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Aprendizado

Ainda que seus olhos ficar assim mareados, o pai de Ricardo tinha dificuldade de pedir desculpas, não poderia admitir, jamais, que a surra que lhe dera no filho, foi cruel e desnecessário. 
Antes que você possa julgar qualquer coisa, deixe-me contar o que aconteceu a verdadeira história de um garoto que apanhou sem motivo por causa da ignorância de seus pais e de seus professores. 
Quando Ricardo tinha uns 11 anos, eram frequentes seus cochilos durante a aula, o vô sabendo disso perguntou a Ricardo a que horas ele ia dormir, Ricardo respondeu que ia dormir por volta da meia-noite, então sabiamente, o Vô de Ricardo, orientou o jovem a dormir às 9 horas da noite, para que no outro dia ele estaria mais disposto. 
Depois de alguns meses, mesmo dormindo cedo e acordando no mesmo horário Ricardo voltou a tirar sonecas durante a aula, por causa disso, a família de Ricardo foi informada dos acontecimentos. 
A mãe de Ricardo pedia mais vontade e energia para o filho, Ricardo até que tentava, mas o sono sempre o pegava desprevenido e Ricardo acabava dormindo em sala de aula. 
Uma vez, Ricardo, dormia enquanto o professor explicava a matéria na lousa, um dos alunos calçou com os pés a cadeira de Ricardo tombando a, junto com o dorminhoco, a classe inteira riu atrapalhando a aula do professor, Ricardo que já estava envergonhado, foi parar na diretoria, onde a inspetora de alunos ligou para os pais de Ricardo informando do ocorrido. 
Ao chegar em casa, o pai de Ricardo aplicou-lhe a primeira surra de muitas.
Ricardo até tentava ficar acordado, mas Morfeu, o rei do sono, sempre lhe vencia E mais uma vez quando ele chegar em casa, ele apanhava. 
Com notas baixas e com um histórico escolar ruim, Ricardo desistiu da escola aos 15 anos, depois de repetir a quinta série pela quarta vez. 
Aos 40 anos de idade, trabalhando como servente de pedreiro, Ricardo já tinha três filhos com duas mulheres diferentes, era casado com a segunda mulher e trabalhava em dois empregos para sustentar os três filhos e um casamento. 
Ricardo tinha um filho chamado de Neto, Neto tinha 11 anos e os mesmos problemas quê Ricardo tinha na escola, neto também tinha. 
Quando o professor de seu filho o chamou para falar da Preguiça de Neto, e como os pais eram responsáveis pela educação e não faziam nada, Ricardo sentiu na pele o que o pai sentia quando a diretora Ou o professor falavam com ele e no mesmo instante Ricardo soube e a chegar em casa ia dar uma surra no filho, ao chegar em casa e ao levantar a mão Ricardo olhou para os olhos amedrontados do filho e sentiu as mesmas coisas que sentia Quando ia apanhar do seu pai, sentou na cama do filho e ao lado dele ele começou a chorar. 
A culpa não era de Neto é sim da genética, a culpa era Ricardo que passou essa maldição para seu filho. 
Um dia, fazendo um serviço na casa de um neurologista, Ricardo comentou que seu filho tinha sonolência quando ia para escola, o médico Atento perguntou se o menino havia passado por médicos para saber a causa de tal sonolência , Ricardo riu , dizendo que era preguiça mesmo, então o médico pediu que Ricardo levasse o filho para uma bateria de exames, por conta do médico. 
Ricardo não poderia aceitar, pois ficaria muito caro, o médico respondeu quê ele trabalhava com um fundo de caridade e que isso permitiria os exames de forma gratuita. 
Marcado o dia , Ricardo sem que ninguém soubesse , levou o seu filho até a clínica, no horário de aula, esperando que descobrisse o que o menino tinha. 
