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Ôh, Sujeito! – Como identificar o sujeito numa oração?

    Na escola aprendemos que o sujeito ” é o termo essencial da oração”, ora

ora, mais depois aprendemos que existem orações sem sujeito. Que estranho, hein?

   Também, aprendemos que o sujeito ocupa a primeira posição na frase – sujeito + verbo + complemento. Depois nos ensinam que a oração pode se apresentar na voz passiva. Ou seja, o sujeito sofre a ação, indo para o final da frase. O sujeito difícil!

    Estou disponibilizando um texto que elaborei pra ajudar, pelo menos tentar, melhorar um pouco essa difícil tarefa, de esse “sujeito difícil”. Há alguns critérios, além desses, já mencionados que podemos usar para nos ajudar. Se tem filhos na escola eles vão gostar.

    Identificar o sujeito numa oração não é tarefa fácil. Há alguns critérios que pode nos auxiliar. Podemos citar pelo menos três, o sujeito:  1-É oelemento que se pratica ou recebe a ação expressa pelo verbo(SANTOS, 2003);  2-é o termo sobre o qual se faz uma declaração(CUNHA & CINTRA, 1985; TAKAZAKI, 2002 e SANTOS, 2003)  3- e o termo que concorda com verbo(PERINI, 1996; BECHARA, 2002; ABAURRE, 2003 e SANTOS, 2003). 

   Há casos, em que numa oração nem sempre aparece o elemento praticando uma ação. Isso se dar principalmente quando usamosverbos impessoaisque representam fenômenos da natureza ou quando usamos o verbo haver no sentido de existir.

  Como citado o sujeito, “é o termo sobre o qual se faz uma declaração”. Mesmo, assim, essa definição do sujeito não consegue abranger todos os casos. Como na frase: “Em Belo Horizontechoveum bocado”. Aqui a oração é classificada pela GT(gramática tradicional) como oração sem sujeito, segundo a GT, nessa frase, não deveria estar declarando nada sobre coisa alguma. Já que o verbo chover declara um fenômeno da natureza. No entanto, a oração exprime, claramente, uma declaração sobre Belo Horizonte. Isso demonstra uma contradição entre a definição de sujeito explícita nas gramáticas e a  prática de identificação de sujeitos, tal como se encontra quando da análise de casos concretos.

  Perine, então, nos ajuda entender o que acontece nessa frase e em outras semelhantes. Ele conclui, em suma, que a oração em pauta não tem sujeito  porque overbo ‘chove’ não concordacom nenhum dos termos nela presente.  

   Há casos ainda que os elementos sãodeslocados à esquerda, na tentativa de referenciar o termo sobre o qual sedá a importânciano enunciado. Mas, ao se deslocarem à esquerda, talvez, esses termos, pudessem ser interpretados como sujeito em Português por se apresentarem inicialmente na superfície linguística ou na ordem SVO. Como no exemplo: OTiagoeu conversei com ele hoje. Isso, muitas vezes confunde um estudante do português na identificação do sujeito, já que ele poderá usar a definição de que o sujeito “é o termo sobre o qual se faz uma declaração ou que ocupa a primeira posição na oração.”  Essa frase, então,  reescrita seria: (Eu) Conversei com o Tiago hoje.  Agora fica mais evidente o sujeito(eu), a frase atende as definições dos reconhecidos autores que são: “o sujeito é o termo sobre o qual se faz uma declaração”. CUNHA & CINTRA (1985, p.137.), “o sujeito tem a especificidade de ser preenchido por um substantivo ou um pronome, que deve estar em consonância formal com o núcleo do predicado” BECHARA (1999, p.410).

   Pontes ainda trás atenção outra questão importante: para a autora,interpretaralgumas construções  é uma tarefa complexa e o ouvinte ou o leitor precisará, certamente, de usar seuconhecimentotanto de regras do discurso, quanto da situação em que tal discurso está envolvido (contexto situacional). A GT, certamente, não explicita ou, pelo menos, não considera a situação discursiva em suas análises. Então, para Pontes, identificar o sujeito, vai além de usar todos os critérios citados aqui, ainda se deve olhar para o contexto situacional.

   Diante de disso, no meu ponto de vista, para identificar ‘o sujeito’ é necessário colocar a oração à luz de todos esses critérios. Apenas um deles não dar conta de identificar o sujeito.

   E o critério morfossintático e o que mais dar conta de identificar o sujeito, já que o foco e no verbo, e olhando pra ele conseguimos notar a natureza do sujeito. E podemos também reorganizar a frase no critério svc.

  No caso de:Cantávamos como um passarinho. Se olharmos pra essa frase vai parecer que o sujeito é o passarinho (ser de quem se fala), entretanto se aplicarmos o critério morfológico perceberemos que o verbo não combina com “passarinho” e descartamos logo essa opção. Contudo,se olharmos para o verbo, comparando sua desinência(mos), notaremos que ele apresenta um sujeito oculto “Nos”. Que seria então o sujeito oculto da frase.

   No caso de textos com verbos impessoais como: ”Havia muitos bois na rua”.Além do verbo haver passar a ideia de existir o verbo está no singular e não concorda com “muitos bois”. Muitos bois então não poderia ser o sujeito da frase. Por isso, o verbo haver no sentido de existir – sempre será uma oração sem sujeito segundo a regra gramatical.

   No caso “A Vanda eu acho que tá dando aula”. Esse é um exemplo comum de muitas possibilidades da escrita. Podemos mudar os sintagmas de posição e nesses casos fica difícil perceber o sujeito usando o critério sintático(“O termo que ocupa a primeira posição”), contudo, se reconstruirmos a frase veremos que o sujeito está ali, como o exemplo citado: “Eu acho que a Vanda  tá dando aula”. Nesse caso, (Eu) é o termo que ocupa a primeira posição na frase e o sujeito que também combina com o verbo.

Espero que estes simples detalhes tenham servido um pouco de ajuda. Todos usuários da língua portuguesa sabem que é uma tarefa difícil identificar o sujeito numa oração. A leitura e a prática também ajuda muito. Um abraço a todos!

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Atualizado em: Ter 1 Abr 2014

Comentários  

#4 tania_martins 12-04-2014 11:15
Parabéns!
Abraços.
#3 PauloJose 11-04-2014 17:02
parabéns é preciso salientar mesmo
trabalhos como esses
#2 fernan 04-04-2014 12:59
Obrigado Arnoldo! Nossa língua é muito rica e cheia de regras. Vou ver se posto mais artigos assim. Abraço!
+1 #1 Arnoldo 03-04-2014 16:14
Muito bom seu texto amigo, é sempre preciso textos educativos assim.

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