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Estado vegetativo

Arruda, sujeito calado, vive de maneira quase robótica. Acorda, toma o café, escova os dentes, vai trabalhar, e assim em diante. Todos os seus dias parecem iguais, o que aparentemente não o incomoda; aliás, pergunto-me se alguma coisa o incomoda - ou estimula.

Isso porque Arruda está sempre com o mesmo semblante: pálido, apático e moribundo. Não parece nem mesmo o caso de um sujeito tímido, amedrontado, que não esboça reação por conta do receio do julgamento alheio. A reação não vem porque ela não existe mesmo.

Arruda é casado e tem dois filhos, mas fala só o imprescindível com sua esposa e sua prole. O prescindível ele deixa pra lá, afinal, manter relações humanas dá trabalho - e trabalho ele já tem de sobra, na medida em que, apesar da carga horária semanal de 40 horas, extrapola seu horário todos os dias, inclusive aos finais de semana, quando é requisitado.

Passividade em pessoa, Arruda vive para o trabalho - e acaba engolido por ele. Aliás, Arruda vive? Às vezes, acho que não...
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Atualizado em: Seg 8 Out 2018
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