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Verbo da esperança

Tenho uma luz verde no coração. É a luz da esperança. Potência essa capaz de nos guiar por incríveis percepções. Verde é a cor da minha primeira planta e a última cor de camisa que provavelmente eu compraria e isso diz muito, pois nesse pequeno gesto, percebo que o foco do nosso olhar talvez esteja na espontaneidade das cores, portanto, modificá-las para encaixar em modelos determinados pode tirar à primeira vista a beleza do produto. Mas, sim, é preciso dar usos. Utilidades diversas às palavras, inclusive.
À medida que escrevo, me liberto das dores que afligem os dias e tento recompor a paisagem. É na experiência vivida que afloram os aprendizados. Não adianta encaixar as palavras na gaveta, assim como as cores, se estas não puderem ser primeiro verbo, e isso implica ação, para somente depois, se tornarem reutilizáveis em funções diversas. O verbo não é esquecido, as palavras contidas em um livro fechado talvez não sejam lembradas, porque não estão conhecidas e é preciso conhece-las. É preciso conhecer-se. Dessa forma, encaixar o verbo pode tirar dele a função de expandir-se. E quando a palavra vai, o processo se constitui em um movimento interdependente entre simples e complexo, pois esta vai, caminha, corre vento, mas quando pega voo, não olha para trás e nem tem caminho que a leve para o endereço de volta. Por isso, é preciso cuidado. A palavra lançada é um perigo. É um remédio, é uma culpa. É preciso repensar seu uso. Silenciar as palavras não é guarda-las no criado-mudo. Silenciar também é válido como verbo de fazer e, porque não de agir, pois, eis que ‘’o silêncio fala’’, como dizem os antigos. E o seu, o que fala? Dar a palavra usos jamais imaginados, como propôs o princípio da insignificância de Manoel de Barros. Usar e desusar, mas com recomendações: evitar manusear para condenar, maldizer ou sufocar. Isso é regra que se impõe para não afobar a alma alheia. As palavras podem configurar pessoas, pois atravessam nossos muros e deixam à mostra: fragilidades e força. Já pensou que, olhando através das palavras, talvez estejamos vendo boa parte daquele que a exterioriza?

Porém, alto lá…

É preciso não se precipitar e ir além. Palavra também vem no olhar, nos gestos, no grande choro ou no sorriso que carrega tímidas expressões. Como vão suas palavras hoje? Carecem de inspiração ou somente de lápis e papel? Estão afiadas? A pergunta é: já lapidou suas palavras hoje? Usou a lapiseira ou a navalha?

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Atualizado em: Qui 4 Jun 2020

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