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Cartas ao Remetente

Basta ler,
quando o carteiro por um engano destinado ao acaso vier lhe entregar, basta ler.
Eu simplesmente não consigo parar de pensar como ela deve ser. Suas palavras são mais do que letras que ferem páginas, são mais que desenhos e sentidos, são mais do que tudo mais para mim.
É assim, só assim que sossego meu ser. É como alma em pedra é loucura por saber, mesmo não vendo seu gosto e não sentindo o desenho de seus lábios eu desejo cada vez mais o doce do seu corpo ao entrelaçar o meu não querer.
Fato consumado, “acho que quero mais que você”. Ando pelas avenidas tentando entender como suas cartas chegam, como posso saber, parecem voar acariciando o vento e o maldito perdido nesse gelo ardente e com o ar no ouvido suas letras vendo.
Tudo tão belo, em um erro certo fizemos nós a partir de você. Sonho em tê-la sempre ao meu lado e creio que vejo algo errado. Não nos conhecem como reflexos de nossas vivencias, aliás espelhos mentem.
Por isso escrevo:

“Hoje pensei que tinha escutado a sua voz,
 mas isso é algo impossível,
pois palavras não emitem sons físicos,
 porém acho que esse nosso amor de desconhecidos
 já se tornou possível!
Ontem, quando me deitei, lembrei da última carta que me enviou.
Você dizia que estava à procura de seu namorado,
contudo ele não queria ser encontrado.
E quem não quer ser encontrado não há procura que se localize.
Sei que é culpa minha,
pois aquela minha carta anterior
passou dos limites,
perdoe-me,
mas eu não ligo!
Já te disse(escrevi) milhares de vezes,
que nós somos os não conhecidos
mais distantes que se pode amar.
Você se lembra da nossa primeira carta?
Eu a guardo na minha caixa negra,
pois coisas em constante claridão morrem,
porém o obscuro é lembrado e compreendido.

Saudades,

de nunca ter te conhecido.

Mateus.

Eu odeio muito…”


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Atualizado em: Qua 17 Fev 2016

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