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FOGO NA REDE ELÉTRICA E O PODER DA ORAÇÃO

           Desde 1954, quando me mudei para Belo Horizonte, oriundo de minha terra natal, Rio Espera, morei no Bairro Dom Bosco. Na Rua Almenara, número 15. 

          Tinha amizade com os garotos, meus vizinhos. Acho que me embro de todos eles. Um ou outro já não se encontra entre nós. Já foi ou foram chamados por Deus. Vamos a seus nomes ou apelidos: Agostinho, Diu, Lelé, Tãozinho, Erli, Hélio. Jogávamos bola num campinho gramado. Aliás, o campinho era a própria rua. Não me esqueço do Agostinho, que já faleceu. Ele tinha uma habilidade muito grande em fazer tijolinhos com argila e construir casinhas em miniatura. Perfeitas. Claro que imitei o amigo, construindo algumas, em minha casa, não tão bem feitinhas como ele. Nelas, até gostava de prender meus gatos. O bicho, que não aceitava ficar preso, claro... reagia. Não é difícil adivinhar que a ação não dava certo e o felino, furioso, abandonava o recinto. 

          Mas vamos ao fato desastroso. Tinha sete anos de idade. Certo dia, lá pelas 14 horas, o Hélio e eu estávamos na rua brincando, nem sei de quê. Foi aí que, não sei como, de posse de um arame grosso, de cobre, dobrei-o em forma de V. Então, sem medir as consequências, não sei que cabeça desajuizada estava eu naquele momento, tive a infeliz ideia de jogá-lo em direção aos fios da rede elétrica. O dito objeto ficou agarrado entre os fios. Naquele instante, nenhuma novidade. Nada aconteceu. 

          Preocupado e imaginando que alguma coisa pudesse vir a acontecer, disse para meu amigo que ia para casa. Não demorou um minuto, eis que um fogo constante, com estrondos e estalos, começou a percorrer toda a rede elétrica. Foi um verdadeiro “Deus nos acuda!”

          Meu Deus do Céu! Fiz uma traquinagem totalmente irresponsável. Comecei a tremer e entrei para o quarto de minha mãe. Em seu livrinho de orações, encontrei um santinho. De São João Bosco. Sim. No verso dele estava uma oração. Adivinhe? Ajoelhado, fervorosamente, pedi ao Santo que desse uma solução e desfizesse a enorme loucura que havia feito. Rezei com muita fé... muita... Quase chorando. Minha mãe não percebeu. Somente ficou louca quando viu aquele fogaréu correndo pela rede elétrica. Rede essa que tinha sido inaugurada há pouco tempo. Quando mudamos para o bairro, não havia luz elétrica. Meu pai, com muito sacrifício, percorreu a vizinhança e conseguiu recolher o dinheiro necessário para que a CEMIG, antiga Companhia de Força e Luz de Minas Gerais, empresa responsável por esse serviço, pudesse instalar a rede e nos atender. 

          Terminada a oração, saí de fininho do quarto e minha mãe estava desorientada, mas um pouco mais tranquila porque o fogo já não mais tomava conta dos fios elétricos. Morrendo de medo de tomar uma merecida surra, revelei a ela a minha loucura. Claro que mamãe me passou uma descompostura. Disse que tinha achado meio esquisito o meu comportamento, mas não fizera nenhuma observação, embora tivesse tido o desejo de me perguntar o que estava acontecendo. Falei para ela que tinha feito uma oração pedindo a São João Bosco que me ajudasse. E ele ajudou. Afirmei. Deve ter ficado com pena de mim e não fez outra coisa a não ser resolver aquele imbróglio em que havia me metido.

          Passados alguns instantes, fui ao encontro de meu amigo. Do Hélio, que estava comigo na hora da travessura. Ele só me disse que o pai dele, senhor Luiz, sabendo do ocorrido, de posse de um estilingue, arremessou várias pedras no tal arame de cobre que estava enganchado na rede. Nem acreditei... Como conseguiu derrubá-lo. Somente mesmo um milagre. Sim. Um milagre que se concretizou, por intercessão de São João Bosco. 

 

          Foi um dia de muito sufoco em minha vida. A travessura tinha sido muito grave. Refleti sobre o fato e nem acreditei como pude ter aquela infeliz ideia. Ao mesmo tempo, senti em meu coração, com muita firmeza, o quanto uma oração, rezada com fé, tem força para remover obstáculos que possam parecer intransponíveis.

          Aproveito para reforçar a minha crença e registrar aqui o que está escrito no Evangelho, Mateus, 17:20:

          "E Jesus lhes disse: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.”

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Atualizado em: Seg 1 Mar 2021

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