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As Moedas do Rei Eledur.

Pessoa alguma que me conheça colocará dúvida que para executar essa missão que me impus, eu não desenvolva todo o talento de que disponho com a rígida imparcialidade, o escrupuloso testemunho que habitualmente se exigem daquele que deseja ganhar os louros de historiador. Pois este reconhecimento pouco me é desejado, Porem quero em meu relato,mostrar minha visão do acontecido.
Em um Local muito distante daqui,existia um rei chamado Eledur, Seu reinado era com braço de ferro e com tamanha crueldade,que enquanto seu povo penava por fome e péssimas condições de vida,seu reino era de soberba e luxo. Seu povo deveria todo mês entregar-lhe tributos no palácio,sob pena de serem levado as masmorras se nada lhe fosse entregue.
Neste mesmo palácio morava Farfan,o bobo da corte,homenzinho de apenas um metro e vinte centímetros  de altura,que com sua roupa multicolorida,seu chapéu de cinco pontas e seus sapatos de tecido com longos bicos,trazia entretenimento ao rei e sua débil corte de beberrões. Farfan fora levado ao palácio quando tinha apenas 5 anos,retirado da tenda de uma trupe de anões atuadores que passava pelo povoado,seus pais não tiveram escolha,pois seria deixar o menino ou assistirem sua morte pela mão do próprio rei.
O pequeno palhaço,com suas curtas pernas arqueadas,não tinha motivos para admirar seu rei,e com imensa tristeza aguardava o momento de poder por  fim aquela vida de humilhação e desonra.
Certa noite,sentado em uma das pilastras do palácio,enquanto costurava os retalhos com os quais fazia suas vestes, Fanfar viu passar dois guardas palacianos com uma enorme sacola de couro,extremamente pesada,acompanhados pelo rei,depositaram a sua carga nos aposentos reais e voltaram todos para o salão,Naquela noite  havia uma grande festa e todos os seus conselheiros se regozijavam do melhor vinho e de belas mulheres que vendiam seus carinhos por comida e míseras moedas.
O maquiavélico pequenino não pensou duas vezes,adentrou ao quarto real e foi direto averiguar a pesada carga,Seus pequenos olhos brilharam ao contemplar tamanha quantidade de moedas de ouro,seria o suficiente para viver o resto de sua vida sem precisar mendigar favores de um rei tirano,e quem sabe até reencontrar sua família.
Tirando rapidamente seu gorro de cinco pontas da cabeça,tratou de enche-lo de moedas e furtivamente,pelos escuros corredores do gigantesco palácio,correu,se é que posso assim definir,até a torre do Sino na praça central do povoado.Esta torre tinha,aproximadamente 30 metros de altura,nela existia sete lados,cada um dos lados tinha um antigo relógio,todos perfeitamente funcionando,mas o mais assombroso é que cada um dos sete relógios marcava um horário diferente.Fato este,que devo admitir,era um tanto quanto curioso,e até mesmo um pouco perturbador.
Aproveitando o desenrolar da grande festa palaciana, Farfan fez incontáveis idas e vindas a torre,até ver concluído seu intento por completo,deixando totalmente vazia a sacola do tão desejado tesouro.
Já preparava-se Farfan para deixar a torre antes que sua falta fosse sentida pelo malvado rei, quando escutou passos na escada que levava a torre,imediatamente olhou em direção a pequena porta do campanário e o que viu o fez gelar até os ossos.Parado em sua frente,alguém exatamente como ele,sua própria imagem ,parecia ao confuso anão,que estava a ver-se em um enorme espelho. Os pequenos olhos arregalados e as tremulas tortuosas pernas demonstravam quão perplexo ficou o  ladrãozinho real .
Aquela diabólica imagem aproximou-se,e falou claramente ao assustado ouvinte: 
--O que fizeste não esta  certo, devolva o que não lhe pertence.
Sem saber o porque,e sem mesmo entender o que estava acontecendo,Farfan respondeu;
--Ele já tem muito,e eu fui muito humilhado,esta é minha passagem para liberdade. Concluiu.
--Sua família teria vergonha de você. Disse o estranho visitante,enquanto pulava como um macaco ao redor do monte de moedas.
--Mas que é você? Perguntou ainda confuso Farfan.
--Sou você mesmo,seu idiota,sua  consciência ,o íntimo do seu ser. Respondeu o intruso.
--Ainda tem tempo,devolva o que roubou e ninguém ficará sabendo. Completou o estranho homenzinho.
Farfan pensou estar delirando,tinha que fazer algo,e rápido
--isto só pode ser coisa da minha mente.Pensou o bôbo larápio.
Chegou então bem próximo a sua própria imagem,pois era ainda incrédulo do que se passava naquela velha torre.
 Se olhar com muita convicção,vai ver qualquer coisa que estiver procurando,seja ela o que for, mas para que isto possa acontecer, terá que ignorar uma infinidade de outras coisas, e uma destas coisas pode ser a verdadeira resposta, mas você a ignorou.Mas a verdade é que aquilo não podia estar acontecendo,era loucura.Talvez não seja real,seja um pesadelo diabolicamente vivido em plena lucidez.Mas a maldade do palhaço real iria muito alem.
Dizem que não morremos quando estamos sonhando,que nossa alma é imortal,será verdade?
Instintivamente Farfan,jogando-se sobre seu terrível algoz,  empurrou o seu inimigo espiritual da alta torre do sino,e enquanto fazia isto,o pequenino homem sentiu esvaírem-se suas forças,e um breu ,como a mais escura nuvem do fundo das trevas,cobriu por completo sua visão, sentiu então a terrível dor de seus ossos partindo-se em pedaços. 
Naquela mesma  manhã,após o final da grande festa palaciana,o rei foi comunicado pelo capitão de sua guarda,que o bôbo da corte havia caído da torre do relógio, estava morto,e suas moedas de ouro estavam escondidas no sino do campanário.
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Atualizado em: Qua 7 Nov 2018

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