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Psychosocial 5.0 Parte IV Final

A luz dá espaço para o escuro, e a dama se atira para trás, tentando escapar dos braços do carrasco. “De novo não!” Pensa imersa em pânico, olhando para os lados e tentando escapar a qualquer custo. No entanto para a sua surpresa, este avança, e lhe prende na parede, mas não lhe suga outro beijo forçado. Apenas lhe encara com os frios olhos azuis, deixando-a desconcertada. _O quê você quer desta vez?! A jovem pergunta com coragem, forçando o pulso a se soltar, mas o anjo não responde, e continua a lhe olhar fixamente. _Responda! Um móvel é atirado nas costas do doutor, e este nem sequer move os dedos. O único movimento que faz, é olhar para trás, e depois estala os dedos. Levando-os para um lugar, totalmente branco, como uma tela pronta para ser pintada._ Onde nós estamos?! A moça logo pergunta, e o anjo ri. _Exatamente o quê parece, no vazio. Responde abrindo os braços, e apresentando o espaço._ Porquê me trouxe aqui, pretende me prender neste lugar?! A bela retruca, claramente assombrada pela visão do horizonte. _Não adiantaria de nada. Diz o homem alado caminhando em círculos. _ Como assim?! A bela insiste, com o olhar desconfiado. _É hora de saber a verdade, e me sinto feliz em poder te contar. O homem ergue sua mão, e a chama para o seguir, mas a moça cruza os braços, revirando os olhos. _Não vou com você a lugar algum. Esclarece a dama de olhos violeta, parada em cima da planície  iluminada. _Vamos, nós dois sabemos que nem sempre foi desagradável ficar perto de mim. O anjo diz com um ar de vitória, e a agarra. Ao sentir seus braços envolta dela, a garota se contorce, mas ele não liga, e a carrega. _O quê vai fazer comigo? Abusar de mim outra vez?! Questiona se debatendo, enquanto o ser continua a caminhar pelo nada. _Não, estou aqui apenas para corrigir meu erro. Rebate deixando-a confusa. _Mas se quiser ser meu brinquedo uma última vez, não me importo. Diz ele com descaramento, colocando-a de pé, e lhe encostando na parede imaterial. _Eu não me entregaria a você por vontade própria, nem que isso recuperasse a minha sanidade! Lhe responde, deixando-o estranhamente animado. _Nós dois sabemos que é mentira. Conclui, e se afasta dela, fazendo-a querer responder com um tapa. _Aquilo foi um erro. É tudo o quê sai de seus lábios. _Um erro que cometeu várias vezes, por vontade própria, antes de descobrir que eu era um inimigo. Diz virando com uma sobrancelha arqueada de confiança. _O quê você quer?! Já não me tirou tudo?! A bela inquire, cada vez mais furiosa, e o anjo toca-lhe o rosto. _Sim, eu tirei, mas foi você que me pediu. Revela com um olhar sincero, que lhe dá calafrios. _Do que está falando?! Volta a perguntar, só que desta vez um tanto abismada. _Corelle o mundo não acabou. Diz o doutor, e a bela o olha com incredulidade. _Você não vai me enganar de novo. Afirma se afastando, e gesticulando para manter a distância. _Me ouve. O arcanjo segura pulso. _Eu não tô louca. Ela diz entre lágrimas. _Infelizmente isso não é verdade, e vou te contar como foi que aconteceu. Diz o louro, convidando-a para uma caminhada. _Por quê? E por quê deveria confiar em você?! O pânico lhe corrói, ao ponto de se abraçar forte, como se estivesse muito frio. _Porquê já confiou. É a última palavra do ser, antes da tela branca escurecer, e um cenário se formar em volta deles, para contar a verdadeira história de Corelle. “O mundo não acabou como acredita, não houve um ataque zumbi, e nenhuma das bestas caminharam sobre a Terra.” Inicia o narrador, apontando para menina dentro do “filme” que estavam a participar, como fantasmas. “Sim houve uma batalha sanguinária entre anjos e demônios, mas os homens nunca nem sequer souberam dela.” Aponta para os humanos, que estavam a assistir as notícias, sobre os gigantescos desastres naturais, que estavam acontecendo, sem causa aparente. “É apenas um maremoto, a mídia dizia, enquanto seres aquáticos lutavam entre si, até a morte” Mostra os tritões e as sereias guerreando embaixo da água. “É um terremoto provocado pelas placas tectônicas. Era a desculpa para esconder a batalha dos seres do submundo. E assim se seguia, dia após a dia, no momento em que se definia quem dominaria o mundo.” Prossegue mostrando vários deuses lutando em lugares remotos. “E você não fazia parte disso diretamente, não como gostaria pelo menos” Ele mostra a garota trancada no quarto, perto da loucura, enquanto desenha as imagens dos atuais acontecimentos, sem saber que eram reais. “Naquela noite que soube a verdade sobre Larry, você não foi embora para a sua família. Na verdade veio comigo, para aprender a lutar contra o demônio que lhe atormentava.” Ela e ele surgem caminhando de mãos dadas, indo em direção a uma mansão, com o símbolo da cruz de machados. “Estava cansada de ser perseguida, e de sua fraqueza. Por isso a Ordem de Cristo se aproveitou, e fez de mim o seu mestre em iluminação.” Michael aparece diante dela encapuzado, e levanta cobre-lhe o rosto com o capuz. “A convivência nos levou