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Passeio ao Pateo do Collegio

Dia de passeio ao Pateo do Collegio. Resolvi marcar uma vista ao local com alguns alunos e alunas. Atividade relaxante para sair da neura das tralhas dipersivas de mão e tentar motivar os discentes à leitura da História. Quem sabe, né? Saímos do metrô São Bento, caminhamos pela Rua Boa Vista e por fim chegamos ao destino. Ao chegar, sou abordado por um pedinte. Geralmente sou abordado em duas ocasiões: pedem dinheiro ou raramente alguma informação sobre História. Como não tenho dinheiro, o sujeito só poderia ouvir História, coisa que ele não se interessou. Um aluno fala:

- Professor, professor! Meu celular deu problema, ajuda aqui, faz o favor!

Ai, ai, ai! Justamente aquilo que eu não queria! Arrumo aquela tralha na medida do possível e ele agradece. Entramos e ocupamos algumas mesas do café. Tomamos enquanto alguns mais interessados tratam de ver a obra de Bartira e Anchieta de Eduardo Sá e a parede conservada de outra época no local. Alguns tiram fotos, fazem selfie com o busto do Pe.Manuel da Nóbrega, uma joga o cabelo do lado mascando chiclete e já dou o primeiro sermão no lugar do imóvel padre:

- Ei, tira foto mas sem ficar fazendo pose, mocinha. Aqui é um local religioso.

- Desculpa, professor. Ele tá gatão, jeitão sério, adorei.

- Menina, o que é isto? Comporte-se!

Eu mereço, viu! Resolvemos dar a volta na parede antiga, há mesas ali com assentos, ficamos. Expliquei que ali havia sido fundada a cidade de São Paulo, levantamos algumas questões sobre a data da chegada dos portugueses por lá, alguns historiadores apontam que foi 29 de Agosto de 1553 e 25 de Janeiro de 1554 foi algo pensado para homeneagear Paulo de Tarso e sua conversão ao Cristianismo.

- Professor, a aldeia do Tibiriçá era aqui?

- Não. Provavelmente mais próximo do rio abaixo e um pouco distante. Esta área é sagrada para os indígenas porque forma um Triângulo que se olharmos no mapa corresponde as ruas XV de Novembro, Direita e São Bento.

- Ali tem um altar. É da primeira missa?

- Não! Ali é o altar que o Papa João Paulo II rezou a primeira missa de um Papa quando visitou o Brasil. Quem rezou a primeira missa foi o Pe.Paiva que segundo consta era primo de João Ramalho.

- Este João Ramalho não é o fundador da cidade de Santo André?

- Ele mesmo. Também abriu a Câmara Municipal de São Paulo sendo um Vereador na época como conhecemos hoje. Ele também ajuntou-se com Bartira, a filha do cacique Tibiriçá e tiveram 9 filhos.

- Eita porra!

- Fala baixo! Aqui não é lugar para palavrões! Comportem-se!

Saímos dali ao som de passarinhos que cantavam. Uma aluna ainda tirou uma selfie com o periquito. Na parte externa alguém pergunta.

- E aquela ninfeta lá em cima, professor?

- Ninfeta? Aquela mulher lá no alto representa cidade de São Paulo e este monumento chama-se Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo. Vejam que em volta há figuras daquela época que foram colocadas para exaltar os fundadores da cidade. Todo 25 de Janeiro, aniversário da cidade, colocam-se coroas de flores aqui, há hasteamento da bandeira, aparece o Prefeito...

- Eles estão sepultados aqui, professor? Ai que medo!

Santa ignorância!

- Não! Só sobraram os restos mortais do cacique Tibiriçá que estão guardados na Catedral da Sé. Ali na igreja é possível ver o fêmur do Pe.Anchieta mas não pode fotografar.

Entramos na igreja. Todos(as) ficam observando aquilo. Leem algumas explicações. Pegamos o acesso para irmos no Museu da Imagem de São Paulo ao lado do Solar da Marquesa. Um fala:

- Professor, o que é este Beco do Pinto?

Todo mundo ri. Falo:

- Vocês parem com isto! Deixa eu explicar. Este nome é uma homenagem ao antigo morador do Solar da Marquesa de Santos, este prédio aqui, o Brigadeiro José Joaquim Pinto e foi aberto por volta de 1821 aproximadamente.

Como um só espiou o Museu da Imagem de São Paulo e não entrou optamos visitar o Solar da Marquesa. Logo, uma aluna fala:

- Professor, é nesta banheira que ela fazia "amor" com o Imperador?

Todo mundo ri e eu fecho a cara. Fico com vergonha! Aluna doida! O pior que falou na frente e alto diante da guia do local! Ai, ai, ai! A moça ri e explica. Outro mais avançado já sobe as escadas batendo o pé como fosse um militar marchando. Chamo a atenção.

- Se comporta ou não te trago mais. Fique ao meu lado!

Explicações dadas, a guia sobe as escadarias. Entramos no local onde era o quarto da Marquesa. A guia explica e vejo dois rindo e cutucando um ao outro. Só ouço:

- Não era na banheira! Era aqui!

Olho feio e mando calar-se! A guia visita todos os cômodos. Existem louças, artefatos da época, a parede da época estava sendo restaurada, uma beleza! Por fim, descemos, olhamos mais um pouco, ganhamos um material para leitura e saímos. Passamos novamente em frente ao monumento "Glória Imortal" e falo:

- Tem uma foto da época da Revolução de 1932 que foi tirada daqui provando que este monumento já existia. Tem na Internet. Aqui foi um local de alistamento de voluntários em 1932. No Pateo do Collegio, antigamente, era a sede do governo paulista e os dois Imperadores do Brasil passaram aqui. No dia da Independência, inclusive, após o ato lá no parque, este hospedou-se aqui.

- Professor, tira uma dúvida.

- Sim.

- Quem foi o analfabeto que escreveu colégio com dois l?

- Eles mantiveram a escrita da época, meu jovem. Não são analfabetos. Questão de preservação histórica da língua.

Resolvemos almoçar num restaurante e cada um tomou seu rumo para casa após ligar para seus pais. Ufa! Dia terminado! No dia seguinte, um fala:

- Quando vamos ao Parque da Independência onde o Imperador teve uma diarréia?

- Comporte-se! Use um termo mais suave como males intestinais. Veremos! Só levo se vocês escreverem tudo que aconteceu no Pateo do Collegio.

No outro dia chegaram algumas redações na minha mesa. Ao menos aprenderam alguma coisa. Valeu o passeio.
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Atualizado em: Qua 18 Maio 2022

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