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O sessentão e a trintinha

Um idoso de primeira viagem, com sessenta anos recém completados, foi detido pela guarda municipal daquela bucólica cidadezinha do interior.
Foi levado à delegacia, junto com uma senhorita de 30 anos, que o acusou de olhar insistentemente e indevidamente para ela no interior de um ônibus municipal.
Segundo ela disse ao delegado, o senhor não parava de fitá-la, mesmo quando ela desviava o olhar e se mostrava insatisfeita com a ação recorrente dele.
Indagado pela autoridade, o acusado disse não entender o teor da acusação por parte da moça e estava surpreso com tal atitude dela.
O delegado perguntou se ele era casado e ele respondeu afirmativamente, e que em mais de trinta anos de casado nunca havia sequer pensado em trair a esposa. E que isso poderia ser atestado por ela e pelos familiares, que inclusive haviam lhe proporcionado recentemente uma belíssima festa para comemorar seus sessenta anos.
Então, o delegado perguntou se ele não tinha vergonha, de com toda essa idade, ficar olhando demasiadamente para a jovem, que tinha a metade da sua idade e havia ficado muito desconfortável com a situação.
Em resposta ele disse:- Vergonha por quê? No meu tempo de jovem, doutor, olhar era sinônimo de admiração, paquera, início de namoro, inclusive eu e minha esposa nos conhecemos através de olhares inicialmente, e só depois de algum tempo é que começamos a conversar e ficar mais íntimos, o que durou alguns meses. Bem diferente de hoje em dia, onde um simples olhar já pode até virar um crime, se o entendimento for equivocado.
- Aliás, naquele tempo, algumas moças até ficavam um pouco chateadas quando a gente não olhava para elas, pois se sentiam inferiorizadas em relação às outras talvez um pouco mais belas, que eram admiradas com mais insistência pelos olhos dos rapazes. Porém era outra época, mais romântica e menos fria, mais suave e menos violenta, mais poética e menos prática, onde a música sublimava as tristezas e as canções embalavam nossos sonhos juvenis em direção aos nossos objetivos futuros.
O delegado, que era quase da idade da senhorita, para tentar encerrar o assunto da melhor forma possível, disse que ia elaborar um boletim de ocorrência, o famoso B.O., e caso ele voltasse a insistir no feito, que poderia inclusive ser acusado de assédio, e até ser preso, pois atualmente olhares indiscretos e incisivos, podem ser classificados como tal pela lei.
Então, antes que o delegado chamasse o escrivão, o senhor apresentou um laudo do seu oftalmologista, o qual relatava que ele era estrábico.
E concluiu, para espanto de todos: - Pode até ser que por um instante eu até tenha olhado para a jovem pela beleza que lhe é característica, porém na maior parte do tempo eu olhava com certeza para outro local e meus cansados olhos me traíram pelo estrabismo que possuo.
O delegado cancelou o B.O., e a moça encabulada e envergonhada olhava admirada para o senhor, que com muito bom humor exclamou:
- Cuidado menina! Posso te processar por olhar demais para o sessentão aqui!
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Atualizado em: Qua 1 Jun 2022

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