ao envolvimento, e você foi minha por algum tempo.” Momentos que na mente dela eram assustadores, na história se mostram românticos. “Até eu descobrir que nunca seria minha de fato, porquê seu coração e alma, continuavam a pertencer ao seu amado e odiado tutor. Aquilo me fez arrancar os cabelos”  Ela e ele brigam sem parar, enquanto o anjo fica a alegar que não esqueceu o maldito demônio. “Deveria ter sido apenas seu amigo e mestre, porém me deixei levar, e acabei por me tornar exatamente o quê se lembra.” O hospício, o quarto sujo, e as noites de escrava sexual se tornam parte do conto. “Você fugiu de mim, não aguentou o nível da minha insanidade, e foi pros braços de Larry.” A moça pula o muro de Saint Louis e parte para a estrada. “Infelizmente para ti, eu não era o único que tinha magoado.” O olhar frígido de Larry para com ela, é evidenciado. “Quando o deixou para vir comigo, Larry enlouqueceu, e como você era a doce obsessão dele, que não o queria mais, fez de tudo para criar um clone de ti.” O demônio se encontra no laboratório, diante de um enorme caixão de vidro, onde uma jovem idêntica a Corelle, se encontra adormecida em fluídos. “O clone era imperfeito. Extremamente ciumento, inseguro, e em vez de seguir o Diabo, seguia a Deus, por lhe considerar a fonte do verdadeiro mal” A jovem clone surge furiosa, porquê Larry não a desejava de verdade, já que ela sabia que quem ele queria era Corelle, a original, e não uma cópia mal feita. “Elexyas, como se chamava a criação. Detestava aquela que lhe deu a origem, e por isso vivia procurando meios de te destruir.” Corelle segue caminhando ao lado de Kovat, sem perceber que é observada de longe pela inimiga. “Ellexyas era um corpo vazio, com o qual Larry nunca teve prazer.” Ellexyas surge deitada na cama, completamente nua, com lágrimas na face, enquanto o seu criador olha para o vazio. “Ellexyas vivia a perturbar a mente do doutor, fazendo-o se sentir pior que o normal, por ser incapaz de amá-la.”  Larry se culpa por não ter sentimentos pela clone, e acaba se aceitando como o pior ser do mundo, desvencilhando-se dos sentimentos. “Quando soube da clone, sua primeira reação foi manter distância dele, e por isso não chegou a tempo de salvá-lo de si mesmo” Corelle se encontra com Larry e a namorada, num evento de caridade, e com raiva evita-os a todo custo. O tutor não é capaz de perceber, e por isso segue ao lado do seu experimento. Qualquer um podia ver a frieza com que ele  tratava a bela, mas todos faziam vista grossa, por questões de cortesia. “Quando resolveu se aproximar, Larry já não queria mais saber de ninguém, e tinha voltado a ser o mesmo psicopata frio, e calculista de quando o conheceu.” 
Larry estripa alguém a sangue frio com suas garras, e no espelho vê sua pior versão, mas não se importa. Tanto o lado humano, quanto demoníaco se resumem a um monstro. “Você estava disposta a perdoá-lo, a começar uma vida, apesar de tudo, mas ele não te perdoo” Ela se aproxima dele, e ele recua. “Você acreditava que aquilo era passageiro, que ele se importava contigo ainda, até encontrar uma garota morta, dentro do quarto de vocês.” Uma jovem de cabelos negros e curtos, pálida como a neve, com um ar de inocência, aparece numa cama, com uma camisola branca, toda manchada de sangue, com sinais de sexo por todo o corpo. “Ele não se importava com você, nem com ninguém. Tinha seduzido a moça, conseguido o quê queria, e a jogado fora. O mesmo Larry doente de antes, aquele que te fez temê-lo, e isso te devastou.” A dama fica em choque com a cena diante dos olhos, e Larry não se importa, até vê-la tremer. “Ele viu em seus olhos o tamanho da decepção, e percebeu que estava errado. Só que agora era tarde demais, e ele nem era capaz de imaginar” Ela revive os terrores que sofreu nas mãos de Kovat, e os associa a ação de Larry, perdendo o fio da sua sanidade. “Noite após noite você chorou sem parar, gritou, e até o espancou com uma leoa, e isso fez com que ele voltasse a ser o Larry Karses que amava. No entanto não era o suficiente para você.” Larry volta a lutar contra o seu demônio interior, evitando agir por seus impulsos violentos. “Ele não sabia do quanto tinha sofrido em minhas mãos, não imaginava que mais do quê nunca, você precisava daquele demônio disposto a amá-la, por isso não soube como consertar o erro.”  