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Prédios

1
Milhares de prédios colados como irmãos siameses, tétricos e decadentes com o significado perdido a tempos incontáveis. Colônias de criaturas degeneradas que são reflexo de experiências mal sucedidas. Pós-humanos vivendo de restos tendo como única motivação de vida o canibalismo.
Galerias semi-iluminadas o fedor úmido de suor, ódio sem palavras, merda, covardia, carne em liquefeito, paredes mofadas cheias de gavetas que um dia foram chamadas de casas. Prédios a ultima prisão de novos doentes cheios de novas doenças a pós-humanidade uma mutação bestial que possui a violência como único bem de consumo.
O cheiro sublime o animal desperta, sai de sua casa esfregando a cara com a mão esquerda e com a direita alisa a barriga, está com fome isso é o que importa, urra com força os pés tocam no solo gosmento, corre dando pra ouvir-plof, plof, plof... outros três dominam uma caça grande e roliça, estão prontos para os golpes de morte, começam a atacar. pedradas na cabeça, mordidas, pauladas, o animal nem reage, pouco depois caem de quatro felizes lascando a enorme barriga expondo músculos e parte do intestino sugando o sangue com rapidez, arrotam e voltam a morder colocando a presa de bruços mordem as costas deliciam-se mordendo a bunda, estraçalham a vitima e arrancam a cabeça. satisfeitos dançam como se os corpos estivessem desconjuntados imitando os espasmos da morte. a dança final.
Alimentados e felizes ficaram em pé, olham-se sabendo o que deve ser feito pegam as sobras e arrastam pelos corredores marcando o chão de sangue, precisam joga-lo em qualquer lugar longe deles, cheiro de mijo, merda, sangue e sexo em desuso, no caminho velhos esfarrapados muitos sem braços e pernas com feridas nos peitos, crianças comendo merda, fêmeas cheias de retalhos e descabeladas fugindo das centenas de machos no cio, uma escadaria a frente – lixo, moscas e vermes. restos de civilidade caminham escada abaixo.
Montanha de lodo; milhares de seres mortos unidos com vários sorrisos derretidos e inchados, montanhas de mofo e caos dançante exalando o único perfume que conhecido nas galerias. arremessam os pedaços no cemitério improvisado, as escondidas um grupo acostumado a comer sobras, camuflados parecem estar mortos mas quando surge alimento retornam a vida saindo do lodo esqueléticos com cabeças enormes mostram os dentes afiados e podres, babam, gritam e atacam a nova carcaça, disputam as sobras frescas, o vencedor agarra a fêmur acima da cabeça e os outros se afastam esperando os restos.
O ar é quente e pesado, gases se desprendem dos corpos criando canções melancólicas e esverdeadas, musicas visíveis. o bando separa-se entregues ao ócio, é dia e cada dez passos uma janela, mas ninguém se atreve a admirar o mundo instável e a pouca luz que vem de fora deprime toda raça de prisioneiros.
Uma fêmea está perto de parir a dor é forte o filho quer sair e viver! Ela cai apavorada, aumentam às contrações, ploft, a criança nasce e o corpinho mergulha no lodo, não há choro, nasceu e ainda está ligada a mãe. liquido amniótico, pedaços de placenta, fome, lodo. cheiro de nascimento misturado com morte, vida e morte materiais pastosos, a fêmea mãe sem maternidade faminta arrasta a bunda e o sexo dilacerado no parto, a criança colada pelo cordão nem parece viva ela tremendo agarra um pedaço de placenta que é um pedaço de si mesma e leva a boca, mastiga, gosta do sabor e engole. em pouco tempo come todo o involucro que protegia o filho, se dá conta que há um cordão grudado unindo ela e o serzinho morto, quase sem força agarra o cordão e arrasta o pedaço de carne para mais perto, com surpresa admira a carnezinha, é o mais perto que se pode chegar da maternidade, a fome aperta e com o braço esquerdo levanta o recém nascido, os bracinhos balançam a mãe salivando não aguenta e morde o bracinho carnudo e macio. Carne de criança é carne de primeira. arranca um bom pedaço então a criança reage! chora exibindo pequenos dentes afiados e podres, assustada arremessa o filho longe, ploft, será que está terminado? fraca deita estirada .o ar é morno as paredes cinzentas e esverdeadas, o chão é um mar de meio palmo de lodo, a mãe sente dor no dedão mas não tem força para reagir, depois na coxa, boceta, fortes dores na barriga. viu seu filho mordendo o seio esquerdo, sangue e leite materno a criança bebe e mastiga, sem forças ela fecha os olhas para nunca mais abrir.
