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Segundo Domingo de Agosto

  A porta do quarto continua fazendo barulho mesmo puxando com jeitinho para não acordar ninguém. 
 Na sala, a gata cinza se espreguiça na cadeira enquanto a gata preta está deitada próxima à janela, furtando os raios de sol da manhã, não tão fria, do inverno carioca. 
 No banheiro, a água gelada ardendo no rosto ajuda a despertar. Os olhos amanhecidos focam na imagem refletida no espelho sujo de pasta-de-dente da noite anterior. 
  O vapor depois do banho morno ajuda a limpar o espelho. 
 Na cozinha, a água do café na chaleira. O aroma do café pela casa. 
 Na varanda, algumas plantas pedem água. Outras, perdem folhas. 
 Na rua, um vizinho desconhecido de chinelo e meias. Um bom dia acompanhado de um sorriso. 
 Na padaria, o cheiro do pão fresco, o barulho do forno elétrico, os assuntos do dia: política, futebol, novela.
 No caixa, um tímido "feliz dia dos Pais" que se dá a quem não temos certeza de ser pai ou não, e que foi respondido da mesma forma. 
 Novamente em casa, a manteiga derrete no pão quente. O café fumega na caneca. A gata cinza se enrosca nos pés da cadeira. A preta, deitada preguiçosa no sofá. 
 O sol, insistente, vai vencendo a manhã fria. 
 Mais ninguém acordou ainda. 
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Atualizado em: Qua 5 Maio 2021

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