person_outline



search

Assassino de Cameron

Londres 1840
A Inglaterra é cheia de lugares com histórias que fazem-nos pensar,mas poucas se comparam ao singular bairro de Holloway,ao norte de Londres.Este aparentemente pacífico local,possuí histórias tão ricas quanto um tesouro,mas muitas destas histórias escondem terríveis segredos.Mesmo sendo um bairro de atividades rurais,tinha em seus prédios uma legítima arquitetura vitoriana,os nobres locais deliciavam-se com o surgimento da cinemateca Odeon,localizada no Park Tufnell.Era também onde residia seu cidadão mais ilustre,o escritor e poeta Eduard Lear.Um local de muitos atrativos,mas também de muitos mistérios.
Henrick Dupra,era americano e mantinha uma clínica nos fundos de sua casa,neste bairro,na totman 1023,uma rua com chalés brancos e belos jardins,era um morador bastante conhecido na comunidade,um conceituado médico homeopata,que parece ter levado muito a sério quando ouviu a frase”até que a morte nos separe” pois segundo a Polícia, o jovem médico abriu o crânio de sua esposa Edna Dupra com um golpe de machado,ela era uma cantora lírica que se apresentava como Edna Bella.E no final das contas, o ”felizes para sempre”,infelizmente não aconteceu.
Alguns casamentos são longos,outros mais curtos, mas todos repletos de promessas.O problema é que aqueles em quem confiamos,podem ser os piores traidores.Confiar na pessoa errada pode ser o último e fatal erro.
Após o cruel assassinato o médico teria ocultado o corpo de Edna no porão de seu chalé e fugido da cidade embarcando em um navio comercial,o Braduck.Segundo os boatos,que correm mais rápido que o rio que corta Londres ao meio,ele estaria acompanhado de sua amante Rose de Levingne,garçonete em uma taverna nos arredores da cidade.Segundo a Polícia,a senhorita Levingne era igual a uma maçã envenenada,doce por fora mas com uma polpa mortal.
Mas com o sumiço repentino do casal os vizinhos estranharam as janelas sempre fechadas, e o mau cheiro que vinha da casa do médico,e chamaram a Polícia local.
Após uma testemunha ter afirmado ver o médico nas proximidades do cais londrino na noite do assassinato,o inspetor thormann,responsável pela investigação do caso tomou providências ,e os dois foram capturados dias depois,em Quebec,Canadá,enquanto tentavam passar através do rio Sant Lorence.Henrick foi levado a  prisão estadual de Cameron,no condado americano de Moure,na Carolina do Norte,sua cidade natal,onde aguardava julgamento.
Sua amante Rose foi enviada de volta a Inglaterra onde seria julgada pela corte inglesa.Mas não havia provas do seu envolvimento no assassinato de Edna.
Eu e o inspetor Thormann fomos até Cameron para interrogar Henrick ,e saber o motivo do brutal assassinato de sua mulher.É até onde a garçonete Rose estava envolvida.
Depois de uma.longa viagem chegamos ao entardecer, a escura  noite adensava rapidamente.Fomos diretamente a Goodmann Street 1007,onde ficava o pequeno hotel Dewberry.Um local simples,mas com conforto suficiente para passarmos a noite depois de uma fatigante viagem.Pela manhã iríamos a distante Burke Prision,na estrada Carthage Roout,interrogar o Sr. Dupra.E a partir daí,seriamos levados por um caminho bizarro e bastante confuso.
Já estava amanhecendo quando saímos no dia seguinte,após algum tempo cavalgando em nossos montarias, desviamo-nos da estrada principal e adentramos em um estreito caminho secundário,que ao fim de uma meia hora,se perdia em um bosque espesso que cobria toda área.Cavalgamos por cerca de duas milhas através dos atalhos que já se tornaram úmidos e por vezes escuros,cobertos por imensas árvores com seus troncos cobertos por  uma ramagem verde,e sentia-se a fétida lama pisoteada pelos cavalos.Após algum tempo,apareceu-nos a penitenciária.Situada em uma clareira,demonstrava ser uma construção muito antiga,muito prejudicada pela ação do tempo,e a julgar pela sua aparência de vetustez e abandono,a muito não recebia qualquer reparo em sua estrutura.Não havia fazendas,nenhum tipo de plantio,nem sequer o menos sinal de alguma atividade ao redor,nem mesmo o latido de um cão ,sugerindo que aquele disforme local era habitado por humanos.
