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O otimismo nunca foi o forte de Jeff. Quando se é assim, tudo parece estar fazendo força contrária, e idéias sobre vingança podem ser recorrentes. Seu melhor amigo é o oposto e vive se esforçando para enxergar uma moral, uma lição ou qualquer vantagem em tudo na vida. Terrivelmente irritante.

Quando o smartphone de Jeff foi furtado no metrô, e o dia parecia ter ido por água abaixo, seu amigo soltou a seguinte pérola: "Cara, tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Se você olhar o dia de trás para frente você veria um homem que passa do seu lado no vagão e coloca um celular novinho no seu bolso vazio". Caralho! Jeff queria esmurrar a cara do amigo. Mas depois, rindo da situação, uma idéia aflorou.

Chega de passividade, chega de conformismo. Jeff decidiu ir a fundo e se não pudesse recuperar o que é seu, pelo menos ia fazer justiça. Resolveu passar pela burocracia da companhia e insistiu em ver as câmeras de vigilância. Por fim, conseguiu as imagens e identificou o miserável que o furtou. Dois dias depois já estava com um telefone novo, igualzinho ao primeiro, e passou o dia no metrô. Ia de estação em estação. Mudava de vagão, mudava de linha e continuava espreitando de boné e casaco. Observava todo mundo que passava. Três dias assim e ele avistou sua vítima. Era ele com certeza, estava até com o mesmo suéter. Esperou a oportunidade e fez o movimento, rápido e simples: colocou seu telefone no bolso do cara sem ele perceber.

Quando chegou à sua estação de destino o meliante desceu, Jeff foi atrás. Acompanhou o bandido que parecia estar sendo seguido por outro cara. Seu comparsa provavelmente. Jeff não era tolo para enfrentá-los sozinho, nem tinha chance. Quando passaram próximo à um guarda, Jeff fez sua cena. Ficou gritando que alguém tinha pegado seu celular, chamou a atenção de todo mundo. O bandido nem deu bola, continuou seu rumo. Mas então Jeff pediu que o guarda ligasse para seu número. Ele ligou e o som escandaloso veio do bolso do sujeito que, confuso, colocou a mão e sentiu o volume. Jeff berrou, "Ali! É o meu celular!" E uma baita perseguição se iniciou pela estação.

O comparsa se misturou na multidão e sumiu, mas o guarda passou um rádio e não teve jeito. O punguista, com o celular ainda apitando, acabou sendo preso em uma das saídas. Jeff aproveitou para dar uma boa olhada na cara do malandro. Recuperou seu novo celular e com um sorriso de triunfo discretamente bateu uma foto.

Mais tarde, a conversa com seu velho amigo foi bem animada. Jeff fez questão de contar cada detalhe. Estava mesmo orgulhoso de seu feito. O amigo, otimista como sempre, não deixou de notar e destacar que foi sua filosofia que inspirou o ato. E que de fazer as coisas invertidas, seu "bro" estava ali ao contrário. Sentindo-se bem feliz, ao invés de melancólico e mau humorado como sempre.
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Atualizado em: Ter 10 Dez 2019

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