Larry surge sentado no sofá, chorando em silêncio, enquanto a sua amada, berra, e atira as coisas para o ar, mostrando-se claramente insana. “Apesar de toda a raiva, você o amava, e deste amor nasceu uma menina linda, chamada Rayna Thari” Surge a dama dando a luz a um bebê, e em seguida a mesma abraçando a criança, dando-lhe muitos beijos, sem se importar com a sujeira, enquanto Larry sorri orgulhoso, e de certa forma em paz. “Eu quis que você evitasse essa gravidez, tentei até te fazer abortar, me aproveitando das suas inseguranças. Mas você foi até o fim, pois acreditava que esse filho, te faria ver o seu amado, como um cavaleiro de armadura brilhante outra vez.” Surge a dama correndo para longe do arcanjo, com uma enorme barriga. “Não aconteceu. Rayna foi crescendo e sua dor nunca cessou, chegou até a acreditar que ele amou Elexyas, porquê em seu desespero foi até ela, e esta aproveitou para se vingar de ti.” Elexyas ri diante Corelle, alegando que foi amada, e pelas costas chora sem parar, porquê sabe que o seu criador, jamais a amou mesmo. “Foi assim que veio até mim outra vez. Não sabia para quem correr, e veio justo para os meus braços.” O anjo a abraça forte, só que esta o afasta, e nega algo com a cabeça, mostrando-se triste. “Você não veio para ficar comigo, eu queria que sim, mas estava claro que não.” A preocupação fica evidente no olhar, de um dos culpados de sua desolação. “Porquê me escolheu para te salvar, nem um de nós dois sabia, só que eu não pude deixar a oportunidade escapar.” Ele aceita algo, e assim coloca um capacete nela, ligando a energia. “Você queria esquecer que Larry existia, que você existia, por isso tentei criar uma ilusão na qual éramos apenas nós dois.” Volta para o quarto, no qual Corelle se encontra sozinha, com uma pulseira de paciente. “Eu queria que fosse verdade Corelle, queria que fosse minha para sempre, mas no fundo você sabia que era impossível, que seu único amor sempre seria o tutor gentil que cuidou de você, por isso perdi a cabeça mais uma vez.” Nem mesmo na própria ilusão, Corelle se esquecia de Larry, e assim aconteceu deles se encontrarem fora dos domínios do anjo, e fugirem juntos para viver o seu amor obscuro e sombrio. “Larry sabia de tudo, não se engane, porém preferiu não te contar a verdade, porquê não queria te fazer sofrer outra vez.” O olhar de culpabilidade, fica notável, enquanto o demônio abraça a sua amada. _Não faz sentido, porquê está me contando isso? Finalmente a Corelle da atualidade pergunta, e o arcanjo ergue um punhal de prata, mostrando-lhe suas intenções. _Fui designado para te matar, e quero que facilite isso pra mim. Confessa com a mão trêmula, como se não quisesse ir adiante. _Vai em frente...A dama diz com tristeza, todas as memórias da sua verdadeira vida, estavam de volta. _Não! Larry entra na realidade vazia, e se põe na frente da sua amada. _Larry?! A moça se espanta com a aparição do demônio, e olha para o anjo pelo lado deste. _Você sabe que isso não é o melhor para ela Kovat! O ser obscuro impõe entredentes. _É sim, ela terá a chance de fazer o certo desta vez! O anjo rebate, e a moça fica confusa. _Do quê estão falando? Ela levanta a voz, para que lhe escutem, e ambos trocam olhares de medo. _Não é a primeira vez. Larry entra em ação, virando-se para a sua obsessão. _Como assim? Corelle fica mais atordoada com a dúvida. _Você não é comum, tem o DNA, o gene divino em suas veias. Por isso tenho que te destruir. Kovat se coloca entre eles. _O quê isso quer dizer?! A bela se mostra aborrecida com a dúvida, e os seres interdimensionais suspiram, não  há mais como esconder. _Você já ouviu sobre as várias terras que existem por aí certo? Kovat inicia, e ela acena com a cabeça. _São sempre realidades diferentes, mas basicamente com as mesmas pessoas. Larry complementa, e a dama gesticula para prosseguir. _É tudo por sua causa. Kovat vai ao ponto final, e Larry confirma, com certa compaixão. “Quando Deus foi destronado, você nasceu em um mundo, e se tornou a consciência dele, tal como sua avó Gaya.” Kovat conta e a dama surge dentro do vazio, com suas asas flamejantes. “Você e o planeta eram um só, e por causa do gene que herdou do seu avô, pôde moldar a realidade” Larry toma parte, e lhe apresenta a si mesma, gerando um mundo inteiro, apenas com a capacidade de pensar. “Sim, tudo o quê pensa e acredita se torna real, e foi por isso que o novo Céu te capturou.” Kovat explica, e lhe mostra quando foi capturada. “Nós te torturamos, porquê você era a herdeira de Deus, tão poderosa quanto seu pai. Mas com uma peculiaridade, que podíamos usar a nosso favor, por isso te obrigamos a criar vários mundos, nos quais o nosso lado sempre vencia” A imagem da dor e o sofrimento da garota, tomam forma a sua volta. “É tudo culpa minha. A cada vez que fazia uma nova realidade, eu tentava me infiltrar, para ter você, e isso sempre degradava sua mente.” Prossegue o arcanjo, mostrando o passado, no qual ele mandou matar a filha de Corelle e Larry. “Era comigo que queria está, por isso esse mentecapto perdia as estribeiras, e te torturava.” O ser demoníaco olha com desdém para o arcanjo. “Tantos mundos, tantas realidades, e em nenhuma delas ficávamos juntos aquilo me corroeu.” O alado assume, enquanto surge totalmente triste, deitado em uma cama. “E uma vez de tanto tentar nos separar, ele conseguiu, e por isso eu fiz a Elexyas. Você a odiou tanto, que acabou por repetir os novos mundos, da mesma maneira, com destinos diferentes, e se tornou incapaz de evoluir, até que entrou num coma, e ficou presa nas realidades que criava.” Larry se mostra culpado, e então baixa a cabeça, ele não é o único.
_Estão dizendo que toda a perseguição e o sofrimento que sofro, é causado por mim mesma?! O horror naquelas palavras, deixam os homens apreensivos.