Em uma breve consulta, o médico Já verificou quê Neto tinha uma doença Rara neurológica, quê fazia que o cérebro trabalhasse mais rápido do que o normal, as artérias e as veias do cérebro eram mais finos do quê o normal fazendo com que a pressão sanguínea fosse maior e a oxigenação menor por consequência sintomas como dores de cabeça aquecimento do cérebro fosse percebido, o paciente poderia apresentar com facilidade em idade de desenvolvimento insônia à noite cansaço mental e físico durante o dia dores de cabeça e irritabilidade, na fase adulta enxaqueca, bipolaridade, exposição a vícios como álcool e nicotina. 
Antes que Ricardo pudesse perguntar sobre a cura, o médico respondeu que não haveria cura, deixando o pai preocupado, mas, o médico informou quê haveria um tratamento para o resto da vida, é que antes de iniciar o tratamento o jovem Neto deveria passar por um estudo do sono em um final de semana. 
Na semana combinado, Ricardo mentiu para família dizendo que ia levar o filho para pescar durante três dias e que era coisa de pai e filho, o avô de Neto, até tentou ir junto, mas Ricardo não permitido a contragosto da família. 
Na segunda-feira, ao retornar ao médico, Ricardo descobriu que Neto tinha apneia do sono e que mesmo que ele dormisse por um dia inteiro o seu cérebro descansaria, que o único tratamento era ele operar da adenoide e usar um aparelho e sono ao dormir, o médico disse quê os exames e as consultas eram custeadas pelo fundo, mas que o tratamento devia ser pago pelo paciente e que ficaria em torno de R$ 5000. 
Neto sabia que seu pai não teria dinheiro e que não poderia vender o carro, pois era o único jeito de ele trabalhar, assim ele nunca iria começar o tratamento. 
Ricardo respirou fundo e disse, pode encomendar e Começar o tratamento olhou para o filho e disse a cura eu não posso te dar, mas o tratamento eu vou garantir até você começar a trabalhar e pelo amor de Deus Filho coragem e se torne um profissional que ganha dinheiro que seja alguém para nunca ser humilhado por sua condição social e o que ele tem o seu pai também deve ter então seu filho também poderá ter e você não precisará se matar para dar um tratamento para ele. 
Médico e filho começaram a chorar emocionados, tanto foi à emoção que o médico decidiu parcelar no fio da voz e do pelo para o pai que se segurava para não chorar, ir para o filho o médico disse que quando tivesse idade para trabalhar quem ele arrumar um emprego se ele tivesse notas boas. 
Ao chegar na sua casa com um pacote na mão todos souberam onde o pai tinha ido muitos disseram que era frescura e que o menino devia tomar vergonha na cara, pois o seu pai já trabalhava muito para dar tudo o que ele precisava arroz agora ele teria que se matar por causa de frescura?  
O menino ouviu e a pedido do pai não disse nada, Ricardo olhou para todos e disse que o menino era problema dele e todos  ficaram quietos, pai e filho foram para o quarto e ali ficaram por horas. 
Na manhã seguinte Ricardo acordara às 03 da manhã, iria pegar o primeiro ônibus para chegar ao trabalho no horário, ir de carro gastaria o dinheiro que ele não tinha mais, sua mulher sentiu raiva no momento que ele levantou da cama, e por  causa  dessa raiva  começou a destratar o filho. 
Durante uns anos a notas não vieram e as cochiladas em sala de aula continuaram e todos sentiam ma8s raiva do menino. Mas Ricardo continuava seguindo o tratamento caro do filho e por causa disso, comia uma marmita todos os dias de arroz$ e ovo, o que deixava todos mais irritados. 
Quando  Neto repetiu o ano às agressões verbais ficaram físicas, todos estavam violentamente irritados  com o menino, mas Ricardo se mantinha calmo, sereno e preocupado, ele iria fracassar com o filho como o seu pai havia fracassado com ele. 
