person_outline



search
  • Crônicas
  • Postado em

Paixão metropolitana momentânea

Eram dias difíceis, andava meio desanimado.
Hoje, não era uma exceção, desviava os olhares das pessoas, na rua, enquanto caminhava em direção à estação de trem, estava indo trabalhar.
O trem chegou, eu torcendo para que ele estivesse vazio, não estava. Bem, lá vamos nós, afundar a cara no livro e esperar chegar ao destino. Comecei a ler o livro, passou uma, duas, três estações.
O trem chegou à quarta estação, entrou uma garota, interessante, muito bonita. Tinha olhos escuros, lábios grossos, pele morena, cabelos escuros, escorridos. Usava óculos, também carregava um livro em suas mãos. Coisa rara de se ver, todos carregavam celulares em suas mãos.
Não conseguia disfarçar, estava encantado pela garota do trem, havia algo diferente nela.
Apaixonei-me mais ainda quando olhei seu sorriso, ela havia lido algo no livro que havia arrancado aquele belo sorriso.
Tentei ver o que ela estava lendo, não consegui. Quando volvei os meus olhos em direção a ela, ela estava me olhando, sorrindo.
Fiquei com vergonha, sem graça, mas pelo menos ela havia sorrido para mim, havia uma chance.
Ela continuou olhando e sorrindo, abriu a boca, lentamente, para dizer algo a mim.
Fiquei parado, olhando, sorrindo para ela, esperando para ver o que ela iria dizer.
Talvez fosse comentar do livro que estava lendo, ou tenha visto o meu e resolveu puxar assunto sobre ele, ou iria dizer que me amava, sei lá.
- Moço, ela disse!
- Sim, respondi com um sorriso.
- Tem um pedaço de pão na sua barba, uma casca.
 Oh meu deus! Oh! Que vergonha!! (pensei)
 - Costumo sempre guardar um pedaço pra mais tarde, caso sinta fome, mas obrigado por avisar, disse a ela.
Tirei o pedaço de pão, realmente, era um pedaço grande, dava mesmo pra matar a fome. Ela sorriu, de novo, aquele sorriso apaixonante.
- Te amo, eu disse.
- O que você disse?! Perguntou
- Prazer, Carlos.
- Ah sim, rs. Prazer, Bruna.
- Bruna, lindo nome. Lindos olhos e lindo sorriso, também. Disse.
- Ah, obrigada.
Aqueles segundos em silencio pareciam mais uma eternidade.
-Júlia, aceita tomar um drink?
- É Bruna, ela disse.
- Desculpe, Bruna, estou nervoso.
- Tudo bem
-Então aceita tomar um drink?
- Disse que tudo bem pelo fato de você ter errado meu nome.
- Então nada de drink?
-Meu deus, o que há com você, ela disse, sorrindo.
-É que eu estou apaixonado por você
Ela deu um sorriso tímido, mexeu nos cabelos, olhou bem no meu olho, pegou na minha mão e disse:
- Olha, agora não posso, estou indo para a faculdade, vou descer na próxima estação, anote meu telefone.
Meu telefone estava sem bateria, peguei uma caneta com ela e anotei seu telefone em meu livro.
- Posso te ligar a partir de que horas? Disse a ela.
-Saio da faculdade às 22h40min, pode me ligar a partir deste horário.
Ok, Brenda, ops, Bruna. Sorriu novamente, o trem havia chegado a sua estação.
- Vou aguardar sua ligação, hein?
- Claro, vou te ligar hoje, amanhã, todos os dias.
Fiquei o resto da viajem imaginando aquela mulher, suas mãos tocando as minhas, seu sorriso, seus olhos, seus beijos. Mal via a hora de encontra- lá.
Desci do trem, havia chegado à estação. Dei uma passada no banheiro, depois, saí em direção às catracas. Já estava na porta do serviço, quando notei algo estranho.
O LIVRO!!! PUTA QUE PARIU!!
Esqueci o no banheiro, apoiei ele na pia para lavar as mãos.
Voltei correndo até a estação, pulei a catraca.
Chegando ao banheiro, o livro não estava lá.
Adeus, Bruna, adeus.
fShare
0
Pin It
Atualizado em: Seg 12 Mar 2018

Pessoas nesta conversa

  • Ficou entre o trágico e a comédia...AZARENTUUUUUUUUU kkkkk
    Legal desmais!:D

    0 Curtir

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222