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2 A Despedida

Como poderia eu lutar contra tamanha sua nobreza após ter vendido meu corpo e minha alma em troca de poder contemplar a sua beleza, ouvir sua voz bela e doce em meus ouvidos, mesmo que por comandos que obedecia sem nem uma discordância. Me sinto agora inútil, um mero humano a mercê de demônios das mais diversas aparências, com os mais estranhos gostos. Perto de ti me sinto vulnerável.
Sinto que não poderei destruir esses demônios que hoje me rodeiam, que parecem abutres rodeando seu trono a espera de migalhas de meu pobre corpo caírem de seu prato. Sim, ainda me sinto vivo, mesmo que isso não me vala de nada, pois em sua cama não passo de um objeto de prazer. Sei que serei entregue as feras assim que não lê for conveniente e sei que de lá só voltarei quando me tornar um de vocês. Admito aceitar isso sem nem uma objeção, e ainda afirmo que me sinto bem com suas escolhas. Não irei negar que aos poucos estou aceitando meu fim como seu servo e despedindo dessa vida. Peço para que quando meu fim chegar eu não me torne um de vocês.
Ainda sou relutante em tornar um mostro como vocês, sem alma, um sangue suga que tira desses míseros humanos sua vitalidade assim como sua humanidade e os afunda em orgias e prazeres mundanos. Sei que de minha alma não resta nada para se alimentar, sei que de meu corpo você já desvendou todos os mistérios que restavam. Mas a algo que ainda não me foi tomado ainda, você, com sua pele macia e doce, com seus cabelos sedosos e volumosos, com seu olhar misterioso e com seus lábios aveludados com vermelho de meu sangue.
Sei que sobreviverei mais uma noite ao seu lado mesmo sem saber até quando. Mas dentro de mim ainda resta a consciência de que não serei mais seu servo.
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Atualizado em: Dom 29 Mar 2020

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