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Assassinato no Cais de Londres.

Estávamos em 1862,o cais londrino era,entre muito lugares da cidade,um dos pontos mais freqüentados durante a noite.Suas tavernas e clubes noturnos traziam diversão e prazer a quem por ali passasse.
Mademoiselle Ninna era uma dessas lindas e encantadoras jovens,que  por descuido do destino nascera em uma família muito pobre.De origem polonesa,aos dezoito anos foi parar no Club Le Chat Blanc,um dos mais finos  e freqüentados cabarés do local.
Entre aqueles muitos que tinham em Ninna sua principal razão para freqüentar o Le Chat Blanc,estava o Sr. Debruhá.Ele era grisalho, alto, na casa dos sessenta anos,e muito rico.Era agnóstico, ateu, herege, ou como você queira chamar aqueles que descrêem de tudo. Sarcástico ao extremo,dedicou boa parte da vida a cultivar inimizades graças a sua atitude arrogante,e sentia prazer ao despejar veneno a granel com seus comentários.
Tinha boa aparência, o nariz reto, sorriso irônico e uma testa larga de onde surgia o cabelo comprido , penteado para trás, passando por trás das orelhas e indo até o colarinho do casaco , que lhe caía bem. Usava bigode , mas sem costeletas.carregava no bolso esquerdo de seu colete,um fino relógio de ouro,com o brasão da família,e segurava com maestria uma bengala de madeira escura,digna dos mais nobres cavalheiros londrinos,com o cabo também coberto do mais puro ouro.
Naquela fria noite de inverno não foi diferente, Debruhá bebia ao lado de Ninna,e fazia questão de ser notado por todos,enquanto fazia sua acompanhante ajoelhar a seus pés para que moedas fossem por ele jogadas no decote do colorido vestido.
Porem,aquela seria a noite fatal para o presunçoso fanfarrão.Após freqüentar os aposentos da jovem por um longo tempo,desceu ao salão para mais uma taça de champanhe.Enquanto Ninna sentava-se ao seu lado no canto da sala.Um homem acenou discretamente para ela,que apenas balançou a cabeça como se a confirmar algo.
Era Kominski,seu irmão mais velho.Um marinheiro bêbado que circulava pelo porto a noite a procura de alguém para pagar-lhe uma bebida.
Não tardou para que Debruhá saísse a porta encaminhando-se até onde deveria estar sua carruagem,mas kominski,vindo em sentido contrario não hesitou,ao passar por  Debruhá,usando sua faca com grande habilidade,desferiu certeiro golpe  no pescoço do abonado boêmio.Sem qualquer tempo para reagir,o homem foi encostado ao paredão do armazém da companhia Ócean Bleu,enquanto seu agressor introduzia cada vez mais fundo sua afiada lâmina.
Kominski retirou o relógio e algum dinheiro do bolso de Debruhá,mas certamente o motivo da morte não era roubo,a humilhação que era imposta aos que rodeavam o requintado cavalheiro,fizeram dele pessoa não grata para muitos.
O agressor afastou-se,e o ensangüentado,e agora já não tão prepotente Debruhá,ficava jogado ao chão,ao lado do armazém.
Uma agonia aguda, mortal, parecia espraiar-se do pescoço ensangüentado,tocando cada fibra de seu corpo e membros,que tremiam descontroladamente.E o coração que antes batia manso de repente deu um salto, parecendo a ponto de sair-lhe pela boca.Parecia sentir o peito expandir-se em convulsões e, em supremo desespero,seus pulmões sorveram uma enorme,e última, golfada de ar, que ele expeliu no mesmo instante, com um grito agudo,antes de ficar totalmente imóvel,caído,sem vida, em um escuro e sujo beco de Londres.
Eram circunstância que por si só já era suficientemente estranha para ficar retida em minha mente.Eu já não tinha consciência de nada exceto daquela cena, um cenário extraordinário e fantasticamente terrível.Quem a minutos atrás zombava do seu semelhante,agora ensopava suas roupas no próprio sangue em um cais imundo.
No alto, quando olhava através do teto do armazém, via-se uma sombra gigantesca, que me parecia uma estranha fumaça, descendo na direção do corpo já sem vida. Tinha certeza de que formavam algo, cujo significado era  maligno. E o cais, envolto na escura noite, emitia ruídos singulares, entre os quais uma, duas, várias vezes pude distinguir sussurros numa língua que jamais ouvira.
 A maléfica sombra,talvez enviada pelo próprio demônio,cobriu Debruhá totalmente,e sua imagem,como se a sair do próprio corpo,esvaiu-se em meio a escura nuvem.
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Atualizado em: Ter 10 Jul 2018

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