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Da submersão

Ela nem sabia se o mundo estava mesmo na iminência de uma guerra mas mesmo se isso fosse real de maneira nenhuma a simples iminência impediria a chegada de mais boletos e numa outra esfera são tempos em que a grosseria humana se tornou padrão em vigor e ela não apenas se recusava a partilhar da submersão individual e coletiva nessa tendência como desprezava quem o fazia e em ócio no devaneio sobre uma perspectiva idealizada se tornaria one hit wonder e viveria quase rica e poderia andar normalmente pela rua sem ser realmente importunada e com seu único sucesso musical comercial rendendo algum dinheiro por constar na trilha sonora de mais de um filme cult e podendo fazer alguns shows eventuais em festas juninas e eventos desse porte e continuando a não entender como tanta gente faz certas coisas apenas pela fama e mesmo tendo certa bagagem tiraria seu atraso cultural com filmes e livros dos quais ouvir falar a vida toda sem nunca tê-los assistido ou lido e então se tornar mais versada embora já soubesse que a mídia tradicional e mentirosa já deveria ter sido engolida por uma nova mentalidade quando se trata de informação e comunicação ao invés de aceitar lixo imposto por quem quer passar a ideia de que isso é natural enquanto novamente em ócio observa mecanismos encontrados na natureza que inspiraram utensílios humanos e em tempos que deixaram de ser de crise para se tornarem tempos de guerra pela vida e para continuar existindo no planeta ainda que esse privilégio não seja de merecimento humano até porque a diferença entre ela e seu governo é muito maior do que com quase qualquer pessoa de qualquer país e os governos são praticamente iguais e compostos na verdade por gente anônima muito mais louca do que os fantoches patéticos enfaixados que comandam e que nasceram memes e entre os quais uma parte é capaz de tudo e a outra não é capaz de nada e ouvindo a Voz do Brasil descobriu que ali estava uma potencial escola de retórica teatral e muita rataria e ela um dia seria uma jovem senhora de cinquenta anos que nunca mais tinha gravado um disco e gostaria de ter um comercio honesto de livros e discos e roupas e ao final do expediente ouviria a Voz do Brasil com caderno e caneta para anotar expressões pernósticas e geralmente nessas horas surgem bons clientes interrompendo a aula mas mobilizando o caixa e até lá seria bom saber lidar com vindouros motivos de força maior e com o limite humano para ser cool e se havia alguma meta era a de morrer depois de uma vida longa tendo gravado o segundo disco para então estar plena para a glória da posteridade perpetuada na Terra com trabalhos artísticos autorais de qualidade.

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Atualizado em: Qui 9 Jan 2020

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