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O arrepio mais frio do inverno - capítulo I

- Devemos descer ao pé destas montanhas, Glad, – se esforçou Suilane enquanto recuperava o fôlego, haviam parado por alguns minutos, fez um gesto cansado com a mão -, ir para o norte.
  - Mas e se os encontrarmos por lá, Su? – disse Narglad com sua voz grave e tremula, também tentava recuperar o fôlego enquanto se esforçava para mantê-la juntamente de pé. - De todo o modo, precisamos de um lugar para descansar e ficar por lá um dia inteiro – falava ele. Suilane concordou com um aceno e o homem pôs o braço dela em seus ombros e a ajudou a caminhar –, vamos tentar conseguir água e talvez algo para comer.
  Narglad e Suilane, haviam se conhecido fazia pouco mais de duas semanas fugidos de um conflito que estava assolando o Sul de seu país natal. Passaram a cofiar um no outro devido as dificuldades que enfrentaram até ali, o homem dizia ser péssimo em lembrar nomes e preferia usar apelidos, então agora a chama de Su e pediu para que o chamasse de Glad, ela sentiu não ter escolha e assim se manteve. Estavam vagando por aquelas montanhas há alguns dias depois de cruzar fronteira entre Tessalanto e Glaucano, Su não via a hora de encontrar alguma cidade ou vila.
   - Eu perdi aquela maldita faca – disse Narglad depois apalpar por debaixo das roupas, ele era um homem alto, esguio, cabelos grisalhos vencendo seus cabelos castanhos, coberto de tecido grosso negro, lã cor creme e calças azul desbotado, tinha não mais que cinquenta anos de idade ou quase -, você tem a sua?
  - Bem – Suilane apalpou a cintura por debaixo do casaco de lã e lá estava sua faca, para o seu alívio –, sim tenho, não a esqueci desde quando fomos emboscados – sentiu um frio na espinha ao relembrar. Su era uma mulher jovem, seus cabelos negros escondidos dentro de uma touca cinzenta de lã grossa, vestia um colete de pele grossa com a pelagem tingida de azul claro e por baixo mais lã castanha, calça escura e botas de cano forrado de pelagem laranja desbotada.
   Estavam caminhando a manhã toda e com pausas para descansar e recuperar o fôlego, a neve chegava quase à cintura de Suilane, devido ao clima de montanha daquele lugar, o que fazia seu esforço ser quase dobrado. Naquele momento já passava do meio dia, o céu azul claro com algumas nuvens brancas e o ar quase parado não apresentavam perigo.  A sua direita árvores triangulares e pontiagudas não muito longe desciam o restante do sopé das montanhas e a esquerda as montanhas subiam afim de espetar as nuvens e o céu. Até que o homem de repente se jogou na neve puxando Suilane junto, assustada ela olhava na direção em que ele apontava. Até que ela pôde então ver quatro formas negras minúsculas ao longe caminhando e descendo o sopé de uma Canina em direção as árvores. Durante a travessia pela fronteira, os homens que guiou ela e mais cem outras pessoas, falavam que aquelas montanhas altas eram chamadas de Caninas. De fato pareciam as presas de um predador faminto pontiagudas e ferozes para o viajante amedrontado, assim como ela estava.
    - Vamos correr em direção as árvores e desaparecer por lá – disse ele -, você tinha razão, devíamos ter descido antes.
  Eles se entre olharam e Glad partiu em disparado abrindo caminho na neve alta e Su o seguia, ambos agachados ao máximo que podiam. Ao ficar sobe a proteção das árvores, a neve rareou e agora eram as raízes um obstáculo, ela descia ao seu ritmo enquanto o homem descia logo atrás mantendo-se na mesma velocidade e foram diminuindo o passo com o cuidado das pernas cansadas, separados por algumas árvores de uma distância, podia vê-lo descendo entre os troncos pouco menos de dez metros de onde estava. De repente ouviu um barulho semelhante a tecido grosso rasgando, seguido de gritos abafados que a fez encolher o pescoço com medo, olhou em volta afim de saber o que estava acontecendo, chamou por Glad, mas não houve resposta, ficou ainda mais temerosa, pois seus chamados continuavam sem resposta.  Subiu o caminho por onde havia descido, tentou voltar até onde o vira pela última vez, mal se aguentava de pé em meio à exaustão e a preocupação suas pernas tremiam e vacilavam a cada passo. Sentiu suas esperanças desmoronarem diante de si e as lágrimas caíram pesadas ao ver de longe três felinos enormes, do tamanho de ovelhas, puxando o corpo de Narglad em meio a alguns arbustos ressecados, o pescoço estava arruinado rabiscado de vermelho rubro e sua roupa escura brilhava devido ao sangue, sentiu o estomago embrulhar-se colocaria tudo para fora se não estivesse completamente vazio. Não havia tempo para chorar ou pensar em fazê-lo, ouviu o vento rasgar em seus ouvidos novamente e quando olhou em direção ao corpo do homem, um dos gatos avançou em sua direção com os dentes ensanguentados de fora, seus pelos eriçados o fazia parecer ainda maior. Ela correu tropeçando ao tentar desviar das árvores e olhar para trás ao mesmo tempo e foi apenas o que fez, sem fôlego e qualquer energia para ficar de pé tropeçou numa raiz e caiu abraçando uma rocha alta. Olhou para trás e pôde ver que dois dos felinos desciam lentamente observando-a. Seu corpo estava pesado como chumbo tentou gritar “ajuda” repetidas vezes quase sem voz. O ar faltava-lhe os pulmões e a visão começava a girar a sua volta.  Percebeu então os felinos se afastarem bruscamente de onde estavam para longe dela amedrontados, como se alguma coisa no ar estivesse queimando seus olhos. Os dois então recuaram subindo rapidamente e desapareceram entre as arvores. Ouviu passos de uma pessoa aproximando-se lentamente e uma voz de menino ecoou enquanto sua visão embaçou e perdeu a luz.
  - Está a salvo agora.


(Por não ser um texto definitivo e completamente de teste, estou aceitando críticas, sugestões e comentários sobre qualquer dúvida. Obrigado.)
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Atualizado em: Dom 23 Jun 2019

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