_Basicamente sim. Larry fala diretamente. _Então Elexyas é real, ela é...ela é um demônio?! Pergunta entre tremedeiras e espasmos. _Só no mundo em que você casou com ele. Larry esclarece. _Eu me casei com você?! Os olhos arregalados da moça, não escondem o assombro. _Sim. Eu ameacei matar o seu amado, em troca de um tempo comigo, e consegui te ter pra mim em um mundo. Kovat soa vitorioso no início, mas seu sorriso se transforma em tristeza. _Mal sabia eu, que este pequeno mundinho, poderia ser a causa da destruição de todos os outros. Se mostra magoado consigo mesmo. _Você é a Deusa da Realidade, e com todo esse poder jamais foi capaz de evoluir. Larry deixa a situação clara como água. _Ficou criando o mesmo mundo onde nos unimos, milhares de vezes, e a cada vez que Elexyas aparecia, sua mente enegrecia. O louro complementa, enquanto a dama caminha para trás, quase caindo. _Se tudo o quê desejo é real, ou se torna real, porquê quando desejei desaparecer, permaneci viva?! A pobre questiona, claramente aterrorizada com a verdade. _Porquê você controla a realidade criada por ti, mas Deus controla a tua, e ele pensou em aceitar sua oferta...Kovat responde e Larry apenas concorda. _Mas nós intervimos, junto com o seu verdadeiro pai. O demônio confessa, e surge um conselho dividido entre Céu e Inferno. _Então vocês não são reais. A dama conclui, e eles negam. _Somos, porém nossos verdadeiros corpos, estão na sua galáxia natal, onde permanece em coma. Rayna não tem mais 12 anos, é uma mulher, que tenta se infiltrar no mundo da mãe, como criança, porquê nunca a teve por perto. Larry explica, e a bela fica em dúvida. _E onde Rayna está nesse momento? Pergunta curiosa. _Com sua mãe Savina. Responde-lhe com total convicção. _Mas ela está morta, junto com o meu pai! Afirma a dama, totalmente espantada com os fatos. _Não, você quis que eles morressem, mas isso não aconteceu mesmo, eles apenas te deixaram vir comigo Larry revela, e o arcanjo acena confirmando os fatos. _Sua mãe se separou do seu pai, e se casou com um dos nossos lacaios. Kovat conta com um ar de maldade. _O quê?! Corelle entra em pânico. _Nós o odiamos, no entanto ele ajudou bastante nossa filha, isso não posso negar. Conclui o demônio. _Se eu morrer, esse vicio da realidade se encerra? A dama inquire, tentando ter acesso a mais informações. _Não, mas terá a chance de reiniciar a criação, e fazer tudo diferente. Kovat defende a sua posição. _Porém eu acredito, que reiniciar não dará certo, e prefiro que fique consciente, até acordar em nossa galáxia. Larry se mete, e luta por sua opinião. _Então tudo isso aqui é falso? A bela continua a se mostrar perdida com as revelações. _Não, porquê como dissemos você tem o dom. O anjo diz. _Mas esse mundo é apenas sua consciência, seu corpo está no mesmo laboratório, no qual hoje luz e trevas trabalham lado a lado. O demônio deixa claro. _E porquê exatamente tenho que morrer? Pergunta para o psiquiatra. _Porquê como deusa criadora, você tem o dom de destruir, e como seu desejo por destruição se tornou incontrolável, está colocando vidas em risco. Kovat fala, e olha para Larry. _Por quê? Antes que termine, o homem se mostra pronto para lhe responder. _Porquê sou sua criação. Parte da minha consciência pertence a Arkydan, o seu verdadeiro marido, que te amou e falhou com você, a outra é Larry Coltown, o demônio para o qual deu vida, e vem te acompanhando a cada nova realidade criada. Sorri tentando parecer simpático, mas isso só a afeta. _Então eu te fiz, assim como você fez a Elexyas? Questiona temerosa. _Sim, mas diferente de mim, você só o fez, porquê não suportou perdê-lo na guerra dos deuses, e viu que com os seus dons poderia recuperá-lo. Responde com um sorriso agora sem humor. _Ele vai ser destruído, junto com os outros, se você não cuidar da sua mente, e só lhe restará Arkydan, de quem a séculos se esqueceu. Kovat cruza os braços. _Eu não me importo em ser destruído, se for pra você ser feliz Luciféria. O pobre demônio segura as mãos da amada, e esta lhe abraça forte, sem se importar, por ser chamada pelo nome errado. _Eu jamais te destruiria Diz entre lágrimas, e secretamente sinaliza para Kovat prosseguir. Este não perde tempo, e lhe apunhala pelas costas, fazendo-a cair com um sorriso nos braços do seu amado, já morta. _O quê você fez?! Larry berra segurando-a nos braços, e passando a mão em seus cabelos. _Ela permitiu. Responde com frieza, e se segura para não abraçar o corpo da morta. _Eu não permiti. Sou só um humano que ela criou, poderia ser destruído no seu lugar. O quê importa se esses ingratos morrerem?! Larry fica claramente abalado com a perda da sua amada, e pela primeira vez em muito tempo, chora sem parar. _São ingratos, mas estão vivos por causa dela, ela os fez assim. Kovat caminha de volta para o mundo material, e o demônio se tranca na outra realidade. _Eu não me importo em ser metade Arkydan. Eu não ligo se vou morrer, só quero que você volte pra mim! Larry chora sem parar molhando o corpo frio da amada. A realidade se desfaz, e então o demônio acorda em um quarto, onde a jovem ruiva se encontra adormecida. Vozes tomam conta da sua mente, e a lembrança de outra vida se torna nítida.  Arkydan foi um demônio cruel e sem escrúpulos, até conhecer a doce porém imponente Luciféria, filha do seu senhor. Arkydan conhecido como cavaleiro sanguinário, assassinou vários anjos e até alguns demônios, sem pensar duas vezes, e se tornou uma das armas do inferno. Ele não se importava com nada, nem ninguém, com exceção de Luciféria e sua filha Lixy. Com elas aprendeu o significado da palavra família, e o quanto um único erro, pode causar a destruição total de uma. Antes de Luciféria ser levada por causa dos seus dons, ele a viu junto de outro ser, casando-se com ele, e nada podia fazer, porquê ao contrário da jovem deusa, seu dom era ver o futuro, e não criá-lo. Isso lhe consumiu por dentro, até explodir, e se tornar um marido horrível para ela. Foi quando esta já cansada de seu desprezo, se entregou para o ser com quem se casaria, aceitando ser levada para os domínios celestiais. Onde foi cruelmente torturada, porquê se recusou a obedece-los. Eles