Em muitos prédios existem maquinas enormes e padronizadas que simultaneamente emitem ruídos metálicos, gritos irritantes e sem vida, velhas máquinas que expelem por enormes buracos remédios, milhares, centenas de milhares de comprimidos, há diversas cores. todos esperam ansiosos os vômitos das máquinas, caem na imundície, engolem a ultima invenção mergulhados em desordens fétidas e pastosas tentam matar a fome. lutam esqueléticos insatisfeitos em completa harmonia imitam as maquinas vomitando e expandindo o vazio.
Noite. rastejam submersos em pequenas vontades, prédio quase sem vida, apenas duas criaturas a se olharem rosnam mostrando os dentes cheios de ódio que reverbera pelas paredes, fome e medo, estão presos no mundo sem lembranças não sabem como viveram tanto nem se perguntam apenas observam um ao outro como a única forma de prazer, gritam com força, medo e fome, quem vai reagir primeiro? suor salgado, braços, pernas, pescoço, barriga. em movimento oferecem o prazer dos sentidos saturados e modificados. rasgões, mordidas. Sangue sem cor escorrendo, bebem um ao outro juntos no ultimo ritual religioso mastigam o melhor das carnes, inconscientemente adoram um deus morto em estado decomposto. no final apenas escuridão.
Comem merda, colocam nas mãos a massa morna recém saída dos intestinos. mastigam e engolem, alguns brincam passando a merda pelo rosto a excitação está no auge sentem vontade de sexo. violentam e rasgam, untam tudo que podem tocar com merda. o frenesi parece eterno, vomitam e gozam , sodomizam, o ar se torna mais podre ainda, enchem o lodo de esperma, subjugam os mais fracos. comem merda, comem merda, gozam. olhos , ouvidos, gargantas. entupidos de merda estão se afogando deliciosamente.
Arrastando a miséria que um dia foi chamada de corpo tenta se esconder querem lhe morder arrancar-lhe os pedaços. está só e são muitos, antes estava do outro lado salivando querendo uma parte bem saborosa mas hoje foi escolhido como refeição esta do outro lado é vitima. foge mas as imundas escadas as lodosas galerias levam ao mesmo lugar os inimigos se tornam um. é uma grande boca com varias vozes não há esconderijo. grita mija caga. comem e bebem seus dejetos se entrega! o banquete goza não ha mais o que fazer comem . destroçam a criatura. quem será o próximo?
Fora dos prédios chove. um liquido avermelhado molha a superfície cinzenta que corrói o mundo aos poucos, nenhuma criatura confinada percebe que planeta o está se desfazendo em cinza e vermelho.
Pós-homens, pós-mulheres, pós-crianças mortos, centenas de milhares dentro das galeria, sorrisos quase eternos, montanhas de carnes , a raça pós-humana unida dissolvida e dissolvendo formando pastosos rios de sangue coalhado Restos de portas, grades, cadeados, nenhum dispositivo de defesa tem valor. pistolas, metralhadoras, granadas, facas, espadas, baionetas misturados e fundido no lodo, não há mais lembranças, os mecanismos sofisticados de morte esquecidos; retorno a carne destruindo a carne.
O labirinto do corpo imitando o labirinto dos prédios, bela como o nojo é, rasgada, putrefa, quase sem cabelos, poucos dentes numa boca que nunca sorriu, cega mas ainda viva! É desejada os machos querem possuir suas carnes, vontade de sexo. Querem degenerar a realidade saturando a galeria de frustrações, no lodo não existe prazer só vontade. Os monstros cercam a carcaça viva, babam e vomitam apreciando a única forma que chega perto da beleza. Dez machos desejam. Avança a vontade, o primeiro dá um soco na cara desfigurando o indesfigurável , sangue nas mãos ouve-se as gotas pingando no lago pluc, pluc, pluc... excitação. apertam os seios com força, dez machos desmancham a fêmea penetrando na sua pós-alma imunda enchendo-a de mais imundície, enfiam braços e pernas em seus buracos, espalham a peste da existência , gozam mas não de prazer, desmancham tudo em volta.
