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Partida.

Caminhei até a beira do lago. Tirei o tênis, a calça, e a camiseta. Ficando só de shorts. Olhei para aquele dia com alegria. O sitio estava cheio de gente. Nas quadras poliesportivas meus amigos suavam uma partida de futebol. Outros jogavam vôlei. As crianças corriam por todos os lados. Ninguém naquele momento havia se inspirado em dar um mergulho. Enchi os pulmões de ar e mergulhei. O fundo não chegava nunca. Escuridão total. Não dava para abrir os olhos.

Lá nas profundezas, senti um silêncio assustador. Uma sensação de estar num abismo. Entrei em pânico e alguma coisa me empurrou para a superfície. Como um peixe voador fugindo de um predador; toquei o ar e cai novamente na água. Nadei desesperadamente em direção as margens, que não chegava nunca. Parecia que ela se afastava à medida que me aproximava. Com esforço encostei minha mão no barranco e pulei para fora d’água. Alívio!

Andei até ao redor da quadra de futebol e perguntei.  Pessoal, na próxima partida posso jogar? Ninguém respondeu. Insisti, repetindo a pergunta, Fiquei novamente sem resposta. Uma garota que saia de uma das quadras passou por mim. Puxei conversa. Ela não me ouviu, ou fez que não me notasse.

Sentei ao lado da quadra e esperei o jogo terminar. Terminou. Procurei conversar com meu amigo para que ele me inclui-se na nova partida que se iniciaria em minutos. Ele sequer notou a minha presença. Fiquei nervoso e coloquei minha mão sobre seu ombro. Não senti o seu corpo. Minha mão transpassou-o.  O desespero tomou conta de mim. Gritei em seu ouvido. Nada. Era como se eu estivesse invisível, e sem voz. Pensei estar sendo vitima de uma brincadeira. Repeti as tentativas várias vezes com todos os meus amigos. Nas quadras, na churrasqueira. Nem minha namorada me ouvia, ou me percebia.  Não é possível que todos se juntassem para me amedrontar, ou coisa parecida...

Apavorado comecei a caminhar em círculos. Repentinamente fui para na beira do lago. Exatamente onde estavam minhas roupas. Abaixem-me para pegá-las, mas não consegui. Novamente minha mão transpassava as roupas, como se meu corpo não existisse mais...

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Atualizado em: Qui 8 Maio 2014

Comentários  

#1 vanderlei 17-05-2014 21:25
Muito bom, especialmente pelo final em aberto.

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