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Ao meu sol

Lembro daquele dia que eu acordei diferente. A luz parecia mais forte, os sons mais nítidos e até a beleza era mais pura. 
Percebia cada detalhe: a folha dançando, a nuvem caminhando até ouvi a conversa de um grilo com uma borboleta. 
Estávamos, eu e você, de costas para o chão. Você falava e eu ouvia, depois eu dizia e você escutava. 
O sol batia nos seus fios de ouro que de tão raros me custa nomear de cabelo. 
O brilho na imensidão azul daquelas bolinhas que você chama de olhos e eu chamo de oceano. Ou céu, depende do dia. 
Quando me dei conta você não mais falava, sua boca apenas mexia, enfatizava e sussurrava.
Logo chegaria minha vez de falar e o que eu iria dizer? Não sabia do que se tratava toda aquela conversa labial surda que vinha da pintura que era você. 
Mas como eu disse, eu acordei diferente, e a necessidade de profetizar palavras soltas tinha sumido.
Eu não disse nada. O silêncio disse. O nosso silêncio é o que mais fala.
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Atualizado em: Qua 12 Set 2018
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