Olhos tampados por pústulas, gengivas podres, boca que mastiga e sente o próprio sabor, abissal quase inanimado, sem origem, urrando desenvolvendo infinitas realidades parasitoides. força sem conceito fragmentando formando o novo. violento, cego, vômito consistente, câncer sintético multiplicando-se nos subsolos, desmanchando, corpo sem órgãos. Só uma couraça cinzenta como metal antes chamada de pele, prisioneiro da putrefação em sua casca pesada e vázia subvidas consomem o sumo amarelo e avermelhado, moscas depositam a esperança da espécie, larvas famintas comem incessantemente. das profundezas expelido pelo cu novos vermes saem aos montes enchendo a galeria de música e dança.
Descendo lentamente, nulo sem pretensão-respira, come e caga, respira, come e se reproduz confinado: grita, odeia, come e caga, descendo os degraus melados de vida submerso em centenas de excrementos apenas aumenta o montante. há uma porta, coloca as mãos e sente surpresa é a primeira sensação que sente que não é destrutiva. a porta cai, uma criatura imensa com cinco cabeças! Elas o observam e zombam cada uma do seu jeito, grunhiu e foi pra cima destruir o monstro. esta galeria é bastante diferente, limpa possui luz e há vários espelhos. a pós-criatura percebeu e sentiu medo. havia vários monstros zombando e várias pós-criaturas imitando seus movimentos como se defender? os monstros olhavam-no com seus incontáveis olhos, sorria de alegria e sarcasmos tinha maldade nos lábios eram bondosos. a pós-criatura pulou nas pernas do monstro mordendo com força despedaçou os dentes. sangue e ossos, não parou ferindo muito as gengivas a criatura não parou. mordeu , mordeu, mordeu! Não há dor o pós-humano ataca os milhões de soldados que querem comer suas carnes se joga quebrando a imensa caixa de vidro.
Peido de vivo ou de morto aqui não faz diferença, todos os sons são um. a liberdade cheira mal, desintegra fazendo cair na inexistência, concreto, a luz solar ilumina fracamente. vermelho, amarelo, verde e cinza. cheiro de final. lodo, parede, pedaços de vida, temperatura morna do ódio, desordem, uma nova natureza monstruosa, ar denso, retalhos de realidade, movimentos sem loucuras ou verdades. dejetos reproduzindo dejetos esmagados. o sol ilumina avermelhado. rios pastosos exibem beleza hedionda.
Beijo? as bocas se encontram, mordem e arrancam quase ao mesmo tempo as línguas, arranham os rostos, atiram-se no lodo splassshhhh!!! unhas cheias de pele, rolam por todos os lados, submersos querem ser um só? rasgam um ao outro, catarse...dor e desespero máximo, viram qualquer coisa que não é viva nem morta.
2
Dois buracos no lugar do nariz, fome do tamanho de um universo ridículo e esverdeado, universo tremulo cheio de bosta a pós-criatura contorce-se, universo de diarreia explode. da bunda escorre o suco da vida que cai no lodo e os outros observam sabendo que dali não vão preencher as barrigas, universo recusado. fraqueza, covardia, merda rala são as substâncias dessa dimensão tão real, tão palpável que não parece existir, fazem um circulo em volta os pós-olhos nunca se cansam de observar as vidas que se desfazem, a meia luz urros condenados a reverberar nas paredes cinzas e esverdeadas. metade do lábio inferior comido exibindo três dentes ainda brancos, de joelho tenta levantar cai e bebe o lodo com avidez esperando que a substância pastosa lhe dê força, não para de expelir bosta os outros assistem apreensivos, as pernas lisas e subnutridas estão perdendo a batalha a pós-merda tem uma cor viva de festa dos milhões de parasitas que se reproduzem e parecem saber que estão destruindo uma vida que não fará diferença. a merda jorra imitando o fluxo do lodo dos prédios, esse pequeno cálice é a condensação de um passado. o ultimo brinde a ultima bebida tem que sair pelo cu.
Lodo, braços e pernas numa quantidade infinita boiando no mar gelatinoso, membros velhos e novos, todos purulentos. deliciosos pedaços de esperança podres e inúteis privados de movimento, centenas de maxilares trincando aproveitando a bizarra maré, criaturas comendo o que sempre foi inútil. a fome do nada todos comem braços e pernas, roem desesperados ante braços junto com fêmur, falanges misturados a fíbula, radio, ulna, ossos do carpo triturados e cuspidos, ossos do tarso e metatarso juntos a restos de músculos, gastrocnêmio, quadríceps, tríceps sendo disputados por animais glutões formam a orgia da impotência. gritos de fúria e engasgos, arrotos, uma das criaturas segurando um braço podre roído e sem mão espanca um concorrente, usando a ponta lascada o animal com toda força enfia na barriga do inimigo irmão dilacerando o intestino perfurando alguns órgãos e saindo nas costas. todos abandonaram os aperitivos para aproveitar o banquete ainda quente...