não podiam matá-la, não havia morte para estes seres, por isso induziram-na ao coma, e garantiram que iria atender aos seus desejos. O ciúme de Arkydan levou a sua amada a ruína, trazendo-lhe o sentimento de culpa. Se  tivesse sido melhor, mais compreensivo, certamente Luciféria, ainda estaria com ele, e não dentro de algum pesadelo dentro da própria mente. Por isso ele foi até o novo Deus, chamado Cristo, e o enfrentou, perdendo metade da consciência, devido aos golpes certeiros do inimigo. Luciféria foi despertada por Miguel, que a levou para um quarto, no qual lhe fez desejar nunca ter existido. Ela escapou de suas garras, e correu para o palácio, onde encontrou seu amado em estado crítico, e jurou que lhe devolveria a consciência. Assim retornou para o laboratório do adversário, e voltou a criar mundos, tentando transcender entre o material e o espiritual, para recuperar a mente do seu companheiro. Miguel viu o empenho da moça, em usar os aparelhos amplificadores, e tentou se aproveitar da nova realidade, para tê-la por vontade própria. Ela nunca conseguiu recuperar a mente de Arkydan, e desta maneira acabou criando um ser, que continha a metade de sua consciência, e o complementou com sua energia. Assim nasceu Larry Coltown, o demônio ciumento, que a perseguia vida após vida, representando o sentimento de posse, do ser que amava. O quê ela não sabia, é que sua energia criadora, não vinha só de si, como também de fragmentos de outros mundos, e desta forma conseguiu o pedaço exato que faltava do espírito do demônio. Desta forma Arkydan retornou para o seu corpo, e despertou apenas para descobrir, que sua amada tinha sido despertada, mas retornado ao inimigo, para salvá-lo. Em choque ele foi atrás da dama, e fez de tudo para fazê-la voltar, e como não conseguiu, compactuou com o seu senhor, para se tornar um criador de antimatéria, e assim entrou na realidade da sua princesa prometida, tornando-se Larry Coltown.  Ele tinha a memória de quem era, contudo não queria lembrar, pois sabia que o ciúme o faria se tornar um monstro, o mesmo cavaleiro sanguinário de antes. Por essa razão ele preferiu dissociar-se,  e sacrificou sua memória, para ficar ao lado dela, e se tornar o demônio, por quem se apaixonou. Infelizmente o sentimento de posse, não o abandonou, e assim que veio para o lado da amada, jamais quis lhe perder para Miguel, que com suas artimanhas fez de tudo para separá-los, levando-o até mesmo a criar Elexyas, quando obrigou a princesa a se casar com ele. Realmente o arcanjo se arrependeu, mas apenas depois, quando viu que criar um clone de Luciferia na versão humana, foi uma má ideia. Sim, foi ele quem induziu Larry, a tentar copiá-la. Sem que ele soubesse, usou o seu poder midiático, e o manipulou a gerar uma nova versão da sua amada, o quê terminou em tragédia, já que esta não carregava o doce e amável jeito de Lucy, que poucos conhecem, era feita apenas de rancor e ódio, e para piorar sequestrou aquela sem a qual não existiria, (literalmente), e a torturou. Neste mundo, Lucy adotou pela primeira vez o nome de Corelle, e tentou levar uma vida normal, sem a qual tinha poderes, o quê foi um prato cheio para Ellexyas, que não perdeu tempo, e a torturou das piores maneiras, fazendo-a acordar, e elevar o seu poder ao nível máximo. O quê ocasionou a destruição da inimiga, porém com esta também foi o seu fio de sanidade, tornando-a instável ao ponto de ter que recomeçar outra vez, e milhares de outras seguidas. Era sempre o mesmo enredo, Corelle levava uma vida normal, até que seu caminho cruzava com o do cientista demoníaco, que a perseguia, então caia nas garras do arcanjo cruel, e era torturada, enquanto outra vez Elexyas nascia, e no fim a moça puxava o gatilho da morte. Um pequeno erro de Arkydan, e tudo veio abaixo, logo a Deusa se tornou incapaz de criar algo novo, e acabou por destruir os planetas, que sua consciência gerou. O vicio em destruição, a deixou insana, por isso as trevas cobriram o universo, e toda a 5 dimensão sofreu com seu abalo, entrando num loop interminável, de dor, injustiça e desgraça. “Foi tudo minha culpa, se eu confiasse mais em seus sentimentos, jamais teria lhe deixado ir com aquele maldito!” Larry se culpa, abraçando a casca vazia da sua amada, e então a imagem do casamento pagão deles, e o nascimento da filha, formam-se na sua cabeça. Ela não era apenas o seu amor,  também  era sua companheira, sua esposa, por isso se recusava a deixá-la ter uma chance com outro. Sempre foi sua, apenas sua, e  sabia que o anjo podia tomar o corpo de qualquer humano, só para tê-la, por isso assassinou friamente todos os corpos em que entrou, impedindo-o de se aproximar. “Eu fiz de tudo para não te perder, e agora meu esforço não faz sentido.” As lágrimas descem por sua face, e este aperta o corpo vazio e ensanguentado contra o peito. Não importa o quê faça, o fim sempre chega. CAPITULO 18 ENTERRO. Corelle nunca foi muito querida em toda a sua vida, o seu temperamento quente, e personalidade forte, lhe fizeram colecionar inimigos. Então quando se foi, todos os inimigos comemoram do seu modo, antes de serem julgados pelo anjo para quem rezavam, que como prova do seu arrependimento, foi até os que a machucaram, para lhe trazer justiça. Eram novos tempos que estavam chegando, porém para um certo demônio, isso não era motivo de alegria, já que por ele, pela primeira vez, preferia viver no velho mundo, onde tinha a sua amada, mesmo que não tivesse partido para sempre, e agora se encontrasse num novo planeta, criando outra realidade, para ele era como se fosse o fim, e não pudesse vê-la nunca mais. “Nossa, a vampirinha ficaria decepcionada” É o quê pensa ao chegar no cemitério, segurando na mão da sua filha, e encontrar apenas as irmãs Simpson e os namorados diante da lápide. Infelizmente, quando abre a boca para dizer algo, repara que bem ao longe, escondido atrás de uma copa de árvore, há um intruso alado. Furioso, deixa a criança com as irmãs, e vai atrás do assassino de sua mulher, pronto para fazê-lo desaparecer deste universo. Ao vê-lo Kovat apenas permanece com os olhos vazios, enrijecendo o corpo, para receber os punhos do rival.
