro, com um entusiasmo inusitado - certo então, contaremos o que aconteceu....
.... "Existe algo chamado energia espiritual, ela circula pela terra e pelo ar dando vida, movimento e forma a superfície, vocês humanos são cheios dela, já que de uma forma ou de outra também são parte do planeta, a alguns séculos a medida que as guerras aconteciam, e os humanos evoluíam, sentimentos negativos sobrecarregaram o manto e a energia do planeta começou a ficar densa e desceu pra o núcleo, formando uma bola instável que como vocês viram explodiu ontem, aquela foi a reação de anos de acúmulo de ódio espiritual humano. Nós que não temos nome nascemos do desejo de pessoas incapazes de viver suas vidas, arrependidos e injustiçados, suas energias se solidificaram em busca dessa felicidade, como somos feitos dela somos capazes de controlar livremente a energia espiritual, e foi o que fizemos, quando a energia se acalmou trouxemos todos os emergidos pra cá. "
- Quer dizer que estamos todos aqui? Ninguém morreu? - Gritou uma mulher, o tom de sua voz deu um fio de esperança para todos, mas não durou muito, logo o homem gordo pôs-se a falar
- Você nunca ouviu dizer que interromper os outros é falta de educação? Estão todos mortos, todos os que não estão aqui foram queimados por suas próprias energias espirituais, que sorte vocês tiveram não? De uns tempos pra cá pessoas como vocês também tem nascido, capazes de controlar suas energias mesmo não sendo como nós, por isso não queimaram.
            Por um segundo toda a população mundial, ou o que restou dela, parou de respirar, o choque da verdade doeu muito mais que a escuridão de alguns momentos atrás, O Mundo estava de Luto, lagrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, e cai de joelhos, sem força pra ficar em pé, me aproximei de Yuna e a abracei, seu pequeno corpo tremia em esparmos de desespero, nesse momento éramos humanos, humanos de luto por suas pessoas queridas, no dia em que a humanidade chorou não havia mais diferença de nacionalidade, de cor, ou de religião, pessoas se abraçavam e choravam juntas por aqueles que não mais veriam, se isso tivesse acontecido antes, se nós, humanos, tivéssemos olhado para o outro com olhos sem preconceito, talvez tivéssemos sido capazes de nos amar, de nos entender, se pelo menos tivéssemos nos amado. 
Para aqueles que leram até aqui, muito obrigada, gostaria muito de receber seu feedback.
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Atualizado em: Seg 28 Maio 2018

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