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O SONHO E O TEMPO

Uma menina estava deitada em sua cama, olhando o céu estrelado pelo vidro da janela de seu quarto. Era Clara aos sete anos de idade sonhando com seu futuro onde haveria príncipes, princesas, castelos e grandes aventuras.
De repente, ela se viu envolvida numa luz muito intensa que iluminava seu quarto. Era um sonho, uma grande ideia que brilhava intensamente com cores e planos geniais em sua mente.
Ela ficou muito feliz, aliás, imensamente feliz! E resolveu que iria guardar seu tesouro antes que perdesse. Procurou desesperadamente em seu quarto uma caixinha, colocou seu sonho com todo cuidado e arranjou um cadeado para mantê-lo em segurança. Estava tão preocupada em guardar direito sua preciosidade que nem viu o tempo passar.
Sua mãe chamou-a para o jantar e ela foi obrigada a guardar sua caixinha no bolso e descer para junto de seus pais.
À mesa, Clara estava muito pensativa, mal conseguiu comer, tamanha era sua euforia e todos quiseram saber o motivo. Ela desconversou e não quis compartilhar seu segredo com medo que pudessem criticar ou não compreender.
Nos dias que se seguiram ela continuou com seu sonho trancafiado em sua caixinha. Mas, sempre que podia dava um jeitinho de ficar sozinha em seu quarto para poder curtir seu grande segredo. Olhava encantada cada detalhe de seu sonho, analisava cada etapa e vibrava com a hora da realização.
A mãe percebeu que a sua filha ficava muito tempo em seu quarto e chamou-a para conversar. Mas, novamente fez segredo, pois tinha medo de não ser compreendida, desconversou para fugir da situação. Sua melhor amiga e a professora também quiseram saber o que estava acontecendo com ela, mas nem para elas quis revelar o que estava havendo.
Com o passar do tempo, foi deixando de abrir a caixinha para olhar e foi esquecendo aos poucos. Depois de alguns meses, passou a deixá-la guardada em seu quarto e só olhava de vez em quando.
Passou mais alguns anos e praticamente sua caixinha estava esquecida em algum lugar de seu quarto sem que ninguém notasse.
Um dia, Clara, já mocinha, iria passar uns dias na casa de uma grande amiga e, preparando sua mala, encontrou sua preciosa caixinha dentro de uma gaveta. Mal conseguindo conter sua emoção, procurou a chave com grande impaciência. Ao achá-la, abriu a caixinha, com seu coração pulsando forte esperando encontrar todas as maravilhas que um dia a encantou.
Para sua surpresa, ela viu apenas uma folha de papel, já desgastada pelo manuseio e abandono. Continha riscos e letras desenhadas sem forma definida, feitas no calor de uma emoção. Com certeza era um grande plano ou um projeto maravilhoso! Mas, como Clara não compartilhou e nem colocou em prática, agora nem ela conseguia decifrar e muito menos curtir com saudades seu sonho do passado, pois caiu no vazio do esquecimento.
Clara se sentiu frustrada por não conseguir lembrar o que ela, aos sete anos queria fazer e percebeu que um sonho tem que ser compartilhado com as pessoas e se possível colocado em prática no presente, pois no futuro este mesmo sonho pode não ter mais o mesmo brilho, beleza e colorido de quando surgiu.
Percebendo isto, Clara fez uma promessa solene a si mesma: se um dia estiver olhando o céu estrelado e tiver outro projeto, desta vez não vai mais trancá-lo em caixinha com chave, mas compartilhar com as pessoas que gostam dela e se esforçar ao máximo para realizar seu sonho e nunca mais deixar para depois.
FIM
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Atualizado em: Seg 12 Set 2016

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