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Conversa Com Meu Diário

20 de fevereiro
Primeiro dia após o término, ainda é difícil acreditar que a pessoa por quem dei tanto me deixou por tão pouco. Infelizmente o destino nos fez morar em cidades diferentes e acho que isso desgastou nossa relação mais do que nós podíamos imaginar.
Ainda consigo ouvir a voz da Fernanda no telefone – Preciso de um tempo para mim, não está dando certo ficar tão longe, eu preciso de alguém aqui, comigo, que eu possa conversar a qualquer hora. Eu ainda gosto de você mas não é como antes. Sinto muito… - acho que seria mais fácil ouvir que ela tem outra pessoa, que a gente já não tinha mais nada a ver.
21 de fevereiro
O despertador tocou sem eu ter ido dormir ainda – eu realmente preciso ir às aulas? - não preciso de ninguém pra me dizer que nada mudou, nada, além do fato de uma parte de mim estar quebrada, e eu não saber se exite como concertar isso. Desanimado tomo um banho e vou pra faculdade, hoje começa meu terceiro semestre, isso deveria ser motivo de felicidade.
Chego na faculdade com o pensamento ainda distante, as pessoas começam a notar a diferença logo na primeira aula, como o professor de fisiologia gostava de falar, eu não sou um aluno turista, não estou aqui a passeio, sempre dou o melhor do primeiro ao último minuto de aula, mas hoje não, hoje sou mais um no mar de gente, não sou apenas estou.
Resolvi faltar às aulas da tarde, a falta de sono finalmente cobrou seu preço e não estava me sentindo bem. Cheguei em casa e fui checar o aplicativo de mensagens, cinco mensagens de amigos mais próximos perguntando o que aconteceu, respondi a alguns contando sobre o fim do namoro ainda sem acreditar nas palavras que escrevia e fui dormir.
22 de fevereiro
Acabei dormindo mais do que desejava, são 6:30 h e estou escrevendo do ônibus, acho que vou adotar este hábito de trazer o diário pra faculdade, realmente escrever me faz me sentir melhor.
Já é hora do almoço, tive que parar de escrever pois alguém sentou ao meu lado no ônibus, não quero que as pessoas saibam que eu ainda uso diário. Agora estou conversando com meus amigos sobre as férias, o Caio como sempre foi pra alguma praia, não consegui prestar atenção em qual já que estava escrevendo (talvez não seja uma boa ideia fazer isso enquanto converso com eles). Voltarei a escrever a noite.
Bom, como já imaginava o dia pareceu se desenrolar muito lento, mas finalmente consegui chegar em casa. Depois do almoço fiquei conversando com o Rafael e a Paula até as 14 h, na verdade eles ficaram falando e eu balançando a cabeça, ainda não estou bem para ficar feliz com o fato do professor sei lá quem não vá dar aula esse período porque está afastado por sei lá qual motivo e quem vá substituí-lo será outro professor que tem uma média de aprovação muito mais alta. Parece que alguém saiu contando pra todos que não estou mais namorando e todo mundo estava tentando me animar pra que eu não faça nenhuma besteira, não posso dizer que seus esforços deram resultados já que tentei ligar três vezes e mandei várias mensagens pra Fernanda.
23 de fevereiro
Hoje é aniversário do Túlio e todos vão pra um barzinho comemorar e fazem questão que eu vá, mesmo eu tendo repetido mais de mil vezes que não estava muito bem pra ir. Nota sobre meus amigos: Eles são extremamente convincentes e não têm nenhum escrúpulo.
Cheguei com mais de 1 h de atraso, a mesa estava lotada, o que eu não acharia um problema antigamente, mas eu não sou como antigamente, ainda estou com alguma coisa faltando, se conheço bem meus amigos o fato de termos mais mulheres que homens na mesa deve ter alguma coisa haver com essa situação, mas nenhuma me chamou realmente atenção. Cheguei em casa agora, e a única coisa que quero é ouvir Lanterna dos afogados na versão da Maria Gadú. Pode ser estranho por você ser um diário novo, mas terá que se acostumar com meus gostos ecléticos para música (e também com o fato de escrever em você como se estivesse conversando com alguém).
24 de fevereiro
Acho que ri pela primeira vez hoje, não tenho certeza se foi antes pelo estado que estava, mas o fato de metade da sala tomar um sermão por feder a álcool e dormindo é um bom motivo para rir. Agora estou indo almoçar com o Túlio e a Ana, já que o resto da galera vai “matar” as aulas da tarde.
Eles me contaram que depois que saí resolveram estender a comemoração até as 5h e o dono o bar já estava fechando quando saíram, o que quer dizer que o dono do bar estava jogando água em tudo que estava no bar, incluindo eles (sim, ele tem o costume de fazer isso, não, ninguém deixa de frequentar o bar dele por isso), por isso o sono da galera hoje. A tarde de hoje não passou tão lenta já que eles ficaram me contando tudo que aconteceu ontem. Mas como nem tudo são flores temos trabalho pra entregar na próxima semana (a parte boa? O trabalho não é em grupo. A parte ruim? É sobre a matéria estudada essa semana, e eu não consegui prestar atenção em nada essa semana!!!).
