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Eu conto ou tu me conta um conto?

Inícios para mim são sempre mais difíceis. Começos são desafiadores. Não sei bem ao certo quando esse desafio começou, mas para mim tem alguma relação com meu nascimento. Não sei bem. Tenho dúvidas.
O nascer é luz, mas o sobreviver é imensidão. Nem sempre só de luz vive nossa vida e, parece que, a única coisa que querermos quando saímos e entendemos o que está acontecendo do lado de fora, é voltar para a caverna quentinha da mãe e ali, imaginar, ideias, sem certezas. Só ideias. E aqui estou, sobrevivendo em palavras. Começando e recomeçando pensamentos, revirando e tirando poeira de memórias para dar a alguém de presente. 
Imensidão. Dúvidas. Reflexões, começos e recomeços. 
Ah! E por falar em nascimentos, escolhas e essa coisa toda da crise existencial básica humana, essa semana uma amiga apareceu aqui em casa, pra colocar o papo em dia e aquelas coisas todas. E,  entre uma pitada e outra, acabei comentando que precisava contar uma história, fazer um trabalho e teria que ser uma memória, lembrança...sei lá, alguma coisa nesse sentido, mas não sabia nem por onde começar e nem qual assunto escolher. Faltei nesse dia e perdi a atividade que ia me ajudar a “desbloquear” o assunto, internet ruim.  Um adendo: processos criativos são importantes, não falte às aulas, tudo fica mais complicado!  Um caso engraçado, aqui quando venta a internet por fibra para de funcionar, vai saber... mas voltando ali para meu conflito do que escrever...
Imensidão. Dúvidas. Reflexões. Essa coisa toda. Estava com duvida primeiro do que contar e depois de “como”. Antes que eu sentisse fome e comesse o texto todo, procurei uma forma de organizar as ideias e mandá-las pra fora. Pois bem, em casa estava eu e minha amiga e ela desembestou a falar. Me contou uma infinidade de encontros frustrantes e cômicos de sua longa jornada nos apps da nossa solteirice moderna. Novo social, sabe como é, né?
Passamos desde tatuagem inusitada do Pinóquio até “dividimos o IFood e ele ficou me devendo, acredita amiga?”. Rimos. De desespero, talvez. Comemos. Dividimos. Agora divido com você, mas não era bem sobre isso que queria falar...encontros frustrantes na internet? Intimidades não...
Imensidão. Vida. Dúvidas. Faz parte de tudo que respira? Que loucura isso! Alguém para o mundo...porfa.
Ouvindo ela só pensava em como nós somos reféns das nossas escolhas e como escolher era difícil, pelo menos para mim era. Já para ela, mais fácil do que se imagina. Olha que doido, ela escolhendo pares românticos na internet para tampar um pedaço vazio de vida e eu escolhendo memórias e palavras para tampar um buraquinho na minha imensidão de vida.
Dúvidas. Como faria isso? Como ela faz isso? E, então, do nada ela me disse “eu mereço mais que isso. Você não acha, amiga? Não vou mais usar esses apps.”
Decidir. Escolher. Pensar. Para mim, muito mais que epifania. Para minha amiga é uma escolha, um “match perfeito”.
Imensidão. Qual o tamanho da vida? Quem delimita o espaço ou tamanho que as coisas do mundo ocuparão em nossa existência? Quem define o tamanho de uma responsabilidade ou uma certeza? Por que decidir o que comer, vestir, achar ou falar para mim era tão complicado? Eu sempre me enrolo. Meto os pés pelas mãos, saca? Não é simplesmente só escolher um que te agrada mais e fim? E se eu me arrepender...?. Dúvidas.
Quando comecei a ouvir aqueles montes de histórias que minha cabeça revirada contava e meus ouvidos metralhados de memórias iam ganhando da amiga, comecei a refletir sobre essa imensidão, minha e dela. Se nascemos todos iguais, do mesmo buraco, então como nos tornamos tão diferentes e com vidas tão únicas? São tão únicas que aqui estou, depois de vários carácteres e sentidos, tomando um café e fumando, escrevendo e pensando em que tipo de memória compartilhar, consigo entender essa singularidade. Para uns, escolhas são luzes. Abrem caminhos, divertem e iluminam sorrisos. Para outros, imensidão... trazem dúvidas, pensamentos, escolhas gris e... não sei ainda o que escrever. Escolhas. Não sei fazer. Como eu deveria encarar? Luz? Imensidão? Mistérios?luzes e sombras? Será? Mas então, eu  sempre falo da minha mãe e da minha criação. Principalmente do ano em que a cromoterapia com cristais pintou em casa e tinha cristais até no suco para filtrar as impurezas e energias e tal. Ah! E quando era o ano da prosperidade e a água era tingida de azul? Esse ano foi épico, descobri que o suco de laranja fica roxo. Ideias. Não queria mais falar de mim, também. Porque igual a minha amiga, tenho conflitos sentimentais, mas por falta deles. Não sei escolher. E se a gente juntasse tudo numa coisa só? Os gostos das pizzas e cores da natureza e, então, tomasse uma capsula por dia. Uma especie de fórmula. Ser adulto é uma constância de escolhas, difícil pra quem não sabe manusear a ferramenta da escolha...pensei então em falar de como meu pai era especialmente inteligente e criava, dentro da área dele, coisas super inovadoras.  Ele era eletrotécnico de uma multinacional alemã e o seu tcc entraria para a historia da FATEC, mas como o pequeno príncipe, ele cansou de carregar sua matéria e foi viver nas estrelas. É triste e eu não queria. Pensei então em contar como minha avó fazia caramelo e sabia o ponto da calda pelo cheiro e pelo barulho que a bolha fazia quando estourava na panela e que por outro lado, não sabia de jeito nenhum fazer arroz. Ficava tipo, unidos venceremos. Ou então que meu avô era rico e perdeu tudo na esbórnia. Fardos de família, também não. Não sei.... dúvidas. Imensidão, reflexões, começos e recomeços. E minha amiga ali, falando, falando. Comemos. Rimos da desgraça nossa. E agora estou aqui, na dúvida de qual momento compartilhar. Pensando bem, acho que essa arrumação aqui nos arquivos me fez reviver. Talvez ficar na dúvida fez bem. Iluminou a minha imensidão, me ajudou a organizar as memórias e vivê-las em palavras, que por sorte minha será compartilhada por voz. Foi preciso revirar e arrumar essa imensidão toda que existe para saber a importância que uma memória tem. Podemos revivê-las a qualquer momento e eternizá-las em palavras. E agora quanto a decisões e escolhas, melhor deixar para uma outra hora. E o assunto da minha historia? Também não sei. O que eu sei é que a única coisa que meu pensamento grita é ... “como você pode ser tão indecisa, menina?”
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Atualizado em: Qui 17 Mar 2022

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