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Meu Pai Ou O Gato preto

Quando criança morava em um sítio... aqui no Vale de Itajaí em Santa Catarina. Era uma comunidade formada por casas de madeiras, cujo a maioria vivia do trabalho... direto ou indireto... a uma Usina de açucar... responsável por um produto muito popular na época. Mais tarde... já nos anos 2000 foi comprada por uma  grande Usina do Nordeste.. que se preocupou apenas em fecha-la. Mais naqueles anos da década de 1970 a comunidade vivia como se fosse uma ilha... isolada dos acontecimentos do resto do país... sendo que poucos televisores existiam e os poucos ainda a imagem era em preto e branco. Morava com mais 5 irmão e meus pais em uma casa de madeira de dois andar. Moravamos em cima... embaixo ficava banheiro com o chuveiro, (para outras necessidades usavamos uma velha patente que ficava no final do grande quintal, sobre uma vala onde corria por toda rua com outras patentes) ... o cocho de lavar roupa... e de passar naqueles velhos ferros fumegantes... tambem um quarto de ferramentas... enxadas, serrotes entre outros o machado para cortar lenha... sim por que o fogão era ainda a lenha. Conosco também morava dois cães... Rex e Baio. O primeiro... Rex era o típico cachorro bobão... daquele que a gente puxa o rabo... chuta... brinca de abusar dele... e mesmo assim sempre nos cerca com o rabo abanando... a lingua de fora... e eusempre o abraçava e compartilhando suas pulgas. Já o Baio era o típico cachorro bravo... vivia sempre preso na colera... e era o cão caçador; companheiro de meu irmão em suas caçadas. Nas caçadas segundo meu irmão se gabava... matara mais de 50 gatos selvagens nas densas matas que cercavam a comunidade. Tal estatística cruel era admirada pelas outras pessoas, sem mínimo de noção na época sobre o respeito a vida e que tal atitude era convarde demais para ser comemorada. No entanto eu lia muito e muitos gibis, portanto não tinha nenhuma admiração nem pelo baio nem pelo meu irmão que entre outras atitudes crueis contra a natureza também havia a de prender pássaros em viveiros e gaiolas... aliás era um passatempo preferido da maioria dessa comunidade cristã. Meu pai era um homem estranho... para mim ele foi sempre um estranho. Se algum conhecido meu dizer que estou sendo ingrato ao dizer isso... não acho... por que tenho comigo que dar alimentação, casa e lugar para dormir... ninguém pede para nascer portanto é obrigação de quem fez ter que saber criar, caso contrário faça como eu que nunca tive filhos e hoje aos 53 não terei mais... acredito. Meu pai era como o sujeito do filme O Homem Que Não Estava Lá. Ele ia para o trabalho usando seu chapéu de palha fumando seu minister... voltava para casa do mesmo jeito... depois do banho ou finais de semana costumuva ficar sentado na escada enrrolando seu cigarro de palha e fumando sempre indiferente a tudo e a todo... foi assim a vida toda, nunca me disse um bom dia ou me chamou de filho... nenhum de nós seus filhos ou esposa de querida. Nunca reclamou mais também nunca perguntou se estavamos bem... nem nós a ele... se ele se aproximava demais me sentia constrangido na presença dele. Para meu pais nós eramos que nem o Rex e Baio... como se fossemos de estimação... que ele se preocupava apenas em alimentar e garantir lugar para dormir. Certo dia apareceu lá em casa... não se sabe da onde... provavelmente da mata... um gato preto... que apelidei de shane... mais que pareceu bem hostil... quando fui brincar a primeira vez com ele, como fazia com o rex... ele me deu uma patada que quase me furou o olho... baixei a cabeça a tempo de ver suas unhas fincar na minha cabeça. Fiquei assustado e nunca mais mexi com ele. Ele sempre que anoitecia saia e se embrenhava para a mata... no amanhecer quando acordávamos já estava alí... e nem os dois cães mexiam com ele... aliás ninguem lá em casa lhe dava a mínima... mais nunca deixamos de o alimentar e até leite lhe dávamos... e ele estava alí e isso de certa forma era bom... por que em nossa rudeza de pessoas simples do sítio sentíamos que os animais tinham a capacidade de despertar em nos aqueles sentimentos bons que estava adormecido e muitas vezes soterrados sob nossa ignorância, e isso mesmo que de forma inconsciênte... nos era confortante. Depois de mais de 1 ano... resolvi saber para onde ia aque gato preto ao anoitecer, e resolvi seguir ele. Saí seguindo ele e foi por uma trilha... foi andando e pude ve-lo pelas luz reflitida, de costas com seu andar devagar, sem pressa... por que era uma noite muito bonita de luar e estrelas brilhantes... dessas que poucas e raras vezes eu vejo. Quando estava quase chegando ao final da trilha senti que perdi sua vizão... andei mais uma pouco e percebí que a trilha acabara e que uma elevação já começava a fechar a mata... depois haveria uma decida que seria puro matagal...sob essa elevação eu pude perceber que ele estava parado, sentado e apoiado sob as patas com a cabeça erguida olhando para mim... e depois de me olhar por alguns segundos, mergulhou na escuridão e nunca mais o ví... nunca mais apareceu lá em casa aquele ser misterioso. Como se tivesse ficado ofendido com minha invasão a sua privacidade. Déz anos depois meu pais teve um enfarte... no momento que meu irmão fazia uma massagem em seu peito... eu segurava em suas pernas... naqueles 22 anos que eu tinha... e que eu me lembre fora a primeira vez que tocara nele... e foi a primeira vez que ele me olhou de forma carinhosa e que esboçou um sorriso... mais durou pouco em seguida ele também chegou ao final da trilha... e também mergulhou na escuridão para nunca mais eu ve-lo.
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Atualizado em: Sáb 4 Jan 2020

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