_Desgraçado! Berra e sua mão fechada atravessa o ar, e o anjo cai abatido na grama, para o seu azar as irmãs aparecem, e chutam-lhe na costela. _Cai fora daqui! Diz Ales pegando-o pelo pescoço, e o atira numa tumba. _O quê faz aqui mentecapto?! Diz Alessandra puxando seu punhal de dentro da bota. _Vocês acham que são páreo para mim? Não me façam rir. O médico se ergue, apoiando-se no tronco. _Nem Corelle era páreo para mim, e ela é muito mais forte que...Ele diz o nome da moça, e o demônio enfurecido o sufoca com uma placa de gosma negra. _NÃO FALE O NOME DELA! Diz claramente estressado, e apesar de ter se gabado de sua força, o anjo sucumbe ao poder do seu inimigo. _Eu não sou um boneco Mikael! Diz libertando-o da sua influência mucosa. _Oras então sua mulher se matou a toa...Retruca o intruso, se levantando, e limpando seu corpo. _Você tinha que tirar ela de mim mais uma vez não é?! Questiona-o com seriedade, segurando-lhe pelo colarinho. _Sim, pelo bem dos dois...três. Responde deixando a todos boquiabertos e confusos. _Larry...você a magoou muito. Tanto que ela foi me procurar...Tenta se explicar, porém o demônio só fica ainda mais irritado, e bufa ao se recordar da verdade. _Está dizendo que ela te amava?! Que você não foi cruel?! É sério isso?! Pergunta aos berros, e o ser angelical apenas permanece neutro. _Não, nunca disse isso, o quê ela sentia por mim, até hoje não consigo definir...Respira fundo com certa decepção, como se quisesse que a realidade fosse outra. _Mas tenho certeza de uma coisa, se ela veio até mim, é porquê queria ser destruída. Conclui, e o pobre homem fica estarrecido, ao ponto de se mover para atacá-lo, no entanto se conscientiza, e tenta contar até 10. _Ela me conhecia. Sabia que se apagasse sua memória, tentaria algo, mas mesmo assim cedeu. Respira fundo outra vez, e então prossegue sua narrativa. _Ela queria que eu lhe machucasse fisicamente, porquê para ela nada mais importava Larry! Prossegue olhando-o profundamente. _Ela queria que eu terminasse, o quê você começou, quando desistiu dela! Diz com voz imperativa, e o ser das trevas o sufoca com sua matéria estranha, envolvendo seu pescoço por uma serpente negra, que materializou na raiva.  _Você, seu idiota, tentou nos afastar, e ela preferiu contigo, queria que eu fizesse o quê? Me humilhasse mais do quê já tinha feito?! Rebate apertando sua garganta, com a personificação da cobra. _Devia ter amado ela, e ido atrás! Tenta lhe dizer, enquanto se esforça para alcançar a liberdade. _Pra ela pisar em mim de novo!? E me culpar pela morte dos seus mil corpos?! Eu estava de mãos atadas! Inquire com imponência, e então passa a mão na cabeça, deixando uma lágrima solitária cair. _E depois, quando ela voltou precisando de ajuda? Pergunta num tom brando. _Eu também estava destruído. Não podia ajudá-la, se não conseguia nem me ajudar! Retruca com voz piedosa, mostrando-se abalado pelas acusações.
_Nossa, tão destruído que tinha criado uma cópia dela! Levanta o tom e fala de maneira irônica, dando um sorriso de desgosto. _Exatamente, eu precisava tanto dela, que me dediquei a fazer uma cópia sua! Mas a cópia não chegava aos pés dela! Era cheia de defeito! Diz em desespero. _Era como se eu tivesse personificado apenas a Corelle, quando me deixou, e com isso me senti horrível por muito tempo...Lembra-se das constantes brigas com Elexyas, e fica entorpecido pela culpa. _Porquê não destruiu o experimento, e foi atrás dela então? O anjo pergunta, investigando a história do oponente. _ Porquê eu tinha medo! Deixa escapar, e os amigos lhe dão apoio com o olhar. _Quando eu não era Larry Karses, era um idiota, e ela me odiava. Diz num tom choroso.  _Se ela não me amava como assassino, não iria me querer depois...Ergue a face, olhando para o arcanjo. _Eu não sabia que ela cairia nas suas mãos. Diz entredentes. _Sério mesmo? Você achou que Eu desistiria? O arcanjo pergunta erguendo a sobrancelha. _Não, mas pensei que se ela não queria um psicótico, não se jogaria nos braços de um psicopata! Responde com certo furor, e isso faz o anjo ri sem parar. _Eu sei bancar o bom moço, pra atraí as minhas vítimas, e a Core, sempre foi a minha favorita. O ser sagrado, pisca, e isso faz com que Larry, fique com mais raiva. _Por isso transformou ela num dos seus manequins? Pergunta ainda mais tenso com a situação. _Corelle não era um manequim. Ela era minha escolhida, uma boneca viva, que levava para todos os cantos. Se recorda de quando lavou a mente da garota, e a fez uma máquina de matar. _Uma boneca? Era só o quê ela era para você? O demônio questiona, mostrando-se incrédulo. _Não todo o tempo, houve uma época que a amei, mas bastou você aparecer, para ela me esquecer. Encara o seu rival, com um ódio tão profundo, que a atmosfera sombria, se entrega a negritude. _Então matei tudo o quê sentia, tudo, menos...o desejo. Diz o loiro provocando o monstro, a colocar a sua verdadeira aparência a mostra.  _Desculpe, me excedi um pouco. O médico parece arrependido de suas ações por um segundo. _Eu queria ter sido o companheiro dela, o pai dos seus filhos, aquele por quem ela se sacrificou. Diz em voz baixa, com tanta profundidade, que Larry percebe o quanto o anjo o odeia. _ Eu não a matei por mal, Larry. Ela precisava de paz, e criar uma nova realidade pode fazer bem a ela. O arcanjo diz como se quisesse o perdão do demônio, mas Larry fica parado, apenas o observando sem dizer uma palavra. _Eu odeio não ser o marido dela, odeio que o único mundo em que venci, tenha sido a semente de sua tristeza. O ser alado caminha em direção ao caixão da moça, e olha para o seu rosto petrificado. _Eu ainda tenho sentimentos, mas prefiro não tê-los, porquê nossa época já acabou. Finalmente desabrocha algum sentimento da parte do arcanjo, e ele se recorda do céu. “Eu fui chamado para protegê-la, mas causei a sua destruição...” Surge o anjo, e a dama numa versão divina, dotada de cabelos vermelhos e olhos violetas. Eles caminham de mãos dadas, em direção á uma árvore gigante. Parecem apaixonados, e felizes, mas num piscar de olhos isso muda, e as folhas entram em chamas, suas espadas se cruzam, ela está ensanguentada no piso, e ele foge deixando-a para trás. Um anjo caído desce até a moça, e lhe oferece ajuda, ela olha para o ser das trevas, e apesar da dor sorri. “Minha missão vinha em primeiro lugar, já para ele, sua vontade era mais importante, e ele só queria ficar com ela para sempre.” Uma nova batalha é mostrada, porém a dama já é uma mulher, e caminha ao lado do cavaleiro que agora está sem asas, exibindo a meia marca na costa da mão, que representa o fato de um completar o outro, e uma aliança no dedo que liga sua veia ao coração. Isso enfurece tanto o anjo, que este toma a forma do demônio, e a engana, empurrando-a no penhasco das almas, para que ela deteste o marido. No entanto apesar de suas tentativas, a moça o perdoa, e eles permanecem juntos, porquê tudo o quê importa é ter um ao outro, o poder é apenas uma necessidade de sobrevivência. “Ela tinha que ser minha de novo, eu fui o seu primeiro amor.” O quarto escuro aparece, e as mãos finas da garota estão cobertas pelas suas, sob o concreto. “Mas para ela isso não foi mais do quê uma experiência, ele foi o seu grande amor, e isso me doeu o suficiente para deixar de sentir.” Se recorda de todas as vezes que a tirou da família, que a sequestrou, a torturou, e acabou chorando, implorando que o amasse, após transformá-la num animal sem cérebro. “Aquele mundo...Eu a induzi a fazê-lo, para ser o nosso mundo...Mas Arkydan tinha de existir ali.” O mundo em que o anjo venceu aparece, ele a torturou até fazê-la esquecer de quem era, limpou sua mente até o zero, e camuflou tão bem a realidade que nem o marido dela, conseguiu encontrá-la. Eles se tornaram um casal, porquê ele fingiu ser como o seu rival para impressioná-la, contudo isso só lhe trouxe raiva, pois teve certeza de que quem ela queria era Arkydan, e por isso fez de tudo para mantê-los distantes. “O quê ela e Arkydan tinham era inquebrável, mesmo com a tremenda rachadura, provocada pela existência de Elexyas, e minhas outras intervenções.” Arkydan abraça a amada, e ela a ele, no momento em que está morrendo, por mais uma investida divina do anjo. “Nada irá separá-los, nem mesmo a morte dela.” Volta a olhar para o cadáver, e a mágoa aumenta em sua alma aparentemente. “Mas isso não mudará o quê senti. Fui um babaca, eu sei...Por isso preciso garantir que seja feliz desta vez.” Uma lágrima desce pela sua bochecha, e ele dá as costas a todos, só que antes de sair puxa o cabeludo para um canto. _Eu sempre vou querer a Luciféria para mim, mas eu prometo que no próximo mundo, irei ajudar vocês. Diz ao demônio, e este fica desconfiado. _E por quê eu devia confiar em você? Larry se mostra indiferente a promessa do arcanjo. _Porquê a minha missão sempre foi protegê-la, e mesmo perdendo meu caminho inicial, estou disposto a cumpri-la. São suas últimas palavras antes de partir. “Como se eu pudesse acreditar nas palavras do maior mentiroso do universo.” Conclui o demônio revirando os olhos. O enterro prossegue, e os outros se aproximam para se despedir adequadamente. Em algum lugar... Ellexyas caminha sentindo-se vitoriosa, sem Corelle no caminho, ela pode enfim tomar o coração do seu criador. “Agora é a minha chance” Pensa com um sorriso que vai de orelha a orelha. No entanto quando chega a esquina, se depara com um homem de chapéu, que a impede de sair do beco escuro. _Você não venceu Ellexyas, deixe de ser idiota. Diz o sujeito, e esta fica desconfiada. _E quem é você para me dizer isso?! Ela pergunta com arrogância. _Sou o anjo dela, que veio trazer justiça a sua alma! Responde pegando-a pelo pescoço, e apertando tão forte que esta perde o ar. _Você machucou ela demais! Diz o ser alado, olhando-a nos olhos, e fazendo-a ver todas as noites em claro, em que moribunda ficou a chorar. _Gosta do quê vê? Pergunta com sarcasmo, e então a coloca dentro dos pensamentos passados de Larry, nos quais ela não era nada menos, que aquilo para quê foi feita, uma cópia da amada, que servia apenas saciar a sua solidão. _Não! Isso não é verdade! A garota berra em pânico, com lágrimas descendo pela sua face. _Essa é a única verdade que tem que vê! Você não é, e nem nunca será ela! Ruge com tanta ferocidade, que quase quebra o pescoço do clone, contudo antes de atingir esse limite, se recorda do seu objetivo. “Vou fazer o quê quer, mas depois que eu me for, quero que não só me deixe em paz