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A Noiva

Seu longo vestido branco tornava-se insignificante perante sua beleza, pele clara e macia de algodão aperfeiçoavam seus olhos azuis aproximando um pedaço do céu a terra. A maquiagem leve enaltecia naturalmente o seu encanto. Cabelos lisos ao vento misturavam-se ao véu, a noiva mais amada da cidade de Holambra enfim se casaria renomada médica local, não escondia em seu sorriso branco ao leite a felicidade em seu interior. A magia estava acontecendo, familiares e amigos se reuniriam para abençoar a união de Jéssica Herner e Eduardo J.Lowner. O que poderia destruir um sonho? São em tempos sombrios que descobrimos o nosso pior pesadelo, ás magoas, perdas e decepções nos levam a temer o inevitável futuro. Nossa protagonista jamais poderia imaginar o trágico fim de seu conto de fadas.
Era um sábado ensolarado, pássaros cantando, nuvens isoladas, clima agradável para a época do ano, a chácara Pedacinho do paraíso, enriquecia com seu glamoroso espaço as decorações para o evento matrimonial. Flores coloridas recolhidas uma a uma do campo davam um toque simples para as mesas de mármore, cadeiras aveludadas traziam o conforto apreciado aos volumosos convidados, seriam ao menos 300 telespectadores do show de horror, o cardápio italiano refinado recitava como poesia as entradas sofisticadas, massas ao prato principal, vinhos e doces, fortificavam a riqueza nos detalhes.
Lorenzo Pierre chefe de cozinha internacional seria o Grand Finale do desfecho desse enredo, convocado de honra da madrinha da futura Sra. Lowner, idolatrado pelos seus fanáticos seguidores, guardava a sete chaves um segredo devastador que seria revelado antes do previsto.
 - Mãe! Estou indo ao salão de beleza, não quero me atrasar. Você está pronta?
- Sim minha pequena. Vou com o meu carro tudo bem?
- Não, melhor com o meu. O presente está no porta- malas.
- Vai ser entregue na lua de mel?
- Isso mesmo. Ele vai amar.
Rindo como duas amigas inseparáveis, cruzaram as ruas em direção ao Beauty Model, enquanto as divas se arrumavam para o “sim mortal”, o melhor amigo de Dudu, Leonardo xantes, organizava á melhor despedida de todas, uma boate, Strippers, música eletrônica, bebidas e muito sexo encerrariam a vida de solteiro.
                - Muito contraditório fazer a farra no dia que vou me casar não acha?
                - Calma Bad Boy, você terá quatro horas para ficar sóbrio. Contratei os serviços apenas por duas horas.
                - Quem virá á nossa orgia?
                - Chamei apenas os mais chegados, não queremos fofocas certo?
                - O que acontecer hoje, morre aqui combinado?
                - Juro por nossa infância, irmão de cuspe lembra?
                - Você é demais. Partiu Light Red Club.
As luzes vermelhas encenavam um clímax de prazer e sedução, as prostitutas dançavam penduradas em barras de ferro, papeis de paredes com fotos sensuais e vidros no teto refletiam a impureza das ações do noivo mais rico, charmoso e cobiçado entre as solteiras. Atual herdeiro das empresas Harneill desfrutava da herança suada de seu pai falecido, que com certeza estava se revirando no túmulo, como um homem de família poderia se sujeitar á isso? Frio, calculista, vulgar e desprezível, eram essas as qualidades mais aguçadas que ele reservava para á sua dama.
- Me diga de uma vez por todas, você ainda tem um caso com á Pepe?
- Claro! Somos selvagens, amantes inseparáveis.
- Se sua futura digníssima descobrir, será o fim de seu acordo.
- Leonardo! Não seja estúpido tenho tudo em minhas mãos.
- Você me assusta! O que pretende fazer? 
- Você saberá em breve! Vai ainda querer o dinheiro?
- Sim! Cumprirei à minha parte.
Os sinos da Igreja tocavam como as arpas dos anjos, á tão esperada hora estava prestes a acontecer, chegando em uma limusine branca acompanhada de seu padrasto Roberto, a doce filha de criação choramingava ansiosa com as mãos geladas sua entrada triunfal. Pontual, educada, agradável, companheira, solidária e integrante de uma Ong destinada á crianças carentes, currículo impecável, como poderia ser enganada tão facilmente? Dizem que o amor é cego, sentimentos se tornam veneno ao longo dos anos e literalmente podem levar á morte. Mas quem poderia culpa-la? Até mesmo você querido leitor, teria se encantando pelo papel perfeito de bom moço que o nosso ator havia interpretado. 
- Você está pronta para ir meu amor?
- Sim! Estou somente trêmula. Obrigada Papai.
- Sinto que não está bem, quer uma água?
- Preciso de ar fresco. Ele ainda não está no altar.
- Deve ter sido o trânsito. Não se preocupe.
- Vou até a cozinha dos fundos. Assim ninguém me vê.
- Ok. Não tenha pressa. Espero-te aqui minha filha.