Mesmo sendo ainda dia,creio eu,que estávamos no meio de uma manhã,aquele fétido local tinha uma bruma escura,como se uma sombra nimbosa encobrisse tudo.Um sentimento aflitivo,angustiante se apossava rapidamente de nós.Cutucando nossa montarias com os calcanhares,apressamos nossa cavalgada,era imperativo sairmos daquele terrífico caminho.
Um local dantesco,medonho ao extremo.As celas ficavam com suas pesadas portas de ferro diretamente voltadas para o pátio,somente uma pequena abertura com grades permitia a entrada de um minúsculo facho de luz.Toda a construção era com enormes blocos de pedras,e no interior da cela o mau cheiro era quase insuportável,alem de ratos que circulavam livremente por toda parte.No centro do imenso pátio,havia uma enorme guilhotina montada,uma visão mórbida e assustadora.
.Dentro de uma cela fétida,o assassino de Cameron,como ficou conhecido,já estava a nossa espera. Fiquei surpreso ao ver que Dupra era um homem franzino,muito magro,e imediatamente questionei com Thormann se teria ele realmente força  suficiente para desferir tão pesado golpe,que levou sua esposa a morte.O rosto extremamente pálido,os cabelos escuros e longos totalmente desalinhados.Os olhos circundados por profundas olheiras deixavam evidente que pensamentos terríveis lhe haviam tirado o sono.Ele afirmava nada ter a ver com a morte de Edna,somente queria deixá-la devido a pouca atenção que ela dedicava a ele,e por brigarem diariamente por ela não suportar o seu vício com a bebida.Mas jamais a mataria.Ele realmente pretendia partir com sua nova companheira,e dois dias antes da morte de sua esposa,havia passado todos os seus bens para o nome de Rose de Levigne.
Ele afirmou não ter motivos para querer a morte de sua esposa,pois nada maios pertencia a ela,a não ser a casa onde moravam,que ele deixará no nome da falecida esposa.   
Segundo dizia o filósofo Renê Descartes,a paixão freqüentemente nos faz acreditar que algumas coisas são muito melhores e desejáveis do que realmente são.Então quando tivermos tido muito trabalho para adquiri-la,e no caminho tivermos perdido a oportunidade de possuir bens mais genuínos,sua posse nos mostra seus defeitos,e daí vem a insatisfação,arrependimento e remorso.E creio eu,este pensamento tem muito a ver com o que esta acontecendo com o Sr. Dupra.
Era necessário voltar ao local do crime,precisávamos de indícios que pudessem auxiliar na elucidação deste caso,que a princípio parecia tão lógico,e agora já era um completo mistério.
Retornamos a Londres,e ao chegarmos a casa do casal Dupra já era quase noite.Adentramos a casa e fomos de imediato a sala de jantar,onde Thormann tratou de acender as velas do suntuoso lustre dourado que pendia sobre a pesada mesa de madeira escura,as tapeçarias que ornamentavam as paredes ondulavam ao sopro de uma leve brisa de final de tarde,vindas dos estreitos e altos janelões do chalé.As velas tremeluziam e esfumavam ao serem tocadas pelo vento.
Todos os cantos do belíssimo chalé foram vasculhados,na verdade não tínhamos a certeza do que estávamos procurando,e nada que pudesse chamar nossa atenção foi encontrado,a casa estava toda arrumada,sem desordem,nem rastros ou qualquer coisa que pudesse levar a algum ponto de investigação.Nossa infrutífera busca não levou-nos a lugar algum,o Sr. Dupra ainda era o principal suspeito.
