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Sonho após sonho

Massa destrutiva atemporal que te varre por dentro, às vezes com uma força avassaladora, às vezes como uma briza suave ou sopro leve divino. De repente, você está à beira-mar e um mísero grão de areia te faz lembrar. Você enterra seus pés tão fundo que, quando os traz de volta, traz junto todas as lembranças que tiveram juntas, não todas, mas boa parte delas.
Por vezes, você é pega de surpresa por uma foto, uma música, uma flor, qualquer coisa. Mas já se passou muito tempo, não faz mais sentido chorar, pelo menos não externamente. Então você chora por dentro, em seu peito abre-se um buraco, às vezes o buraco é grande o suficiente para caber você dentro, às vezes nem tanto. Mas você sente e sabe que vai sentir sempre. 
O pior já passou, você já atingiu o clímax, mas aquilo, a marca, vai durar para sempre, até chegar sua vez. E um dia, você espera que sintam o mesmo por você, é triste, doloroso e corrosivo, mas é lindo, profundo e eterno.
Daí você percebe a sorte que a vida te deu, pelo menos uma vez. Uma vez e milhões de outras mais você sentiu o amor. Amor no mais puro sentido da palavra. Não esse amor banal, frívolo, insignificante e baço. Amor de verdade. 
Você carrega marcas infinitas do afeto maternal, protetor e selvagem que jamais sentirá novamente, não nesta vida. Agora, o único jeito de senti-la é através de sonhos, lá você a encontra quase sempre sorrindo, feliz e plena, então você se sente feliz também. 
Você quer sonhar para sempre, só para vislumbrar a figura emblemática e calorosa dela. Porém, você acorda e tudo acaba, ou melhor, quase tudo. No fundo, há uma esperança insensata de um reencontro, onde e como, não se sabe, sua mente não consegue conceber como seria possível, mas a esperança cega, sim, e então você se agarra nisso, sonho após sonho, dia após dia.
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Atualizado em: Seg 1 Abr 2024

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