no novo mundo, como também faça justiça ao meu nome neste planeta” Se recorda das palavras da moça, antes dele quebrar a sua mente. “Eu não cumpri nada naquela noite. Não fui até o fim, não queria te destruir para sempre, mas agora que o fiz, cumprirei todas as suas vontades.” Mentaliza, e respira fundo. _Por quê faz isso por ela? Ela é um nada! A morena diz ao cair de joelhos no piso. _Não! Você é um nada, é algo tão insignificante, que nem chega a ser uma humana! Ele rebate exasperado. _Eu sei que por minha causa ela se destruiu, mas  também sei que se você não existisse, ela ainda estaria viva! Volta a pegá-la pelo pescoço. _Do quê tá falando ? Você matou ela e agora quer jogar a culpa em mim! A dama tenta se desviar da culpa. _Eu a matei, porquê ela não aguentou a tristeza que você causou, e me implorou para matá-la! Responde deixando-a de queixo caído por alguns segundos. _A idiota foi ela, não mandei voltar pra vida do Larry! Responde-lhe com total indiferença. _Você é uma idiota mesmo, não sei como o Larry, não teu o cérebro e o coração dela. Diz com o humor mórbido, zombando da falta de intelecto da monstruosidade que seu rival criou. _Quer escapar da culpa? Tudo bem! Mas lembre-se que sou uma figura de poder, e vou usar toda a minha influência, para que sofra 10 vezes mais, do quê ela sofreu! O anjo desaparece, e ela começa a gargalhar, duvidando de sua capacidade, afinal de contas ela não sabe com quem está lidando, e como pouco conhecia a sua “mãe de DNA”, não imagina que seja alguém forte.
Todavia nas semanas seguintes sente o abalo provocado pelo ser celestial, que gerou uma espécie de manipulação da mente, e fez com que todos a detestassem por sua falta de compaixão, e a perseguissem por ter sido uma das razões, para que a pobre senhorita Lorrow ansiasse pela morte. Corelle não era querida por muitos, mas do momento que uma figura divina, tomou parte para lhe defender, ela acabou sendo santificada como a mártir que protegeu o mundo. É claro que a senhora Herrow não gostou nada disso, e junto dela muitos outros evangélicos, que chegaram até mesmo a acusar o arcanjo Michael, de ter compactuado com o demônio. No entanto bastou este explicar a história da moça, para que o rebanho voltasse a lhe seguir. Muita coisa mudou no mundo, depois que a jovem se foi, pois todos pararam para refletir, e perceberam o quanto tinham causado mal uns aos outros, apenas por interesses mesquinhos que no fundo, eram apenas desejo pelo poder, e não uma luta por religião. Ellexyas foi parar no hospício, e percebeu que a loucura era ruim, mas ficava ainda pior, quando vinham pessoas para apontar-lhe o dedo. A ordem de Cristo se desfez, sem uma causa para permanecer intacta, não havia porquê continuar, porém não pense que eles saíram ilesos, esta era a realidade de Corelle, e Michael providenciou tudo, para que seguisse como ela queria, e mesmo após a morte, os membros da ordem, e o seu clone continuaram a sofrer. Pouco soube-se de Larry, após sua mulher partir, ele e a filha mal eram vistos em público, mas não pense que ele se tornou um monstro pior do quê já era, depois de perder a amada, fez de tudo para cumprir suas vontades também, e deu a Rayna o melhor pai que uma garotinha podia ter, realizando terapia com os mestres da luz, que o auxiliaram a controlar seu demônio interior, porém mesmo tendo um pai excelente, a menina mais do quê ninguém sentiu a perda da mãe, e após ler inúmeras vezes o diário desta, preferiu não pertencer ao mundo dos humanos, já que estes fizeram muito mal a ela enquanto estava viva. Ales e Alessandra, casaram-se com seus respectivos pares, e tiveram filhos lindos, que seguiram os seus passos na magia, e junto da filha da princesa suprema do inferno, criaram a ordem dos filhos cósmicos, com a qual ajudaram muitas outras crianças, a despertar o seu potencial e consciência mística. Quando Rayna cresceu, já tinha conquistado muitos seguidores, e por isso não tardou para ser um dos maiores nomes do ocultismo, só que antes de fazer um dos seus discursos inspiradores, esta sempre dizia que a ordem não representava ela, mas sim Luciferia, Corelle Lorrow, a sua amada mãe, e que todas as palavras que transmitia vinham do coração dela, e não do seu. Da ordem dos filhos cósmicos surgiram outras 5, porém este é um assunto para o próximo livro, onde o tema será devidamente abordado. E Corelle? A doce e feroz princesa do inferno, em algum lugar do vazio iniciou a sua nova realidade, e embora não lembrasse de nada da outra vida, desta vez criou um mundo, no qual não havia nenhum dos seus pares. Nem Larry, nem Kovat, era apenas um campo selvagem cheio de criaturas draconianas, com quem não podia se relacionar amorosamente, mas era feliz, pois sabia que não precisava de mais nada, para sentir-se bem, bastava ter a magia para sentir-se completa. Nenhum dos guerreiros cósmicos conseguiu encontrá-la em sua nova versão, e por isso estes tiveram de seguir em frente, e esquecê-la.Não que tivessem deixado de lhe amar, apenas perceberam que nenhum dos dois, realmente a merecia, e deixaram-na ser feliz da sua maneira.
FIM.
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Atualizado em: Qui 30 Maio 2019

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