Tanto eu,como o inspetor,não estávamos totalmente convencidos da culpa de Henrich pela morte da esposa,e surgiam em nossa mente uma série de medidas,que ao final,eram desapropriadas aos nosso objetivos e afastavam-nos cada vez mãos da solução do mistério.
Seria o homeopata realmente inocente?
E se fosse inocente,que seria o culpado por um crime tão brutal?
E qual o benefício disto para o assassino?
O caso tornou-se público,todos queriam respostas,mas só tínhamos perguntas.
Em uma tarde,ao ver-nos saindo do distrito policial,fomos abordados por um homem velho,que empurrava uma carroça de quinquilharias.Era um mercador de nome Abdul,circulava pela cidade vendendo tapetes,caixas de ébano,bolas de vidro colorido,imagens das mais variadas origens,e uma infinidade de outras extravagâncias.Segundo o que disse o velho mercador,um homem de cabelos claros,muito forte,com aproximadamente 1,80 de altura,e usando longas botas de borracha,como as usadas em pesqueiros e embarcações,saiu rapidamente da casa de Dupra no dia do crime.Abdul disse que o homem estava muito apressado,e subiu em um coche que estava a sua espera pouco mais abaixo,na mesma rua.E foi em direção as docas.
Imediatamente o inspetor ordenou aos policias que rumassem para o porto,para buscar mais informações sobre o navio Braduck.Porem os marinheiros pouco sabiam,ou não queriam falar.mas uma informação,que nos chegou através do dono de uma bar da zona portuária,caiu como uma luz na nossa ainda nebulosa investigação.O capitão do navio Braduck,Kriss,tinha uma irmão.E para nossa surpresa,descobrimos que ela trabalhava em uma taverna fora da cidade.Não foi necessário muito esforço ligarmos os pontos,um quase perfeito crime,para livrar-se de Edna,a esposa indesejada,e também do amante Henrick,que seria considerado culpado e condenado a morte.Ou na melhor das hipóteses uma prisão perpetua,se é que da pra considerar uma prisão perpetua como melhor hipótese.        
Parece que o morta triangulo amoroso esta se transformando em um surpreendente quadrado.O nome do capitão do Braduck foi facilmente descoberto por Thotmann,não por coincidência tinha Kriss ele o mesmo sobrenome de rose,Levigne.Isto ficou ainda mais estranho quando Henrick contou que foi sua namorada que providenciou tudo para a fuga,e que após esperar por quase uma hora no cais,em fim ela chegou acompanhada do capitão.
Tudo parecia estar saindo como planejado,porem os planos de Rose e de seu irmão não incluíam Henrich.
Novamente me veio a mente a mesma pergunta:
Quem tiraria alguma vantagem com a morte de Edna e a condenação de Henrich?
Mas tudo era apenas suposições,não havia provas,a descrição feita por Abdul batia com dezenas de marinheiros do porto de Londres.E os dias foram passando,semanas,o caso não era mais o principal assunto dos moradores do local.Henrick estava por ser condenado por um crime,que segundo ele não havia cometido.E naquele momento,eu e Thormann também tínhamos dúvidas quanto ao autor do assassinato.
O tempo passou, a policia liberou Rose por falta de provas do seu envolvimento com a morte de Edna.Seu irmão Kriss,deixou o barco em que trabalhava em um porto canadense e não foi mais visto.Um ano depois do crime,Dupra foi julgado e condenado a prisão perpétua e trabalhos forçados pela morte de sua esposa Edna Dupra.
Após ter novamente sua liberdade,Rose deixou a cidade.Em 1862,seu irmão Kriss,agora usando o nome de Debruhá,foi encontrado morto em um porto em Londres,esfaqueado em frente ao armazém Ocean Bleu.
Pin It
Atualizado em: Seg 21 Jan 2019
  • Nenhum comentário encontrado

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR
Fone: (41) 3342-5554
WhatsApp whatsapp (41) 99115-5222