12 de março
Ok! Eu tentei escrever todos os dias, mas é muito mais fácil esquecer você na cabeceira da minha cama que te levar pra faculdade. Sobre os dias que não escrevi: apenas mais do mesmo, quinze minutos de felicidade no meio do dia de tristeza. Mas já posso dizer que estou um pouco melhor, até arrisco dizer que não estou tão afetado pelo término (em menos de um mês? Temos um novo recorde de desapego aqui em Guinness?!), meus amigos agora estão inventando motivos aleatórios pra não me deixar sozinho, não sei o que eles acham que posso fazer se estiver lendo na biblioteca, mas a Ana e a Larissa (essa última que eu nunca vi dentro da biblioteca antes) adoram me ver escolhendo qual livro sobre handebol vou ver hoje (sim, sou viciado em handebol, o que posso fazer se é o que sou realmente bom?!). Ps.: Trilha do dia de hoje: Tiago Iorc – Dia Especial.
Ps2.: Meu deus esse clipe é muito lindo.
15 de março
Hoje a Larissa me deu uma ideia sobre o que fazer em relação a você, já que não consigo escrever todo dia, por que não passar tudo que já escrevi pro celular e escrever por lá?! Acho que vou fazer isso e te aposentar de vez. Então essa pode ser a última vez que escrevo em você. Hoje o professor nos passou o trabalho final em grupo que será monitorado por alunos que já fizeram essa matéria com ele, pessoalmente não gosto de trabalhos em grupo, mas como vai ter alguém de fora olhando vou acreditar que vai dar tudo certo, meu grupo vai ser a Ana, o Túlio e mais dois caras. Não tenho muito a falar sobre eles.
Como você estava aposentado aqui na minha mesa resolvi voltar a escrever em você, só que de um jeito diferente, espero que goste (estou ficando louco, realmente acho que um diário pode ter emoções?)
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Após chegar na sala de aula, tinham várias pessoas diferentes sentadas nas primeiras cadeiras, o professor nos avisou que eles seriam nossos monitores e que seriam divididos aleatoriamente entre os grupos. Eles eram 4, Marina – uma loira bem alta que me lembrava um pouco aquelas mulheres que fazem propaganda de Havaianas na televisão – Márcio – um cara com cabelo raspado e sotaque do sul, me lembrava bastante aqueles lutadores do UFC (acho que pelo fato de ter a “orelha de jiujiteiro”) - Ingrid – uma ruiva não muito alta, com olhos verdes que chamavam muita atenção – e a Isabela – que se destacava de todas as outras mulheres que eu já vi andando aqui na faculdade, é uma morena do tamanho da Ingrid, mas com corpo de atleta (e que eu posso jurar que faz crossfit ou academia), e olhos castanhos claros. Cada monitor ficou responsável por 2 grupos, o Márcio será o responsável pelo meu. Depois de divididos os monitores tivemos quinze minutos para conversar com ele para definirmos os temas do trabalho e conhecermos melhor o monitor.
Na hora do almoço a cantina estava vazia, em véspera de feriado geralmente ela ficava assim, então conseguimos juntar várias mesas pra minha turma almoçar junta, descobri que os monitores estão todos formando nesse semestre por isso aceitaram ajudar no trabalho para ganharem horas acadêmicas – um tipo de hora extra que é necessária para se formar – dentre eles só a Marina quer seguir carreira em academia, os outros pretendem fazer mestrado e dar aulas.
Ao chegar na biblioteca vi um banner avisando sobre um ciclo de palestras que vai ter aqui na faculdade na próxima semana, logo me inscrevi pois não quero ter que fazer trabalho de monitor para conseguir horas no final do curso. Então fui pra uma mesa e comecei a estudar um pouco até que apareceram a Ana e a Larissa falando que também tinham se inscrito. Passamos a tarde toda conversando, perguntaram se já estava melhor sobre a Fernanda – pra ser sincero eu ainda lembro dela em dias ruins – disse que passado é passado e que já estava gostando de outra pessoa, tentando terminar logo o assunto.
Segunda-feira, como eu odeio segundas, pelo menos hoje as aulas foram canceladas para ter as palestras, a primeira foi: “Marketing Digital e Empreendedorismo – Estrategias do século XXI”, foram cinquenta minutos de uma pessoa nos falando para criarmos um site para nossas empresas – Que empresa? - na segunda palestra tivemos alguém que realmente sabia o que estava falando, o tema era “O Sabedoria do Silêncio – Fale Menos e Diga Mais”, meu caderno ficou cheio de anotações do tipo: “Você fala tão alto que eu não consigo entender o que você diz”; “Os sábios falam porque têm algo a dizer; Os tolos porque eles têm que dizer algo.”, etc. Mas no final ele disse algo que me intrigou bastante: “Uma simples palavra pode fazer você mudar sua vida, pense bem até em quando você dirá ‘Oi’ para alguém.”
Após as palestras fomos dispensados e pudemos ir pra casa, fomos todos pro barzinho já que estava perto do aniversário da Ana. Era um daqueles bares onde têm jukebox e você pode ficar escolhendo as músicas que vão tocar – devo admitir que meu gosto eclético não agradou a todos que estavam no bar naquela noite, tocou de Oásis até Jorge e Matheus – eram quase 23 h quando um cara se aproximou da nossa mesa e perguntou quem estava escolhendo as músicas, foi quando percebemos que só tinha nossa turma e a dele no bar, todos disseram que era eu, achei que ele reclamaria mas ele queria apenas revesar com nossa mesa, ou seja, cada hora uma mesa escolhia a música. Depois de um tempo, vi que outra pessoa foi pra jukebox mudar a música, quando virei pra ver quem era fiquei sem palavras. Ela apenas disse:
- Oi!
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Atualizado em: Seg 22 Out 2018
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