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Colégio Espaço Verde Rosseau, de Cotia/SP, comemora o dia da Língua Portuguesa

Na última quinta-feira, 05 de maio de 2011, o Colégio Espaço Verde Rousseau, no município de Cotia, na Grande São Paulo, fez coro às demais Unidades Escolares dos oito países que hoje integram a Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) e homenageou o idioma português, originário da ex-metrólope europeia.

Desde 2009, por decisão unânime de Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste - os criadores da CPLP, órgão gestor da língua europeia, com sede nas Terras de Cabral, dedica-se o quinto dia do mês de maio a homenagens à Língua e à Cultura de origem Portuguesa. Com um repertório de atividades interdisciplinares, o Colégio Espaço Verde Rousseau mostrou as belezas naturais e os contrastes culturais e socioeconômicos que aproximam e, ao mesmo tempo, repelem as nações que hoje utilizam o português como língua oficial.

Coube ao 5º ano do Ensino Fundamental a abertura do evento. Com trajes indígenas, os estudantes encenaram a “Chegança ao Brasil”, baseado na obra de Antonio Nóbrega e Wilson Freire, cujo tema versa sobre o descobrimento de nossa terra pelos ditos heróis camonianos, ao som do maculelê.

O 6º ano, motivado pela importância da criação da CPLP em 1996 e inteirados de sua relevância como instrumento da unificação dos povos lusófonos por meio do idioma padrão, confeccionou em cartolina o mapa-múndi, destacando o posicionamento geográfico e político dos atuais membros do respectivo órgão. Já o 7º ano protagonizou um dos momentos mais aguardados da noite: a apresentação dos principais pratos gastronômicos das nações lusófonas para degustação do público. “Calulu de carne seca”, “Caldo Verde” e “Abacate recheado com atum” – este último, uma iguaria excêntrica da culinária africana de Guiné-Bissau, entre tantos outros, puderam ser saboreados pelos pais, com direito a uma cópia das receitas apresentadas.

E o show não para por aí, como diria Cazuza, um dos maiores compositores da música popular brasileira. Os alunos do 9º ano apresentaram dados recentes dos membros da comunidade, alguns chocantes, como o de Moçambique, na África, em que 35% da população está infectada pelo HIV. Já a confecção das oito bandeiras, assim como a dança portuguesa ao som de Vira-vira, de Roberto Leal, e o desfile com trajes típicos ficou sob a responsabilidade do 1º ano do Ensino Médio.

Mas o momento mais comovente do evento ficou reservado à entrevista com o missionário angolano Manuel Dlubanza Inácio Dilu, de 24 anos. Estudante de Teologia da Fatesb de Vargem Grande Paulista, ele contou como é viver em um país dominado pela guerra civil. "Eu nasci na guerra, vi de tudo, bombas estourando no ar, iluminando as noites secas e aterrorizantes de Angola; crianças procurando comida no mato, tomando água de riacho, esperando dias melhores, se é que esses dias melhores um dia chegariam... Enquanto o medo aprisionava nossos sonhos, a vida corria por nossas mãos. Era como se Deus tivesse nos esquecido. Estávamos no meio da África, em uma terra rica em minérios, mas com um povo miserável, que lutava dia após dia por um prato de comida. Esse cenário perdurou por 30 anos e só teve fim em 2002…”- conta, com os olhos marejados e a voz dominada pela emoção.

“Mas diferentemente do que pensam alguns, Deus não havia desistido de Angola, não havia virado as costas para a África. Por isso, desistir de viver seria um crime! Um crime hediondo! Era hora de viver e lutar ainda mais por nossos sonhos, porque no limite que separa a dor da felicidade, o pesadelo da esperança, há a mediação de um criador, que do pó fez o homem e do homem um ser a sua semelhança...” – continua.

“Assim como eu, Angola jamais desistirá de sonhar! Seu povo – e eu sou parte dele, apesar de sofrido, é o reflexo de uma nação que jamais se curvará às adversidades da vida e às intempéries do destino! Somos fortes e sobreviveremos com a cabeça em pé... E minha estada no Brasil faz parte desse ideal, afinal, quero angariar conhecimento e levá-lo ao meu povo...” – finaliza, enquanto os olhos, fixos na bandeira africana, reluzem de esperança.

“Já fizemos diversos eventos em nosso colégio, mas este, sem dúvida, entrará para a História, afinal, em questão de uma hora e meia recontamos o descobrimento do Brasil, a forma como ocorreu a colonização, a nossa independência e reafirmamos a Língua Portuguesa como o elo que nos manterá eternamente ligados as demais nações lusófonas” – afirma Tathiana Nicastro Kruppa, diretora do Colégio, ao término do evento.


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Atualizado em: Qui 12 Maio 2011

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