Moscas zunem insuportavelmente algumas na gula ficam presas nas carnes derretidas outras tantas morrem trituradas desfazendo-se em dentes dividindo espaço nos pós-estômagos com vermes e carnes pútridas. as moscas com múltipla visão maravilham-se, estão no paraíso e no mesmo patamar existencial que a pós-humanidade, multiplicam-se formando nuvens negras e sonoras, olhinhos de mosaico que por cima agradece a quantidade de refeição o paraíso ideal perfumado que parece ter sido criado para seus prazeres. amam a orgia de tedio sugando o sangue dos seres confinados que existem apenas para realizar seus caprichos.
A cada ação exercida um vazio é criado, realidades desfeitas, misturadas e fragmentadas. o calor intenso arrasta o mundinho ao infinito real que não tem luz, sabores, cheiros, não há o que se tocar, não há movimentos, não existindo nada.
Duas criaturas grudadas uma parasitando a outra. bolo de carne que dividem apenas um osso, a espinha dorsal. boiam no lodaçal vivem sem precisar de nada apenas existem. a natureza preguiçosa criou-os por passatempo. rostos murchos. os olhos grandes e sem vida apenas olham o universo quadrado e nojento das paredes. Dividem o mesmo coração e cu. Transparentes os órgãos pulsam sem sentido. nova existência, dupla e verminal cheia de energia estranha boiando e inutilmente existindo.
Semi-vivos gritam, a prisão a cada dia se torna insuportável o lodo está ficando cada vez mais consistente, lagrimas, espermas, milhares de vermes, pedaços de ferro, corações mutilados, retos e esôfagos espalhados e deformados ; concreto, ódio, dores estomacais, mordidas, sub animais orgasmicos, penetrações, fome de existir, arranhões, distúrbio visual, as grandes máquinas expelem agonias coloridas; pílulas, moscas. catarse infernal, as maquinas gritam e todos imitam. A luz solar aumentou de intensidade transformando os prédios em panelas, o calor chegou ao nível máximo, o lodo borbulha, pós-humanidade cozinha. gritos de sensações inexplicáveis, vapores mórbidos sobem ao teto, gritos e mais gritos de animais cozinhando. pele desprendendo-se do corpo, órgãos cozidos, gemidos. olhos , cabelos e línguas queimando, luta insignificante, sufocados pela própria imundície, gargantas e amidalas cozidas, sangue menstrual, cuspe, sêmen, pedaços de carne misturando-se em pílulas. A espécie experimentando o além-agonia, das suas gargantas saem sons de um dia sem fim.
Os ossos doem. natureza simbiótica, concreto e lodo. inchado como um câncer em metástase, vivo e corrosivo, transmutado não é mais uma pele que reveste seu corpo, não possui nariz nem pelo em parte alguma; cinzento perdeu os olhos, a boca é um pequeno esgoto ambulante. espalha a fedentina existencial. humanoide verme que não precisa se alimentar apenas multiplica-se tornando insuportável a vida. os ossos doem, na bruma subterrânea apenas um halo do passado.
De quatro sobe as escadarias, mãos e joelhos em contato com a natureza sintética, está fraco sem força para urrar enjoado. uma papa enegrece a boca e vomita, escorre no queixo caindo aos montes no peito e na barriga. enfia a cara no vômito, lambe o chão. passa a mão na barriga ate o peito, chupa os dedos. não se desperdiçando quer de volta seus fluidos sente o gosto azedo e fermentado. desesperado crava as unhas na cara e arranca um grande pedaço. experimenta o próprio sabor. uma luz fraca atravessa insignificante, movimenta a cabeça degustando-se as pernas ardem, lagrimas queimam os olhos, as gengivas sangram. Sozinho no caos de extremas vontades respira fundo e vê cravado na costela um braço e uma cabeça, divide o corpo com um parasita, urra e seu irmão corresponde. gritos infernais –abre a boca o parasita está com fome. o bracinho movimenta-se então enfia o dedo na garganta e a cabeça alojada na costela. espera o fluxo negro, arroto e vomito, amor fraternal? deixa metade do alimento para o irmão. arrasta-se levando consigo o parasita que só acorda para ser alimentado.
