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Me destrua.

Ouço ruídos de bombas. Eles não vão parar.
Será que o paraíso me aguarda? Eu não espero um paraíso. Minhas mãos estão sujas de sangue e não estou mais certo se é o meu, o das almas que levei ou o de Deus.
O relógio continua, maldito tempo. As bombas caem na mesma frequência que o ponteiro bate. Tic-bom, tic-bom, tic-bom.
Estou preso em uma ruína do que já foi um prédio, eu estou suado, tenho poucas balas, estou sozinho, minha roupa está rasgada, minha alma foi cortada, o mundo está gritando e esses gritos vêm de mim.
Essa guerra me matou, mas de que importa? Meu destino era certo, o fim. Só resta a dor, só resta ela. O prazer se desvairou com um pequeno conflito diplomático e depois disso só surgiu a tortura.
Eu espero que você me mate logo, afinal, você já me levou há muito tempo. Essas bombas, você não para, fascista desgraçado. Todo segundo, todo minuto, toda hora você vem e destrói, mas quem sou eu além de mais um soldado? Eu sou uma peça irrelevante no seu tabuleiro, uma das peças que você destrói e ri, uma das peças que passa-se por nada e não se reconstrói após a queda. Eu caí, eu estou sem comida, eu estou sem norte, eu estou me dissolvendo em pensamentos em meio ao sangue de outros, eu estou me dissolvendo em pensamentos irrelevantes, você não lê minha mente e, se o fizesse, só garantiria que esse corpo não fosse achado.
Eu não tenho mais futuro, ou tenho e me neguei a ele, mas pouco importa. Preciso me levantar do chão, preciso me munir, preciso lutar contra cada um dos seus ataques, eu preciso. Sem isso, minha morte será passiva, ou pelo menos meu enterro.
Estou de pé, eu sinto novamente o vento em meu rosto, eu sinto o cheiro de pólvora, eu continuo a ouvir os gritos mas pouco importa, nada importa, eu não importo. O destino me apagou há muito tempo, com esse dia poderei escrevê-lo ou pôr um ponto final em tudo isso.
Eu sou o meu destino. Morram.
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Atualizado em: Seg 17 Fev 2020

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