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Gosmento

Quando endereçamos desejos pelos objetos deformamos todas as realidades possíveis nos transformando e apodrecendo o natural.

O rosto ardeu diferente na manhã fria e cinzenta – carros, palavras e cores luminosas passavam numa explosão desordenada de fuga. Tudo em volta tinha aspecto de última vez e um homenzinho manco e mal vestido encostou-se no poste sem se importar vomita e amaldiçoa sua vida, quer saciar o organismo com qualquer coisa que faça sumir a desconhecida sensação irritante, imita a locomoção das lesmas deixando rastros existências no asfalto. Qual lembrança pode ter, que tipo de homem é? A muito tempo age como invertebrado desfaça a desgraça retalhando a mente pré-humana imitando as lesmas por conforto, vive no lodo porque é macio e confortável, lá é a fonte de satisfação. Chega em casa, detesta sentir o cheiro do próprio bafo, o lar não tem lembranças quase vazia com o branco amarelado reflete o homenzinho. Lugar oco, caverninha desprovida de sonhos. Estava escorrendo do rosto e das mãos uma secreção da cor de sua pele melando o chão sem dar importância tirou a roupa e foi tomar banho.
Os pensamentos estavam no passado simples e tedioso nos momentos de felicidade forçada, em diversão e pequenas vitorias que resultava sempre em dividir a cama com alguém, estava estranho naquela manhã as coisas a sua volta se moviam e misturavam-se, desligou o chuveiro estava queimando em febre.
Os olhos doíam queriam saltar do rosto e saltaram. Passou as mãos no rosto e grudaram, com força puxou e arrancou um bom pedaço da cara levando nas mãos parte da barba e cílios, estava cego e dentro de si os órgãos estavam mudando. Estava perdendo rins, fígado, baço, pâncreas e se tornando aquilo que sempre quis. O cérebro estava ficando pequeno quase inexistente. Como não pensava mais começou a morar no banheiro lugar úmido e cheio de comida, arrastava-se de vez em quando deixando sua gosma por todo banheiro. Estava livre não precisava de mais nada.
Mas o verão chegou ficou impossível viver no banheiro, arrastou-se pra fora, mas na sala o sol era impetuoso estava começando a perder líquido, a luz o deprimia. Continuou procurando um lugar na casa que fosse suave para viver. Nessa procura foi até a cozinha, tinha resto de comida podre na lixeira, a pia estava do jeito que sua primária vontade gostava, com gula subiu o mais rápido que podia e esbarrou no saleiro, meio quilo de sal caiu por todo seu corpo deixando na pia uma papa gosmenta que desceu pelo ralo.























































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Atualizado em: Seg 18 Jun 2018
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