3
Recém-nascidos estuprados e comidos. pequenos e incompletos sexos dilatados e arrancados do útero apenas para satisfazer o ódio-libido. ainda unidos as mães são desmanchados, não há choro só o som do coito estalando as pequeninas juntas. milhares de pós-bebes mortos com as entranhas pra fora. Inferno do tédio só a vontade de destruir o que está em formação. misturado ao lodo esperma e ignorância e as criaturinhas são o melhor aperitivo dos prédios. muitos são arrancados do ventre materno a dentadas e talhos feitos com unhas nem chegam a experimentar o ar nojento das galerias são possuídos mortos nada é desperdiçado. pós-homens penetram os buraquinhos que estavam em formação lambem as criaturinhas ainda meladas de magano.
Metade do corpo apodrece sente os vermes entrando e saindo sente os vermes comendo suas carnes arrasta-se lento. grita muito alto quando vai cagar metade do corpo arde esfrega-se diariamente nas parededes deixando marcas por onde passa. solitário imita as centenas de criaturas que estão dentro de si e se movimentam fazendo tuneis. impacientes não espram ele morrer, comem deixando-o oco. escavam.
Arames farpados espalhados. varias criaturas presas. bolos de carnes. Pendurados pedaços dilacerados. aço enrolado em braços, pernas, pescoços e gargantas. arame farpado cortando axilas. caralhos, bocetas, bundas e peitos rasgados e inutilizados como olhos, línguas e gengivas. gemidos perpétuos. gargarejo com o próprio sangue. movimentam-se e aumentam a dor. ossos arranhados continuamente. coroas de espinhos metálicos, cristos degenerados morem sem causa e crenças pendurados iguais a porcos nas linhas torturantes da nova natureza aspergindo os prédios batizando as medonhas paredes. um emaranhado de realidades cravadas na alma. união e mistura. dimensões sádicas e pastosas suprassumo do caos. alguns ainda conseguem sentir prazer no auge da morte. orgasmos, líquidos de prazer e chuva de prata molhando quem está embaixo. merda, prazer e morte.
Todos os instintos grotescos nos prédios são cotidianos. desprovidos de limites destroem e multiplicam-se espremidos. arranham, mordem, violentam-se numa catarse infinita. apodrecendo em vida monstros devoradores só querem as barrigas cheias.
Sem nenhuma luz lutam por um pedaço de carniça na cegueira da noite melados de lodo, ódio e fome querem um pedaço do material que o pós-tato e o pós-olfato sentiram, carne desmanchando suave pedaço de uma existência que foi alimentada com incontáveis anos de agonia, frustração e falta de liberdade por isso se tornou tão apreciável. rasgam o filé, mastigam freneticamente. sons de uma noite embriagada. dopados pelos estômagos sub-realidades engolem o suprassumo de suas vidas estão atolados no lodo ate o pescoço. mastigam trincam os dentes querem mais se pudessem subverteriam esse estranho e pequenino mundo que vivem. transformariam tudo em carniça comida favorita dessa raça de condenados.
Arranha as paredes. crostas de lodo é retirada. três listras vermelhas são desenhadas. repetição, sem sentir nada continua a cavar não há limite. obsessivo continua a deliciar-se. esmaga os dedos tenta esfarelar-se molha a mão de suor, sangue e cuspe. as vezes grita procurando fazer parte do concreto ser pó e fundir-se com a nova natureza.
4
Gota gelada da mais imunda essência pinga nos lábios roídos e amarelados. pequena sensação de alívio, outra gota essa mais fria. a criatura move os lábios com sede. todo seu interior pede o liquido. contorce-se, treme não conseguindo ver mais nada. levanta do chiqueiro-gaveta grita com força quase arrebenta as cordas vocais. mesmo vivendo num mundo restrito, escuro, rodeado de paredes mofadas sente prazer ao acordar. respira fundo é mais um dia e qual a importância?
