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Uma simples história

Ainda me lembro! Uma quarta de tardezinha. 4 aula do dia, e a atenção voltada para o português. Ao final o desafio de criar um texto literário. Confesso que um pouco me assombrei. Mas o que temer? Algo que eu sei é escrever.
            Hora de ir embora, segui andando, estava como pássaro que em voo sai do galho sem destino, mas com a certeza de que em outro galho pousará. Já em casa, caneta e caderno velho em minhas mãos, meu desespero começa - mal sabia eu que, aflição maior estava por vir – meu desejo era escrever uma história, já estava tudo em minha mente, faltava apenas jogar no papel.
            Np momento em que pensava dar início ao meu texto, o cachorro vem e começa a brincar, queria minha companhia. Começou cheirar-me, saltar em meu colo. Não tive escolha, fui satisfazer o desejo do meu amigo que me olhava, quase q implorando minha atenção. Instantes depois, volto ao caderno, estava pronto para a primeira palavra desenhar, meu pai chaga e liga a TV, o futebol estava a começar. Não conseguia escrever, não queria assistir, era o barulho que me atrapalhava. Foi necessário ir para um lugar mais tranquilo. Fui para meu quarto. E, com isso, não havia escrito nada.
            Agora sim – pensei comigo mesmo – consigo escrever. Sentado na cama, caneta na mão e caderno no colo... Do nada ouço uma voz “olha o arroz ai!”. Era minha mãe, que clamava do banheiro. Olho para a sala e meu pai continua deitado, sobrou para mim determinada tarefa. Então vou a cozinha, desligo o fogo e volto ao meu quarto. Novamente sento na cama, caneta na mão e caderno no colo.
            Cerca de cinco minutos depois continuava na mesma posição.  De minha cabeça a história sumiu. – Será que o que eu tinha a escrever fosse algo tão incrível que um ser estranho, talvez invisível, padece vir a rouba-la? Um ladrão de histórias. Porque logo eu ser a vítima? Há tantos escritores profissionais que, com certeza, escrevem e pensam melhor do que eu­ – Quem pensamento idiota, não, idiota não, este é um pensamento muito criativo, coisa de quem não está em seu juízo perfeito.
            E continuava a perguntar para eu mesmo. Como alguém pode perder o que não se pode tocar, algo imaginário e que somente eu sabia, existente apenas em minha mente? E esta pergunta acabou ficando sem resposta. Estaria eu louco? E agora como posso ocupar as linhas destas folhas? Podia perguntar algo ao meu travesseiro, com ele estão confidenciados inúmeras coisas referente a amor, medo e sonhos, tudo coisa minha. Onde está meu juízo? Meu confidente falando? Não conheço sua personalidade. E se ele contasse para todos? Que vergonha sentiria.
            Não estou normal, tudo por causa de uma história. Eu aqui sem ter o q escrever e com pensamentos tão absurdos. De fato minha história havia sido roubada, mas quem são os culpados? Talvez tenha sido o arroz, o futebol ou o cachorro, o cachorro? Não, não pode ser, seria ele capaz de tanto? Será que o arroz e o jogo ajudaram o bicho? Um complô contra mim. Que loucura, como posso ser capaz de pensar em tanto e não poder escrever um simples trabalho de escola. Estava me afogando em meus pensamentos.
            Então me dei conta, a ansiedade acabou me enganando, o entusiasmo de escrever era tanto que não havia pensado em nada. Retornei a mim mesmo, é obvio! Não escrevia porque não havia o q escrever. Então sorrindo de mim mesmo, lembrando de cada pensamento, vendo minhas próprias reações de preocupação sendo que não havia nada pra se preocupar. E o pássaro encontrou um galho onde pousar, respirei fundo e comecei a escrever os últimos sessenta minutos de minha vida, a mão em rápidos movimentos foi enchendo a folha de papel e a alegria me consumia a cada palavra desenhada.
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Atualizado em: Seg 29 Abr 2019

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