A cada passo silencioso que dava pressentia angustiada uma sensação desagradável, já na cozinha com um copo de água na mão, ouviu um singelo sussurrar atrás de uma porta isolada, aproximando-se lentamente para não causar alvoroço olhou ao seu redor para ver se não havia nenhum bisbilhoteiro igual á ela naquele momento de curiosidade. Gemidos engraçados despertaram à vontade de abrir discretamente à maçaneta, quem seria o casal inoportuno? O giro 360 graus destravaria a guerra de sangue jamais vista nos noticiários da cidade. A surpresa repugnante causou ânsia e vomito sobre a cena, o copo de vidro cairá sobre seus sapatos brilhantes, seria tudo isso apenas um surto psicótico? Sua madrinha e melhor amiga Pâmela aos beijos e caricias com seu idolatrado namorado. Aos gritos destrinchava perguntas às quais já sabia a resposta ao menos de algumas delas.
- Como pode me trair? O que eu te fiz?
- Não se faça de tola. Você sabia das condições.
- Mas você me disse que eram apenas papéis. Você me amava.
- Nunca te amei. Há dois anos que desejo sua Amiga “Pepe”. Meu velho é o único culpado. Se não fosse o maldito testamento jamais ficaria ao seu lado.
- Seu pai Antônio acreditava no meu amor, queria o seu bem nada mais. Às ações familiares pertenceriam a você, caso se casasse comigo. Iria me matar durante a viagem? Ou enquanto transávamos na noite de núpcias?
- Já que mencionou! Eu ia envenená-la alguns dias após Miami, meu amigo receberia uma grande quantia para sumir com seu corpo e eu seria o viúvo desolado com seu desaparecimento, não teria que aguentar sua companhia por muito tempo.
 - Perdedor, ficará pobre sem nada! Eu ganhei.
- Sua Vaca! Irei para a cadeia, mas tiro sua inútil vida antes.
A arma guardada dentro da bolsa de Pâmela saltava como em um piscar de olhos para o dedo do assassino, prestes a atirar contra o peito da donzela, um dos heróis da trama agarrou a vítima em apuros empurrando-a para o chão. Dois tiros em vão foram disparados, um, na janela e o outro no vaso francês, à rapidez do detetive Pierre não fecharia o ciclo desse tiroteio. Desnorteado o insaciável golpista agarrou o pescoço de Pepe fazendo-a de refém, com apenas uma bala restante planejou uma fuga alucinante, arrastando sua paixão pelo tapete vermelho ameaçava um reality Show de morte em público.  
- Escolheu a moça errada.
- Do que está falando? Vamos escapar juntos eu e você minha flor. Tenho um novo plano.
- você é muito burro. Nunca houve eu e você. Era tudo um jogo.
                Com uma agilidade esplendida a Detetive desarmou com facilidade o inconformado e novo réu, sendo o mesmo preso por diversas acusações, incluindo tentativa de homicídio. Apavorados ninguém sabia o que estava acontecendo, parentes e amigos consolavam uns aos outros enquanto a mãe abraçava sua filha.
                - Minha princesa eu disse á você sobre as intensões dele desde o começo.
                - Mãe! Preciso falar com os policiais. Fique com o papai.
Pálida, abatida com lágrimas no olhar seguiu em direção aos policiais, quem de fato seriam eles?
                - Quem são vocês? Pepe pensei que era minha amiga.
                - Sou Carla Fonseca, há mais de cinco anos seguimos os rastros de Matheus Castro, traficante, estelionatário, entre outras profissões. Estou infiltrada á três anos coletando provas contra ele. Nada entre nós era real. O chefe de cozinha é meu parceiro. Veio para finalizarmos o caso. Desculpe-me.
                - Matheus castro? Era o nome falso dele? E nossa amizade uma fachada?
— Sim, nome falso usado em outros países, mas o de batismo era Eduardo. Tenho um enorme carinho por você. Quando precisar me ligue, sabe meu número, caso venha a me perdoar. Precisamos ir, temos um relatório para entregar á justiça. Ele ficará atrás das grades por anos, com seu aliado xantes. Fique com Deus.
— Obrigada, por tudo.
A primavera que trazia consigo as mudanças do destino, entregaria o melhor presente de todos. Após várias pétalas desabrocharem, o amor ressurgiu da forma mais perfeita possível. Mãe e filha sentadas no banco da praça central conversavam apreciando o entardecer alaranjado.  
— Lembra dos sapatinhos de neném guardados no porta — malas?
— Sim. Como poderia esquecer! Entregaria ao Falecido, quando chegássemos ao Hotel.
— Esqueça ele, está morto! A cadeia lhe fez um favor. Sua filha tem o seu jeito, seremos uma família feliz. 
— Ela é a nova herdeira majoritária! Sua vida será regrada. Vamos para longe mamãe.
— Sim. Ela será criada fora do País, quando fizer dezoito anos regressaremos, ela irá assumir o que é seu por direito.
— Que assim seja! Sophia viverá na Itália, partiremos em breve.     
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Atualizado em: Qua 1 Jul 2020

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