No centro dos prédios há uma fábrica que foi construída há muitas gerações anteriores com a ambição e orgulho. não parou sua atividade de criar criaturas que eram pra ser perfeitas mas as maquinas depois de tanto tempo de uso e sem ninguém para reparar os danos do tempo expelem seres defeituosos aos montes. seres incompletos ou com hipertrofias. criaturas sem olhos no lado esquerdo ou direito ou com olhos imensos, sem braços, pernas, tórax, cabeça, ombros minguados ou grandes demais. muitos faltando órgãos internos ou um só tomando espaço dos outros ou criaturas totalmente oca milhares nascendo sem 1/5, 1/4, 1/3, do cérebro ou sem cérebro e o mais medonho é que boa parte destas criaturas nascem grudadas a outra com anomalias muitas vezes diferentes muitos são a antítese do outro. as aberrações crescem rapidamente e sem parar. choros, sorrisos, urros de prazer e agonia sons de demência e falsos sentimentos tudo controlado pelo Útero de Ferro. a grande maquina para sobreviver alimenta-se das criaturas jogando-as na fornalha. Pela chaminé da fábrica vapor de carne derretida se espalha no céu.
Escarra, escarra, escarra e cospe a pasta rica em podridão, desliza dos pulmões e vai subindo doloroso e suavemente . há estremecimento e uma brincadeira entre os dentes e língua. lança a massa com força que chega a trincar os dentes. está mais vazio, a gosma boia no lago imundo, pequenas ondas. o ruído se espalha lentamente se perdendo. quer de volta nas suas entranhas, acompanha rápido. a cada passo meia luz e escuridão. as janelas dos prédios estão cheias de moscas grudadas em carnes decompostas algumas ainda batem as asinhas outras sufocaram nas oleosas misturas fazem a sinfonia da tentativa de viver. é cansativo, apoia a mão na parede deslizando a cara no limo indo de encontro a outra extremidade quebra o nariz salpicando a prisão de uma cor que não tem mais valor. grita. agora faz parte das cantorias das moscas roubando o ugar de destaque. cai no lago nojento se contorcendo. de um lado ao outro bolhas de ar e sangue. nesse movimento cotidiano remexe o fundo levando para a superfície restos de vidas moles e outras calcinadas. engole o caldo quase engasgando. para de se mexer controlando a dor apoia as mãos ainda dentro do esgoto num crânio que possui um pouco de tecido. a curiosidade faz com que arranhe a estrutura arredondada mas logo perde o interesse e levanta sentindo uma dorzinha aguda no nariz. passa a mão. sangue quase sólido não se desprende balançando como pendulo de relógio que não marca tempo nenhum pois esse mecanismo é defeituoso. a fome aperta mas não há ninguém por perto. está cansado de beber lodo e roer as paredes. fica de joelhos vendo seu reflexo no lago e muito mais. vê o teto e a parte superior das paredes que nesta realidade se destorcem para todos os lados mudando constantemente a forma da prisão.
o sangue despencou desfazendo momentaneamente a dimensão aquosa. passando o caos vermelho o concreto volta a ser refletido dançante e onipotente adquirindo mais força. o que era repugnante se tornou algo inenarrável impregnando a mente de ódio.
Sem espaço para se mexerem, espremidos, suados e cheios de dor estão cegos. a procura de espaço e comida se armam. paus, pedras e tubos de ferro enferrujados retirados das instalações. pretendem ter ao menos um pedaço de esperança. querem apenas continuar. não há importância se querem essa existência nojenta a força da vida jamais abandonará os seres vivos levando-os a extremos. seres parasitas consomem qualquer coisa para prolongar o que era chamado de dádiva. essa guerra é mais franca. todos armados igualmente sem ideais e discursos querem apenas ter espaço e matar a fome. não existe aliados todos avançam. ferem-se. pauladas, sons de ferro amaçando cabeças, quebrando braços e pernas, olhos vazados, dentes caindo no lodo, mordidas em pescoços, bundas e costelas, retalhos em gargantas, corpos e mais corpos boiando no lodo transbordando o lago gelatinoso e fazendo a alegria das moscas e vermes. vômitos hemorrágicos, barrigas lascadas, puxões e intestinos a mostra. alguns usados em pescoços para enforcar. cabeças roxas sufocadas, sexos arrancados e comidos com voracidade, culhões mastigados e engolidos, jatos de sangue e esperma, falos lambidos e engolidos, bocetas mordidas, clitóris arrancados, seios despedaçados. incontável numero de corações destruídos. Gula, merda e os vermes esperam, pós-humanos reduzidos a retalhos monstruosos, pedradas desfigurando rostos, amaçando costelas, arrancando maxilares. tubo de ferro deflorando chegando ate os intestinos, várias criaturas empaladas pelo cu, pedras enfiadas em bocetas, uma, duas, três, quatro...dilacerando. gemidos, gemidos, contorções e mais contorções. depois desse carnaval os vencedores comem e bebem, observam uns aos outros alguns mortos ainda se debatem, um sem parte das pernas anda com os tocos no chão a procura de comida se esbarra na montanha de corpos e de lá não sai, come ate ser achado e devorado. morre satisfeito. alguns correm sem cabeça esguichando sangue sendo usados como bebedouros. enchem as barrigas até se sentirem empanzinados. na gula vomitam o sangue e carne crua mas não querem parar continuam a alimentar a vontade. alguns corpos sem vida se debatem encostados nas paredes ainda com o movimento de fuga, alguns caem no lodo se mexendo fazendo bolhas e espumas, são devorados. o prédio está transbordando de ódio coagulado a gula faz os vencedores barrigudos e preguiçosos, arrotam alto, peidam, mijam em cima dos cadáveres, beijam-se mordendo os lábios só não há outra batalha porque estão cansados demais, quando a barriga estiver vazia voltaram ao ciclo de dores desconhecidas.
