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Eu Me Rendo, Minha Deusa

Naquele dia eu ouvi uma música que me lembrou Beatriz. Uma grande saudade bateu no meu peito. Há oito anos eu disse adeus e nos separamos. 
Saí de casa pensando nela e acabei indo até o parque que muitas vezes fomos para conversar, caminhar de mãos dadas ou ficarmos abraçados, simplesmente curtindo o fato de estarmos juntos. Nunca mais fui naquele lugar. 
Caminhava pelo parque pensando em todo este tempo que estive separado dela mas que nunca a esqueci. De uma forma ou de outra ela sempre esteve presente em meus pensamentos, nas minhas conquistas, no meu crescimento pessoal e profissional. Tudo que eu consegui foi por ela. Pensava nas vezes que tive vontade de procurá-la mas não tive coragem. Pensava como mudei nestes anos, como estava completamente diferente daquela época. O que ela acharia desta pessoa em que me transformei? 
Estudei, aprendi, tinha agora uma boa profissão. Mas me faltava o essencial, faltava aquele meu pedaço que deixei com ela. 
Sentei em um banco do parque e me perdi em lembranças. Nem sei por quanto tempo. 
Quando olhei para frente, Beatriz estava ali parada me olhando. Pensei que estava sonhando. Pisquei para ter certeza que ela era real, que estava ali mesmo.
Nunca acreditei em destino, talvez possa haver a força do acaso.
Fiquei sem ação. Teria sido a força do acaso que me levou até ali? Ou teria sido a vontade de encontrá-la?
Tentei levantar mas minhas pernas não me obedeceram de tão surpreso que fiquei.
-Ricardo! Nem acreditei quando lhe vi.
-Beatriz! Há quanto tempo não nos vemos.
-Que surpresa! 
-Sim. Eu nunca mais voltei a este parque desde que…
-Eu venho aqui vez ou outra. Posso me sentar?
-Claro, desculpe a minha indelicadeza.
-Como você está? Vejo que está muito diferente. No modo de falar, no modo de vestir. 
-Estou bem e você? O que tem feito em todos estes anos?
-Tenho trabalhado, viajado às vezes. E você? o que tem feito?
-Estudei, tentei mudar minha vida. Tenho um bom emprego hoje.
-Que bom. Você merece muito.
-Você se casou? (fiquei me odiando por fazer esta pergunta assim tão depressa)
-Não. E você.
-Não. Continuo sozinho. E namorado, você tem?
-Não.
-Durante todos estes anos eu lutei muito pra estudar, pra me formar. Foi você que me deu força para tudo isto.
-Eu?
-Sim, foi por você que eu mudei minha vida. Foi pra chegar mais perto de você.
-Você não precisava fazer tudo isto pra chegar mais perto de mim. Eu me apaixonei por você e não pelo que você era. E você não podia ter feito tudo isto estando ao meu lado?
-Não. Ao seu lado eu estava sempre inseguro. Mas eu nunca lhe esqueci. 
-Nem eu lhe esqueci. Você não imagina como eu senti sua falta. A saudade que eu senti.
-Você ainda usa o mesmo perfume.
-Você se lembra?
-Nunca esqueci. Sempre que sentia este perfume vinha a saudade e as lembranças.
Continuamos conversando estas banalidades que se fala quando nem se sabe o que falar.
-Posso abraçá-la? 
Novamente me odiei por esta pergunta mas ela, que sempre ia direto ao ponto sem rodeios, respondeu
-Claro. Meu corpo está implorando por isto. Estando aqui ao seu lado sinto a mesma atração irresistível que sempre existiu entre nós.
Eu a abracei e aquela atração intensa fez nossos corpos tremerem. Numa urgência contida por oito anos nos entregamos a um longo beijo. Naquele instante o mundo era só ela e eu.
 
Aquela mesma paixão e desejo nos arrebatou como se nunca houvéssemos nos separado. Nos entregamos como se pudéssemos recuperar todo o tempo que perdemos.
Deitados naquela cama, abraçados ela me disse:
-Estou nas nuvens, muito feliz.
-Nem fala. Até agora não estou acreditando que estou novamente nos seus braços e o que aconteceu é real.
-Real, delicioso e inesquecível.
Eu a apertei em meus braços
-Beatriz, o que você faz comigo? Como eu me sinto bem nos seus braços. Sinto uma paz, uma sensação de leveza.
-Eu também. Eu amo você Ricardo, nunca deixei de lhe amar e estar aqui com você é como um sonho bom.
-Um sonho bom e como você disse, inesquecível.
-Depende de nós que este sonho nunca se acabe.
-Prefiro não pensar em “para sempre”. Vamos viver como se hoje fosse o último dia de nossas vidas e deixar o amanhã pra depois.
Eu a beijei e nos enroscamos num desejo sem fim
Mais tarde nos despedimos. Eu fui embora com duas certezas: do amor que sempre senti por esta mulher e que eu não iria mais fugir dela, que eu iria me entregar e seja lá o que Deus quiser. Vivendo um dia de cada vez e sem medo do amanhã.
Acordei no dia seguinte. O domingo estava lindo. Eu sentia a leveza de quem tirou de seus ombros toda aquela carga de saudade e de seus olhos a tristeza que a ausência dela causava.
Ouvi a campainha. Era ela. Com um sorriso maroto e a espontaneidade de quem sabe o que quer e não se furta a viver livremente e ir atrás que quer ela me disse:
-Vim buscar você pra passarmos o dia juntos.
Eu sorri com alma leve.
Saímos.
Entramos no carro dela e eu disse.
-Leve-me para onde você quiser. Eu me rendo, minha deusa.
Ela sorriu, me beijou. 
E que a vida nos leve, e que o amor nos guie…

 

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Atualizado em: Qui 27 Maio 2021

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