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O poder de um gatinho

Amerigo tinha um olho verde e um azul.Me lembrava Paulo Autran,que tinha um verde e o outro castanho.
Ele não era meu,era do meu primo Eric,que só sabia fazer maldades com tudo quanto era bicho.Menos com Amerigo.
Ele era capaz de atrair passarinhos e depois afogá-los lentamente.Amarrava uma das pernas de um sapo qualquer e quando o bicho estava a uma distância boa,dava um puxão que fazia o pobre estatelar do outro lado do quintal...uma vez ele achou um ninho de beija-flor e só não houve uma desgraça porque eu o espanquei bastante.Cabe aqui dizer que tínhamos respectivamente 6 e 5 anos.Ele amava desesperadamente o gatinho.Não sei porque,esse amor incomodava meu avô,que era quem criava meu primo.
Todas as traquinagens do menino eram justificadas por ele crescer sem a presença dos pais.Criado pelos avós,mimado,levado...mas havia alguma ternura nele que me atraía pelas manhãs para horas de brincadeiras mil e alguns minutos de luta,cotidianamente.Quando estava com o gatinho ele se transformava,ficava gentil.
Uma vez fui dar banho no Amerigo e tenho até hoje a cicatriz que ele me presenteou por jogá-lo numa banheira transbordando.Fiquei ensopada e toda lanhada.
Fora isso, ele ganhava pontos comigo,pois tinha o poder de transformar  um moleque pirado numa doce criança.
Mas um dia,meu avô levou Amerigo embora,não sei pra onde e nem o porquê.Muitos anos se passaram e meu avô já se foi.Com ele foi o segredo:onde ele levou Amerigo?Levando-se em conta que um gato vive em média de 15 a 20 anos,mas dizem que houve um que chegou aos 38(vide guinnes book)!Meu primo desfrutou de apenas um aninho da vida do seu bichano.E foi triste quando ele chegou em casa e chamou pelo amigo felino e esse não apareceu,todo serelepe como antes.Fiquei de coração partido,junto com ele.
E então a ternura se foi e eu vi surgir uma criaturinha conhecida na vizinhança como "o peste".Ora meu super amigo de traquinagem,ora meu arqui-inimigo na proteção dos bichinhos.Juntos espantamos algumas empregadas da casa.Uma delas falou com a minha avó:"ou ela ou eu".E minha avó escolheu ela...fiquei um bom tempo entrando escondida,como uma bandida,porque a mulher não podia me ver que já gritava como se tivesse vendo o cão chupando manga.Eu só tinha autorização para ir lá nos fins de semana,com pai ou mãe.Ô vó...A falta do Amerigo afetou a todos nós.
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Atualizado em: Sex 26 Jan 2018

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