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Os cachorrinhos de progressiva

Hoje fiquei um tanto angustiado, e talvez um pouco revoltado, ao ver 2 pessoas, homem e mulher, andando juntos, cada um segurando pelo menos 2 cachorrinhos peludos, que mais pareciam estar saindo do salão de beleza: seus pelos pareciam terem passados em uma sessão de progressiva. Era um daqueles que tem seus caninos inferiores para fora, com cara de deboche, e ficavam um latindo para o outro, bem revoltados, como se discutissem política e religião, talvez sobre liberdade de expressão, ou sobre como os gatos sobem seus muros com mais velocidade que o olhar canino. Mas a minha angústia não foi pela conversa dos cachorrinhos intelectuais, e sim por que o homem e a mulher traziam consigo um fruto que não é seu, um ser vivo sem o dom de criar, modelar, inventar ou profetizar. Era preferível ver uma penca de meninos e meninas rivalizando o seu poder de grito, do que ver os cachorrinhos discutirem a Revolução Russa. Nada contra os cachorrinhos dóceis, ou não, e inocentes, mas é que eles só farão isso a vida toda e depois de alguns anos deixaram o seu pó na terra. Nada diferente do homem, quanto ao tipo de morte, tudo diferente do homem quanto à história carregada para o túmulo. O problema da sociedade talvez seja porque transformou a visão humana em uma visão da animália, ou reino animal, como se o mundo fosse um enxerto de vida onde todos tem uma mesma função, sentido, e essência: todos nasceram pra viver e morrer, todos nasceram pra comer e defecar, todos nasceram para pintar a Monalisa, construir pirâmides e cantar a Ave-Maria.
O animal alegra o coração do homem por sua inocência e disponibilidade, mas o preferível é que o homem experimente todos os sentimentos internos ao se deparar com outro ser humano e só o outro conseguirá gerar em nós alegria, raiva, tristeza, admiração pelo intelecto, revolta pela má atitude, cortejo pela nobre ação, desejo por um casamento ou o compartilhamento de sonhos e metas. É só vivendo intensamente as emoções que nos formamos como humanos. Me pergunto se ao invés de parir crianças as mulheres parissem um Yorkshire, se elas estariam hoje lutando pelo aborto.
É com ar de funeral que vejo as madames levar seus cachorrinhos para passear sem a presença de algumas criaturinhas humanas para degustar do lazer com o cachorro agitador de pensamentos (o meu). Com o mesmo ar vejo a sociedade substituindo a grandeza da alma humana pela pequenez do cachorrinho de progressiva, olhando ao meu redor e vendo pessoas dedicadas à felicidade canina e pelas esquinas bradar o valor da vida humana. Hipócritas!
Finalizando o meu pensamento, diz São João XXIII:
“A família, baseada no matrimônio livremente contraído, unitário e indissolúvel, há de ser considerada como núcleo fundamental e natural da sociedade humana”.
Se você chegou até esse momento de leitura, talvez despertasse em você que o meu pensamento conclui que um dos maiores causadores de erros na sociedade seria as famílias modernas, seu materialismo e seu egoísmo por não arriscar mais fecundar o matrimônio com pessoa “gente”... se você concluiu isso como meu pensamento, acertou.
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Atualizado em: Seg 16 Mar 2020

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