Ele tem uma impingem no saco, coça ate ferir. seu andar de quadrupede é prejudicado o ardor e a substancia aquosa desce pelas coxas e cai no lago pastoso. lambe os dedos e sente cheiro do sexo apodrecendo, fica excitado e a coceira aumenta. é insuportável não suprir a vontade, de cócoras se dá prazer ferindo o único meio de aliviar os sentidos. esfola o pau. pedaço de na lama a pasta se junta ao montante. esperma boia se espalhando e grudando nos fragmentos de dejetos orgânicos alimentando a fauna hedionda do prédio, não satisfeito continua a masturbar-se. baba e peida rala o membro na parede. para por instantes com o braço direito pesado, olha pra trás e vê sua musa já esverdeada com barriga grande algumas partes do corpo bem roídas sem pele lábios roxos cara inchada respirou o bafo do buraco morto gostou do cheiro decadente o talho expele o perfume que está acostumado a sentir mas na boceta morta é concentrado sua pupila dilata cheira e lambe o cuque desprende alguns ovos de parasitas abre as pernas mortas e penetra o saco vazio estoca seu amor acariciando os seios gelados lambendo os mamilos passando as mãos na barriga goza com força esbofeteia seu amor está longe de terminar passa o pau nas narinas enchendo a cara morta de sêmen começa a gritar emocionado vira a musa de costas e penetra mais uma vez o ideal de prazer essa explosão de volúpia bizarra chama atenção dos vizinhos que também excitados se juntam ao casal pós-homens e pós- mulheres acariciam monstruosamente seus corpos querem a mesma sensação e as fêmeas passam as mãos na musa irradiam calor para o ideal gelado levantam o casal um macho excitado penetrou o macho por traz quando o outro ejaculava uma das fêmeas esfregou a boceta na cara da morta caíram em cima de tudo que era buraco por horas e horas gemidos orgasmos fluidos de um amor primitivamente idealizado exploraram todas posições no corpo gelado no final beijaram ardentemente os lábios podres descolando parte da mascara mostrando um sorriso continuo.
5
O céu está nublado com nuvens negras que mancham o céu anêmico, som petulante de chuva ácida caindo e encharcando o solo cinza sem valor e deserto. som sulfuro do líquido derretendo estruturas do mundo plano, triste nas suas formas retas e decadentes. os prédios sõa banhados com o ácido- absinto de vontades, rapidamente inunda ruas mórbidas e obscuras. o chiar continua, alguns prédios não suportam e desabam estourando como pústulas bastante inflamadas o mundo repleto dessas pústulas enche o solo de imundície, é como um imenso rosto deformado pelo câncer que o batismo de uma religião desconhecida sem virtudes ou moral limpa a face estuporada mas não restitui vida alguma.
Sem felicidade no sofrimento estático rodeado de mascaras carnais, muitas boiando no lodo outras coladas nas paredes rasgadas pela metade ou grandes e murchas com cores apáticas sem expressões. quis esconder seu rosto usando as mascaras que não se ajustaram no seu rosto. com ódio arrancou a própria face que ficou inchada e nojenta que não tinha nenhum traço de inteligência ou sentimentos, era a visão do que tinha por dentro.
