person_outline



search

Denver - O Zumbi da Alegria

 denver

            Creio que nem tudo é fantasia, posso até garantir que em alguns momentos de sua vida houve tristezas arrependimentos e perdas. Mas e se eu dissesse que mesmo assim você é uma pessoa de sorte? E se a sua maldição fosse sorrir eternamente? Não, seria algo macabro ou impossível de imaginar.
            Todavia eu não vou contestar sua opinião, pois estou aqui apenas para registrar a experiência que vivi em pleno século dezoito. Aliás, meu nome é Denver maxuel Olivier ou mais conhecido como *o zumbi da alegria*. Está pronto?
            Tudo começou quando eu era uma pequena criança inocente, fui criado por pais irresponsáveis e maus. Sim aqueles que fazem você questionar se realmente a humanidade deveria existir.

            Ao final de 1901 quando completei 10 anos fui diagnosticado com uma doença simples, mas traiçoeira: A Pneumonia. Nessa época os remédios eram escassos e como éramos pobres não tínhamos recursos. Além disso, a cidade passava por um surto de tuberculose. Por meses lutei, mas não resisti e no dia 12 de janeiro de 1902 vim a óbito.

            A história deveria ter parado por aí seria perfeito! Descanse em paz. Vá com Deus! Mas não. Acordei debaixo da terra como se estivesse despertando de um sono profundo. Eu era um morto-vivo adolescente.

            É claro que nada mais era igual, meu rosto estava deformado. Olhos esbugalhados, carequinha, dentes para frente afiados, pernas tortas, braços caindo e um belo sorriso forçado. Uma aberração sobrenatural vista como atração principal na pequena vila no interior de São Paulo.

Fui recebido de braços abertos por todos os amigos, familiares e parentes vindos do além. Até minha mãe e meu papai começaram a me amar, isso foi sinistro.

            A cada ano que passava eu crescia e me desenvolvia até alcançar os ilustres 21 anos. Depois era como se o tempo parasse para mim.
O único problema nisso tudo era a minha alimentação regrada a carne podre. Uma vez a cada 60 dias eu precisava comer e a fome só aumentava.

Até que uma noite chuvosa com raios e trovões trouxeram um caminho melancólico para o meu destino. Perdi completamente o meu controle. Minha consciência cegou-se por completo.

Em meio a lama e grama verde corri desengonçado entre as casas de madeira com meu machado predileto.

Batendo nas portas com três marretadas fui decepando a todos sem dó ou piedade.
            Atualmente moro no mesmo lugar, porém sem ninguém isolado do contato humano. Queria poder dissolver o mau que fiz, mas não se pode mudar o passado.
            Aquela madrugada sangrenta me serviu como um banquete e por mais vazio e triste que eu estava o meu sorriso continuava lá. E como castigo deve permanecer por toda a eternidade escondendo a dor que sinto.
Pin It
Atualizado em: Sex 10 Jul 2020

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222