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LEMBRANÇAS DE NATAL

         Meu pai, como já narrei em alguns textos, era muito trabalhador. Além de ser um homem forte, tinha uma estatura invejável. Tanto é que parte de meus irmãos são também bastante altos. Eu nem tanto cresci. Puxei à minha mãe que era baixinha. Mas vamos ao fato que me fez lembrar algo que aconteceu poucos dias antes de um dos natais, durante a minha infância.

         Certo dia, em um domingo, quando tinha lá meus sete anos de idade, meu pai e eu caminhávamos em direção ao campo de futebol que havia no bairro Frei Eustáquio. Futebol de várzea. Estava havendo um campeonato naquele dia. O engenho para moer cana não podia faltar, e a garapa era produzida, graças aos fortes braços de meu pai que produzia o líquido precioso para vender. Era colocado num bule grandão, de alumínio (guardado até hoje por minha irmã). Adicionava−se o gelo, e o delicioso caldo era vendido em copos de papel para os frequentadores.

           Marchando a passos largos, pela Rua Hércules, hoje Rua Vereador Cláudio Pinheiro Lima, em Belo Horizonte, Minas Gerais, eis que uma Rural Willys parou do lado de nós dois. Um senhor, com alguns papéis na mão, perguntou a meu pai: “Este garoto é seu filho? Tem mais alguns?” Sim, respondeu meu pai. Tenho mais quatro filhos e uma menina. Acrescentou. “Qual o nome do senhor?” − perguntou. João, respondeu meu pai, com humildade. “Então, senhor João, no dia 24 de dezembro próximo, vamos distribuir alguns presentinhos de Natal para as crianças. Vou lhe passar alguns bilhetes e o senhor leva os meninos lá para apanhá−los.” Ele nos deu três: para mim, para a Aparecida e para o Marinho. Os outros irmãos já estavam meio crescidinhos, por isso não foram agraciados. Imagina, caro leitor, a felicidade que meu pai e eu ficamos com o gesto do homem. Vendo a humildade de meu pai, com os pés descalços, trajando roupas simples, acredito que aquilo atraiu a generosidade daquele senhor da Rural.

         No dia 24 de dezembro daquele ano, rumamos em direção ao local indicado, na Rua Pará de Minas, em uma casa próxima à Rua Lorena, no Bairro Padre Eustáquio, aqui em Belo Horizonte. Acho que foi meu pai mesmo que nos levou. Lembro−me de que fui agraciado com uma corneta de plástico, amarela e verde. O Marinho, um caminhãozinho, e a Aparecida, uma boneca.

         São essas lembranças simples que me remetem a um tempo feliz de minha infância, ressaltando a generosidade das pessoas e a simplicidade de meu pai, homem humilde, abençoado por Deus, que soube criar seus filhos, dando exemplos de carinho, amor e bondade.

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Atualizado em: Qui 21 Jan 2021

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