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Amargura

Pés descalços, em chãos lotados de espinhos, pedras pontiagudas e pétalas de rosas. Braços caídos ao lado do corpo, magro de fome. Garganta arranhada de tanta sede, de tanta seca, falta água, de tanto calor. Roupas esfarrapadas vestindo o que ainda resta de um farrapo humano. Cabelos embaraçados, piolhos. Rosto sujo de terra, pedaço de chão que ele sempre sonhou, mas que nunca teve; seu sonho: um pedacinho só para plantar milho e feijão, pra colher, vender e comer o que sobrar, pra não passar fome e não sofrer com a barriga roncando e ter de encarar os olhinhos dos filhos pequenos suplicando por um punhado de qualquer coisa.
Pobre homem. Anda horas por dia em busca de algo e volta sem nada, nada além dos pés esfolados e das canelas doloridas. No rosto o traço da derrota, mais uma vez e ele tentou, entretanto fracassou. Um dos filhos veio correndo quando ele chegou; de um salto pulou nos braços do pai, esse que o agarrou e sentiu os ossinhos das costelas do filho, magro de tanta fome.
Ele nada trouxe. Restava apenas cansaço e frustração. Botaria os filhos para dormir de barriga vazia. Ele ficaria sentado no banquinho improvisado com tijolos, olhando o céu carrancudo de estrelas e sonhando com um futuro melhor: sem fome, com roupas limpas, sem lágrimas de sofrimentos e com sorrisos nas caras dos filhos.
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Atualizado em: Qua 29 Jul 2020

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