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Desistência

Como não falar sobre a onda de suicídios de adolescentes que chegou aqui no Brasil? Esse mal parece ser contagioso.
A primeira vez em que soube que existia suicídio foi lendo o livro "o meu pé de laranja lima", quando na dedicatória o autor conta que seus dois irmãos preferidos desistiram da vida no começo da juventude. Não lembro que idade eu tinha, uns 8 ou 9 anos, mas fiquei chocada, como alguém poderia desistir da vida? Já na adolescência a ideia não me parecia tão má. É um período tão turbulento que de vez em quando  pensava em como seriam as coisas se eu não existisse. Acho que esse é um drama que todo mundo que passou por essa fase também deve ter experimentado, pensamentos negativos em momentos de raiva ou frustração. E todo adolescente é meio inconsequente... querem experimentar os perigos, quebrar as regras, chocar. Em nenhuma outra etapa da vida a gente é tão intenso!! Adolescente é dramático, mesmo aqueles que não demonstram. Quem nunca pensou que queria morrer por um motivo qualquer? O problema é que a nossa sociedade não está amparando devidamente esses jovens nessa fase tão importante. Adolescentes são influenciáveis e impulsivos, querem se autoafirmar, querem ser aceitos. Eis aí a fragilidade nessa fase. Culpados? Seria fácil apontar para os pais, como quase todo mundo faz, mas como mãe de adolescente compreendo que perdemos as rédeas para o mundo globalizado. Antes era menos complicado dar ouvidos para os pais, não havia tanta informação , muito menos precoce como acontece hoje e nem tanta influência, então nos sentíamos seguros na família. Mas hoje... a família perdeu, perdeu as estruturas, perdeu a segurança. A inocência durava um pouco mais. Agora ela foi encurtada drasticamente. A sexualização precoce seria uma das causas desse desarranjo? Talvez. Na época da minha avó as meninas ficavam mocinhas aos 14,15 anos. Na minha aos 11, 12. Hoje aos 9, 10!!!! Já ouvi falar que muitas estão ficando aos 8!(http://veja.abril.com.br/saude/meninas-estao-entrando-na-puberdade-mais-cedo/ ). O corpo não está acompanhando o emocional. As exigências de uma maturidade forçada surgem de todas as partes, quer seja na família, escola e outros. Penso que o contrário está ocorrendo, a instabilidade emocional é o reflexo da imaturidade nessas mentes bombardeadas com tantos modismos e informações desnecessárias. A mente está sobrecarregada com conteúdo inútil. Não é a toa que um novo transtorno surgiu: SPA, síndrome do pensamento acelerado. E com ela a depressão nas fases iniciais da vida. Triste essa nova realidade.Segundo a OMS o suicídio está associado à desesperança. O descontentamento com o mundo é a principal queixa das pessoas que pensam em cometer esse ato. No Brasil, em média, 32 pessoas se suicidam por dia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Já é uma questão de saúde pública! O comportamento autodestrutivo tem sido muito incentivado pela mídia irresponsável. Quanta porcaria fica acessível na internet! Fora o sensacionalismo até no jornalismo! A morte é banalizada todos os dias .Na série "13 reasons why" uma adolescente grava vídeos contando os motivos que a levaram a desistir da vida. E essa série é líder de audiência entre a garotada!! Bem, não adianta dizer que esse tipo de influência não existe! Proibir em casa resolve? Tomar o celular, acabar com o wifi... nada disso funciona pois há outros meios de ter acesso a conteúdos inapropriados. Com os colegas, por exemplo, infelizmente na escola... Tanta coisa boa para ser dita, para ser difundida e as mídias apontam só desgraça e desilusão... Teremos que viver como os Amish para ter um pouco de sossego? Os valores que ensinamos em casa estão fragilizados diante da potência de toda parafernália eletrônica moderna de entretenimento.O que me preocupa nesses vídeos de suicídio ao vivo e nos jogos e pactos suicidas é que esses meninos e meninas que estão desistindo de suas vidas estão sendo vistos como heróis por outros. Como se o suicídio fosse um ato de bravura.  São 40% de aumento de casos, aqui no Brasil, de suicídio de crianças e adolescentes de 10(!!!!!!) a 14 anos, segundo dados do ministério da saúde, entre 2002 e 2012. Mas tenho a impressão que houve um boom de 2014 para cá. Aguardemos novos dados. Enquanto isso precisamos repensar os caminhos dessa sociedade decadente.
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Atualizado em: Qua 24 Jan 2018

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