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Amor em tempos de pandemia

Eles se conheceram na faculdade. Ele, boa pinta, bom de conversa, mas pobretão. Entrou na faculdade graças a um desses programas do Governo que facilitam o acesso ao curso superior de quem não tem condições econômicas para frequentá-lo. Ela, filha de pai rico, entrou na faculdade porque frequentou cursinho renomado e teve boa classificação no vestibular. No final do ano estavam namorando. Então, veio a pandemia do coronavirus, um vírus identificado oficialmente como SARS-CoV-2, que provoca uma doença respiratória chamada COVID-19. Pandemia porque afetou várias regiões do Mundo, incluído, naturalmente, o Brasil. É uma doença agressiva, de fácil transmissão, que ocorre por contato próximo de uma pessoa doente com outra, p. ex. pelo aperto de mão, beijo, espirro, tosse ou contato com superfícies contaminadas. Bem por isso, as autoridades sanitárias orientaram a população a manter isolamento social, quarentena etc. Dentre outras medidas, as aulas foram suspensas e os estudantes orientados a permanecerem em suas casas. Ele mora numa república com outros cinco colegas; ela mora sozinha em apartamento de sua propriedade no bairro chique de Higienópolis, ambos em São Paulo. Como fazer para continuar o namoro já que se amam e não suportariam ficar distantes por muito tempo. Não convém que ele fique indo e vindo da república para o apartamento dela usando transporte público. A contaminação dele será certa, como certa será a transmissão para ela. Então resolveram que ele se mudaria para o apartamento dela e, portanto, estariam juntos até que as autoridades resolvessem liberar o insulamento, retorno às aulas etc., e assim continuariam o namoro cada qual morando em seus respectivos endereços. Residindo juntos, embora com parcos recursos ele fez questão de dividir algumas despesas. O condomínio é caro, logo, ela bancaria sozinha. Mas, contas de luz, água, gás, dava para dividir. Assim decidiram e ficaram convivendo como se casados fossem. Aliás, os vizinhos até os consideravam um casal perfeito. Só lamentavam não terem sido convidados para o casamento. Os meses se passaram e ela, em conversa com amigos, foi alertada sobre o risco de que a situação pudesse configurar uma união estável, estado equivalente ao de um casamento. Foi até orientada a fazer um contrato de namoro, o que ela logo desconsiderou, entendendo que eram apenas namorados. A pandemia e a situação de isolamento duraram mais de um ano. Relativizado o afastamento social e reiniciadas as aulas, era hora de cada um retornar ao seu lar. Mas ele estava gostando da mordomia e não era sua intenção voltar para a república. Discutiram, e ela decidiu terminar o namoro. Então, disse ele, dado o tempo em que conviveram como se casados fossem – os vizinhos poderiam comprovar – era justo que fosse reconhecida a união estável e, portanto, diante da separação ele teria direito à meação dos bens que ela tinha. Era esse direito que ele iria buscar em juízo!

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Atualizado em: Qua 17 Jun 2020

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