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SAUDADE DE CASA

Acordei. Uma disposiçao súbita animou cada um dos meus músculos. Uma vontade de sair caminhando tomou meu coração. Um dia como Harold Fry. Calcei meu tênis e sai. O céu de um azul límpido e harmonioso. Um vento suave e cores por toda parte.Enquanto caminhava minha mente se esvaziava daspreocupações diárias.
E o sol aquecia meu corpo como um abraço confortante. Nas calçadas esburacadas e pelas portas e janelas fui contemplando as vidas. Famílias se reunindo. Outras se apartando. Cheiro de almoço de domingo no ar. E em cada família pude ver a minha própria família. Voltar à casa do meu pai me faz voltar ao que era antes. A casa cheia. Crianças e cachorros. Gente falando. Rindo. Sei que vai ser diferente mas não posso evitar meus pensamentos. Eu caminho pelas ruas em que caminhei de mãos dadas com minha mãe. Ruas que levavam pra casa das avós e para a escola primária. As casas de amigos da infância vão se aproximando, alguns ainda vivem aqui. Outros já se foram... De tantas maneiras se foram... Cada novo passo me guia a um caminho tão conhecido aos meus pés e ao mesmo tempo tão novo para mim. Novo para o que sou hoje. Embora aquelas árvores sejam as mesmas... Eu já não sou. E esse caminhar me traz esperança. É a minha estrada de tijolos amarelos. E ao chegar há flores na entrada... As flores dela... O cheiro dela... O aconchego dela... As pessoas estão à mesa. É a minha família. E eu me sinto em casa... Nao precisei bater os sapatinhos mágicos três vezes... Mas mesmo assim dá vontade de dizer: não há lugar como a nossa casa.

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Atualizado em: Sáb 16 Maio 2020

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