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A place we knew - Dean Lewis

— Você sabe que não precise de maquiagem não é? Não existe nada na Terra que poderia te fazer mais bela.
Ela olhou diretamente em meus olhos através do espelho, deu de ombros e sorriu. Eu juro que cada vez que ela sorria eu podia ver o céu se abrir novamente. Ser amado por ela era como ser puxado de volta para a vida, acordar de um pesadelo assustador e presenciar um milagre, tudo ao mesmo tempo.
— Que tal você tomar um banho antes que a gente acabe se atrasando? — disse ela enquanto soltava seus cabelos.
Me levantei da cama e fui em sua direção, beijei o topo de sua cabeça e encontrei seus olhos no reflexo do espelho.
— Você tem alguma ideia do quanto eu te amo?
— Tenho certeza que não chega ao quanto eu te amo. — mais um sorriso. — Agora você precisa ir tomar banho, ou será que eu deveria mudar de ideia?
Peguei minhas coisas e entrei no banheiro enquanto ainda a ouvia gargalhando. Na próxima hora eu estaria casado com a mulher dos meus sonhos, finalmente depois de 5 anos insistindo e superando obstáculos, indo contra as marés e contra as chances, finalmente ela aceitou dar o último passo, deixando nossos corações feridos para traz.
Ouvi duas batidas na porta do banheiro, em seguida a ouvi dizer algo sobre ir buscar gelo e que eu me apresasse e então o som da porta do quarto batendo anunciando sua saída.
Sai do box e me sequei, entrei no quarto e não encontrei minha noiva, vesti minha cueca e minha calça. Enquanto eu procurava minha camisa branca eu ouvi a sequência de sons mais aterrorizantes de toda minha vida. Um tiro e um grito.
— SCOOOOOOOT!
*****************************
Acordei completamente suado. Dois anos tendo o mesmo pesadelo, dois anos revivendo o pior dia da minha vida. Me levantei e olhei para o relógio pendurado na parede, 4 horas de sono, 4 horas de terror. Todas as vezes que eu fechava meus olhos eu a ouvia gritar, depois eu corria para fora do quarto apenas para encontrar o vazio de uma noite escura. A mancha de sangue no chão, sua echarpe preferida mas ela não estava lá, alguém a havia levado.
Me arrumei e sai para o trabalho, o céu estava escuro, anunciando a chuva. Passei pela recepção do hotel, acenei para o gerente que me devolveu o cumprimento com uma carranca. Fazia 10 meses que eu estava morando no quarto do hotel, talvez seja a hora de mudar. Foram 7 hotéis no espaço de 2 anos, minha família insistia para que eu encontrasse uma casa, que eu construísse um lar, que isso ajudaria. O que eles não sabem é que morar em quartos de hotel é a única coisa que me mantem conectado a ela, me lembra de nossas noites dormindo em quartos de hotel, das aventuras, nossa história. Não existe um lar para mim, mas eu ainda posso viver com as memórias.
Parei para pegar um café, meu novo melhor amigo. Esperei na fila por alguns instantes, chequei meu celular, observei as mesas ao meu redor, foi quando ouvi sua risada. Olhei para cima em direção ao som, meu coração batendo tão rápido que ameaçava rasgar meu peito. Encontrei seu olhar e seu sorriso sumiu.
Seus olhos cinzas m encararam de volta, cheios de confusão. Estendi minha mão para tocar seu braço apenas para m certificar de que ela era real. Minha lagrimas se acumulando, dei um passo em sua direção enquanto ela apenas me olhava.
— Ana?
Puxei seu corpo em direção ao meu, fechando meus braços ao redor da mulher que eu jurava ser uma esperança perdida. Funguei o cheiro de seus cabelos e a segurei como se estivesse segurando o mundo todo em meus braços.
Senti suas mãos pequenas contra meu peito, me empurrando para longe, seu olhar ainda mais confuso e meu peito se rasgando em dois com a rejeição. Busquei o reconhecimento em seus olhos, mas não encontrei conforto, e quando ouvi sua voz após tanto tempo desejando isso ouvi a frase que estaria presente nos meus novos pesadelos:
— Me desculpe, mas quem é você?
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Atualizado em: Seg 5 Jul 2021

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