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45°C DO SEGUNDO TEMPO

Procuro um verso na noite azul e ametista.

Tento baixar aquela estrela na minha lista

e ouvir os lamentos de quem sozinha brilha

no meio do nada ou em algo que não exista.


Não quero do tipo qualquer um me serve;

talvez algum que forme o contato elétrico

entre dois polos aleatórios que se atrevem

a roçar seus limites na sala cinza do cérebro.


Folheio vários livros. Abro e fecho os arquivos.

Corro o dedo no drive. Subo e desço e respiro

quase ofegante enquanto os miolos são fritos

nesta azia dos signos, no refluxo dos sentidos:


quando escrevo toda a temperatura aumenta...

A perna treme. A mão sua. E onde está o poema?

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Atualizado em: Seg 22 Abr 2019

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