Porém no ano seguinte entrou na escola no lugar de um dos professores, um jovem professor que dava aula em uma ONG para autista, e viu em Neto uma dificuldade comum em crianças com déficit de atenção, falou com Ricardo e começou a dar aulas de graça para o menino, mesmo a contra gosto da direção, que logo tirou ele da escola, pois a direção não poderia compactuar com os métodos avançados do jovem professor. 
O seguiu e Ricardo ainda tirava notas ruins e vendo isso o professor convenceu Ricardo colocar o menino em uma fundação, Ricardo pensou com estas notas Neto nunca entraria na fundação, mas num domingo a assistente social da fundação foi até a casa de Ricardo conversar com ele, mas encontrou pai e filho em uma obra,  e teve certeza que o pai explorava o filho e negou o ingresso do menino na fundação. 
Um ano depois, e de muito esforço, Neto passará de ano com ajuda do Conselho que avaliou o esforço de Ricardo, mas Ricardo sabia que o filho não aprenderá nada, e um ato de desespero foi até assistente social e pediu para avaliar o filho de novo, e antes que Ricardo abrisse a boca a assistente disse o que pensava dele, Ricardo respirou fundo e disse que naquele dia o menino pedirá para ajudar na reconstrução do muro da casa de um vizinho que havia caído pela chuva, e que não havia vergonha ou prejuízo nenhum em um garoto aprender a trabalhar e então não se conteve e disse que o seu filho era o que era porque pessoas como ela vivia julgando eles e que se ele não fizesse nada o filho teria o mesmo futuro dele e sempre seria humilhado por ser um ser inferior,  explicou as doenças e por fim disse que  o menino tinha um coração bom e que esperaria que um dia encontrasse alguém que visse isso como ele. 
A assistente respirou fundo para não passar a emoção que sentia e disse que não poderia ajudar naquele momento já que as vagas para o sexto ano já estava esgotadas, então Ricardo perguntou da quinta-série, a moça não entendeu a intenção do pai e ele disse, se eu quisesse que o meu passasse de ano eu não teria vindo aqui. 
Quando Neto soube de sua vaga na quinta-série chorou e sentiu vergonha quando sua mãe riu dele, até protestou dizendo que era burro mesmo, mas quando seu pai o abraçou chorando dizendo para ele nunca mais repetir aquilo, o garoto até tentou lutar contra, mas adormeceu. 
A terceira mulher de Ricardo, a tal assistente, saiu pela porta carregando uma menina no colo, de dois anos, olhou para o técnico de desenho de construção  civil no auto dos seus sessenta anos e disse, ele não vai se atrasar. 
Na curva da esquina, uma camionete velha apareceu e parou diante da casa de Ricardo, uma menina de oito anos desceu correndo para abraçar o avô. 
Ricardo olhou para o filho e disse, eu não me matei tanto para você comprar essa lata velha. 
Esse Ford 150 não é velho, ela e antiga. E vamos, se  não vai se atrasar para sua primeira aula, engenheiro. 
Tá bom, Doutor Neto, neurocirurgião. 
Neto e seu pai não gostavam de ir às festas das famílias, pai e filho provaram que eles eram um fracasso como família, não eram que pensavam os dois, com tanto estudo e trabalho eles só pensavam no próximo curso e como eles poderiam ajudar os demais como eles. 
E foi numa festa em que Ricardo sentado na frente de seu pai, que com olhos marejados, o velho olhou para o filho e com um esforço por causa de um derrame e seus noventa anos, pediu desculpas, Ricardo abraçou o seu pai e sem dizer nada apenas o beijou e chorou. As irmãs e os irmãos, os vivos, também se emocionaram. 
Neto e sua mãe quase não se viam, ela culpava ele pela separação do seu pai e ela, e seu pai sempre lhe dizia, que os dois tinham déficit de atenção e a rara doença, mas que a mãe de Neto tinha uma doença pior ainda, a do mundo e sempre assim. 
 Para quem espera uma moral, não tem, e só um detalhe, todos nascem pedras brutas, mas poucos viram joias. 
 
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Atualizado em: Seg 13 Nov 2017
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