Aço retorcido, ferrugem, lodo, gavetas podres que não possuem função, pós-homens dopados se movimentando em constante violência, falta de luz, suor, oxidação, labirintos, emaranhados de realidades, moscas, larvas, excrementos, vontades, estupides, sangue, nascimento, irmãos parasitas, fabrica de agonias, sepulcro de carne andante, cavernas de prazer, ossos triturados, paredes e janelas esverdeadas, maquinas que expelem ilusões coloridas, comedores de merda, esfera de lamentos, pedras, paus e carcaças gerando abortos ambulantes.
O braço despenca atingindo o olho esquerdo, sangue descendo melando rosto, braço, peito, barriga e partes da perna. urra descontrolado, socos e mais socos, pontapés. se torna uma massa vermelha que as moscas cobrem de beijo sem esquecer uma parte se quer do corpo, milhares de beliscões e zunidos pós-homens esfregam as mãos em sua forma modificada, adoram essa massa esfolada que bufa e respira, golfa sangue com pedaços de dente mudando um pouco o verde vivo do lago nojento, respira com horror. uma mão não aguentando mais o empurra para baixo enfiando a cabeça no lodo, afoga-se na imundície, pedaços orgânicos entram na boca e narinas. o pulmão se enche de lodo, morre na lama.
Velho se desfazendo numa dimensão flácida que a cada dia diminui seus movimentos, sobrevive como verme mole de intestino incompleto. Boca-Cú desdentado come e caga pelo mesmo buraco, recicla a podridão, transforma qualquer coisa em alimento. gengivas desdentadas e mucosas mastigam paredes, restos de pós-criaturas, lodo e as vezes arrancam pedaços do próprio corpo. os Boca-Cú se multiplicam lentamente, mas se acha vários deles pelas galerias com passos gelatinosos de quase invertebrados. São na maioria velhos que com o passar do tempo parte dos seus aparelhos digestivos derreteram por causa da dieta forçada, mas como a natureza nos prédios é estranha se adaptaram. agora comem e cagam pelo mesmo buraco, os Boca-Cú se comunicam numa língua inteligível e fedorenta, cada criatura dessa espécie usa as cordas vocais para emitir sons fecais, cada um com seu tom característico arrotam merda que vem dentro da alma derretida e sem proposito algum, movimentam a boca e a língua sai sons finos de alegria, sons macios de excitação sexual e sons graves de ódio, mas todos característicos e individuais porque a depender o tamanho e da forma de cada um o som se torna pessoal, só eles entendem o significado dos verbos fecais que alguns no prazer de se ouvir se cagam rolando merda pra todo lado. os Boca-Cú possuem barrigas enormes cheia de gases os que não conseguem expelir a podridão morrem sufocados ou explodem feito bexigas cheias de tripas e merda mole envelhecida. quando morrem só os vermes e as moscas se encarregam de dissolve-los.
O nariz se meche está farejando prazer peida querendo satisfazer-se. anda sobre amontoado de carcaças, todas rachadas ou faltando partes, pisa com força nos ossos ferindo a sola dos pés vê o deserto de morte com seus movimentos característicos de símio. anda com força pisando em crânios, costelas e todo conjunto de ossos que um corpo possui. O cheiro de ser vivo o enche de esperança, não está só, quer perpetuar a vida, quer expulsar a peste que está em seus testículos, passar o tempo, afogar-se num desespero sem imagens, sem futuro quer fazer no campo de morte a continuação de um sonho mesmo sem nunca ter sonhado e quase não existir limitado por paredes. Mesmo nos piores mundos há vontade de reprodução que a cada geração deforma a existência transformando-a em qualquer coisa além das múltiplas consciências que existiram que existe e continuará existindo por tempo desconhecido. Encontrou uma femea semi morta arreganhada depois do parto o bebe misturado aos esqueletos, não há choro só sangue, cansaço, moscas e vermes numa atitude que poderia ser carinhosa. arrasta a criança pelo cordão, olha a criança cinzenta e arranca a perna natiomorta morde mastiga um bom pedaço, arranca outro pedaço oferecendo a mãe que devora rapidamente. arrotou e puxou o cabelo da femea balançando seu membro e esfregando na cara da mãe que não rejeitou e levou aboca. jatos de esperma nas mãos, na cara escorrendo caindo no montante de ossos.
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Atualizado em: Seg 11 Jun 2018
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